A vitória sobre a Chapecoense impulsiona Tiquinho Soares na disputa por vaga no ataque do Botafogo.Foto: Reprodução da Internet
O Botafogo encontrou em Tiquinho Soares uma resposta para um problema que vinha se prolongando no Campeonato Brasileiro. O centroavante marcou na vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense, interrompeu um jejum de 90 dias do ataque e passou a ocupar posição de destaque na disputa pela titularidade. A mudança acontece justamente quando o clube entra na reta final da competição com a necessidade de se afastar da zona de rebaixamento.
O próximo compromisso será contra o Internacional, neste sábado (24), no Beira-Rio. A partida poderá indicar se o gol diante da Chapecoense alterou de forma imediata a hierarquia do setor ofensivo. A tendência é que Tiquinho comece novamente, formando o trio de ataque ao lado de Matheus Martins e Ziyech, mas a escalação ainda depende da decisão do técnico Tite.
A participação de Tiquinho contra a Chapecoense foi objetiva e decisiva. Aos nove minutos do primeiro tempo, o atacante recebeu cruzamento de Matheus Martins e mandou a bola para as redes. O lance garantiu os três pontos e encerrou a sequência sem gols dos jogadores de ataque do Botafogo, que não marcavam desde 16 de julho, na vitória por 2 a 1 sobre o Santos.
Gol aparece depois de retomada gradual
O momento de Tiquinho não surgiu apenas no confronto mais recente. Contratado no fim da última janela, o centroavante vinha recebendo minutos de maneira progressiva para recuperar a condição física e readquirir ritmo de jogo. Ainda longe do estágio ideal de preparação, ele passou a ser utilizado por Tite em um processo que ganhou força com suas atuações recentes.
No clássico contra o Vasco, Tiquinho participou de uma jogada que terminou em gol anulado e poderia ter representado o empate do Botafogo. Na partida seguinte, diante do Coritiba, entrou bem e contribuiu para a reação da equipe no empate. Contra a Chapecoense, transformou a sequência positiva em um gol que decidiu o resultado.
A evolução aumentou a possibilidade de o jogador permanecer entre os titulares no duelo com o Internacional. Além de oferecer presença na área, Tiquinho aparece como uma alternativa de referência para um time que vinha encontrando dificuldades para transformar suas ações ofensivas em gols. A resposta diante da Chapecoense, portanto, teve efeito esportivo imediato e também ampliou as opções de Tite.
O rendimento de Matheus Martins também fez parte do lance decisivo, já que foi dele o cruzamento para o gol. A participação ajuda a explicar por que a formação projetada para o Beira-Rio pode manter os dois jogadores juntos, com Ziyech completando a linha de frente. O contexto do ataque, porém, ainda depende do desempenho coletivo e das escolhas do treinador para cada adversário.
Arthur Cabral vive período de cobrança
A ascensão de Tiquinho ocorre em paralelo ao momento mais difícil de Arthur Cabral desde sua chegada ao Botafogo. Titular durante boa parte da temporada, o centroavante não marca desde 17 de maio, quando balançou as redes três vezes na vitória sobre o Corinthians pelo Brasileirão.
A seca aumentou a cobrança da torcida e reduziu a margem para novas oportunidades sem participação direta no placar. Contra a Chapecoense, Cabral sequer foi acionado por Tite. Danilo Pereira recebeu a oportunidade no setor, enquanto Tiquinho entrou no jogo e acabou como autor do gol da vitória.
O cenário, no entanto, não elimina a importância de Cabral para o elenco. O atacante foi tratado ao longo do ano como uma das principais referências ofensivas do Botafogo e segue sendo uma alternativa disponível para o treinador. A disputa não está encerrada, mas o desempenho recente de Tiquinho criou uma vantagem momentânea na corrida por espaço.
Antes de marcar, Tiquinho já havia demonstrado apoio ao companheiro. Durante sua apresentação, classificou Arthur Cabral como amigo e conterrâneo, ressaltou a qualidade do atacante e afirmou que todos os jogadores atravessam períodos de dificuldade. Também defendeu a colaboração entre os integrantes do elenco como caminho para ajudar o Botafogo.
A declaração é relevante porque dimensiona a concorrência interna. O momento não indica um rompimento entre os centroavantes, mas uma disputa esportiva em um setor que precisa voltar a produzir. O gol diante da Chapecoense alterou a percepção sobre as opções de Tite, sem transformar a escolha atual em uma definição permanente para o restante da temporada.
Reta final aumenta peso das escolhas
O Botafogo chega ao encontro com o Internacional buscando se afastar da zona de rebaixamento e ganhar posições na tabela. Nesse cenário, a produção dos atacantes pode influenciar diretamente a tentativa de reação no campeonato. A equipe não precisa apenas de presença ofensiva, mas de jogadores capazes de converter as oportunidades em resultados.
Por isso, a volta de Tiquinho às redes tem valor maior que o número isolado do gol. O atacante apareceu em uma partida na qual o Botafogo precisava vencer e ofereceu ao treinador uma solução que vinha sendo construída aos poucos. A resposta também interrompeu uma sequência incômoda para o setor e devolveu confiança à formação ofensiva.
A permanência do camisa nove entre os titulares contra o Internacional, caso confirmada, será o primeiro teste da nova disputa. Tite terá de administrar os minutos de Tiquinho, Arthur Cabral e Danilo Pereira, levando em conta tanto o rendimento recente quanto a condição física de cada opção. O desempenho nos treinamentos e nos próximos jogos deverá pesar nas decisões.
No curto prazo, Tiquinho ganhou força depois de decidir contra a Chapecoense. Arthur Cabral continua no elenco e pode recuperar espaço com uma nova oportunidade. A concorrência entre os dois centroavantes passa a ser acompanhada de perto porque o Botafogo precisa transformar o alívio da última vitória em uma sequência de resultados na reta final do Brasileirão.
O duelo no Beira-Rio, assim, não representa apenas mais uma partida para o clube. Também será uma oportunidade de verificar se a mudança no comando do ataque veio para permanecer ou se a escolha de Tite continuará sendo ajustada conforme o adversário e o rendimento dos jogadores. Por enquanto, o gol de Tiquinho colocou o centroavante novamente no centro das decisões ofensivas do Botafogo.