Tite destaca a necessidade de mais competitividade do Botafogo após derrota por 3 a 0 para o Inter.Foto: Reprodução da Internet
O Botafogo deixou o Beira-Rio derrotado por 3 a 0 pelo Internacional e sob pressão para reagir no Campeonato Brasileiro. Depois da partida, Tite reconheceu que a equipe esteve abaixo do nível esperado e fez uma cobrança direta por mais competitividade. O treinador também assumiu responsabilidade pelas escolhas feitas no confronto, mas evitou atribuir o resultado a um jogador específico.
O revés ocorreu neste sábado (24), pela 32ª rodada da competição, e manteve o Alvinegro na 11ª colocação, com 39 pontos, conforme os dados apresentados após a rodada. O Internacional, que luta contra o rebaixamento, aproveitou o mando de campo e construiu uma vitória segura. A atuação colorada foi especialmente superior no primeiro tempo, período em que o Botafogo encontrou dificuldades para controlar o jogo.
Na entrevista coletiva, Tite não procurou justificar o placar. O técnico avaliou que o Botafogo apresentou problemas em diferentes setores e citou aspectos táticos, físicos e técnicos como fatores que contribuíram para a derrota. Na visão do comandante, a equipe não conseguiu executar o planejamento e também não competiu da maneira necessária diante de um adversário que impôs seu ritmo.
“Nós tivemos muito abaixo daquilo que a gente pode produzir”, declarou o treinador. Tite reconheceu que o Internacional mereceu vencer, embora tenha considerado que a diferença de três gols poderia ter sido menor. A análise, portanto, combinou o reconhecimento da superioridade do adversário com a cobrança interna por uma postura mais firme nos momentos de dificuldade.
A principal mensagem deixada pelo técnico foi a necessidade de o time aprender a competir melhor quando o plano de jogo não funciona. Para Tite, não basta apresentar reação em determinados momentos: o Botafogo precisa sustentar concentração, intensidade e organização durante toda a partida. A cobrança ganha peso porque o clube entra na reta final do campeonato sem conseguir estabelecer uma sequência positiva sob o comando do treinador.
O Botafogo melhorou depois do intervalo e chegou a criar oportunidades para diminuir a desvantagem. A equipe também acertou uma finalização na trave, enquanto o goleiro do Internacional precisou fazer defesas importantes. Ainda assim, a reação foi insuficiente para alterar o cenário construído no primeiro tempo ou impedir que os donos da casa confirmassem o resultado.
Na avaliação de Tite, a melhora na etapa final não apaga os problemas apresentados anteriormente. O treinador reconheceu que houve mais iniciativa ofensiva, mas manteve a leitura de que o desempenho coletivo ficou distante do que o elenco pode produzir. Essa diferença entre o potencial esperado e o rendimento apresentado foi um dos pontos centrais da entrevista após o jogo.
Escolha de Huguinho também foi explicada
Outro tema abordado na coletiva foi a ausência de Huguinho entre os titulares. Tite explicou que o meio-campista tem características diferentes dos jogadores escolhidos para iniciar a partida. Segundo o técnico, Huguinho oferece maior movimentação entre as áreas, enquanto as alternativas utilizadas apresentam perfil mais posicional e voltado à proteção da defesa.
Ao comentar as opções para a função, Tite citou Allan, Domingos e Kaio Pantaleão. A explicação, porém, não veio acompanhada de uma responsabilização individual. O treinador reforçou que a dificuldade foi coletiva e que o desempenho insuficiente não pode ser colocado exclusivamente sobre a escalação ou sobre um atleta específico.
A discussão entre Marçal e Álvaro Montoro durante o jogo também apareceu na entrevista. Tite tratou o episódio como uma cobrança comum em partidas de alta tensão. Para o comandante, jogadores podem demonstrar insatisfação e exigir mais dos companheiros, desde que exista respeito entre os envolvidos. Assim, o momento não foi classificado como um problema disciplinar dentro do elenco.
Pressão aumenta antes do duelo com o Remo
A derrota ampliou a pressão sobre o trabalho de Tite. De acordo com o retrospecto apresentado nas fontes, o treinador soma uma vitória, um empate e três derrotas nas cinco partidas desde que assumiu o Botafogo. O aproveitamento nesse recorte é de quatro pontos em 15 possíveis, índice de 26,7%.
A sequência começou com derrotas para Mirassol, por 2 a 0, e Vasco, por 2 a 1. Depois, o Botafogo empatou por 1 a 1 com o Coritiba e venceu a Chapecoense por 1 a 0, com gol de Tiquinho Soares. O resultado em Porto Alegre interrompeu a possibilidade de uma sequência mais consistente justamente após o primeiro triunfo da era Tite.
Parte da torcida também reagiu negativamente nas redes sociais. As críticas se concentraram no desempenho da equipe, nas escolhas do treinador e na ausência de evolução coletiva. A repercussão aumentou a cobrança por respostas imediatas, embora o próximo compromisso ofereça ao técnico a oportunidade de corrigir os problemas apontados na coletiva.
O próximo desafio será contra o Remo, na quarta-feira (28), às 21h30, no Mangueirão, em Belém, pela 33ª rodada do Brasileirão. Será a primeira chance de transformar a cobrança feita após a derrota em uma resposta dentro de campo. O Botafogo precisará apresentar mais organização e competitividade para evitar nova perda de pontos e recuperar confiança na reta final da competição. A vitória do Internacional sobre o Botafogo também teve impacto na luta contra o rebaixamento, aumentando a importância dos próximos resultados para os dois clubes.