O Palmeiras encerrou a janela de transferências do futebol brasileiro sem contratar um substituto direto para Allan, negociado com o Manchester City. A diretoria decidiu manter o elenco atual para o restante da temporada, enquanto a comissão técnica trabalha em alternativas coletivas para compensar a saída de um jogador reconhecido pela capacidade de conduzir a bola e vencer marcadores no um contra um.
A decisão combina dois fatores: a avaliação interna de que o grupo ainda tem força para disputar as principais competições do ano e a necessidade de preservar o planejamento financeiro. O clube segue envolvido no Campeonato Brasileiro, na Copa do Brasil e na Libertadores, e entende que as opções já disponíveis podem sustentar a sequência do calendário.
Allan foi vendido ao Manchester City em uma operação que pode alcançar cerca de 40 milhões de euros, aproximadamente R$ 237 milhões, considerando valores fixos e bônus previstos no acordo. O negócio ficou entre as maiores vendas da história do Palmeiras e aproximou o clube da meta orçamentária de arrecadação com transferências de atletas.
O planejamento apresentado para 2026 prevê uma receita próxima de R$ 400 milhões com negociações. O valor citado pelo Lance é de R$ 399,6 milhões, enquanto outra apuração sobre o tema menciona R$ 399 milhões. Com a transferência de Allan, a direção passou a tratar o cumprimento desse objetivo como prioridade, em vez de reinvestir imediatamente o dinheiro em uma contratação para o setor ofensivo.
A avaliação é que um atleta com características semelhantes teria custo elevado no mercado nacional ou internacional. Como o Palmeiras não identificou uma oportunidade considerada adequada ao preço e ao perfil desejados, prevaleceu a opção de não assumir uma nova despesa relevante poucos dias depois de concluir a venda.
O resultado financeiro do primeiro semestre também reforçou a cautela. Segundo o Lance, o clube fechou o período com déficit de R$ 124,046 milhões. O número ficou acima do previsto no orçamento, mas pessoas ligadas ao departamento de futebol avaliaram que a situação estava relacionada, em parte, à ausência de negociações de jogadores até a chegada da proposta considerada ideal pelo Manchester City.
Abel descarta buscar um novo Allan dentro do grupo
A lacuna técnica deixada pelo jogador ficou evidente na análise de Abel Ferreira após a vitória por 1 a 0 sobre a LDU, pela partida de ida das quartas de final da Libertadores. O Palmeiras criou 21 finalizações, mas marcou apenas uma vez, e o treinador foi questionado sobre a necessidade de encontrar alguém capaz de repetir os dribles e as arrancadas do antigo titular.
Abel afirmou que não é possível exigir de um atleta características que não fazem parte de seu jogo. O técnico citou Ríos, Rocha e López como jogadores que podem contribuir de maneiras diferentes e defendeu a construção de soluções a partir do conjunto da equipe. Para o português, o time precisa explorar combinações, cruzamentos, infiltrações e bolas paradas, em vez de concentrar a responsabilidade em um único driblador.
O treinador também reconheceu que o Palmeiras não encontrará, dentro do próprio clube, um ala exatamente igual a Allan. A declaração não foi tratada como um pedido público por reforço, mas como uma explicação sobre a mudança de funcionamento que será necessária. A ideia é potencializar as qualidades de cada atleta, respeitando a função que cada um desempenha.
Antes da transferência, Allan era utilizado principalmente como ala e tinha papel importante na progressão ofensiva. Sua capacidade de acelerar as jogadas oferecia uma alternativa individual para desmontar linhas defensivas fechadas. Sem essa característica específica, o time tende a depender mais da circulação de bola, das movimentações coordenadas e da participação de diferentes jogadores no ataque.
Base ganha espaço na estratégia do Palmeiras
O planejamento para o segundo semestre prevê a integração entre jogadores experientes, reforços contratados em 2026 e atletas formados nas categorias de base. O lateral-esquerdo Arthur e o atacante Heittor são citados como jovens que ganharam mais rodagem recentemente e podem receber novas oportunidades na sequência da temporada.
A utilização dos garotos faz parte de uma política que o Palmeiras vem associando ao desempenho esportivo e à geração de receitas. Em declaração ao Lance durante a Confut, a presidente Leila Pereira disse que o elenco estava fechado e ressaltou a intenção de continuar dando espaço aos jogadores formados no clube. Na avaliação da dirigente, a base contribui tanto dentro de campo quanto para a saúde financeira da instituição.
Em 2026, o Palmeiras realizou cinco contratações, sendo três no começo do ano e duas na janela mais recente, de acordo com o Lance. A direção também mudou o perfil de mercado em relação a 2025, quando promoveu uma reformulação com mais de dez chegadas. A prioridade atual passou a ser a busca por nomes experientes, adaptados ao futebol brasileiro e capazes de contribuir rapidamente.
Andreas Pereira, Jhon Arias, Carlos Miguel e Alexander Barboza aparecem como exemplos dessa política. Os quatro chegaram em momentos diferentes e, segundo a apuração, assumiram espaço entre os titulares após rápida adaptação. Ao mesmo tempo, o clube renovou os contratos de Flaco López, Gustavo Gómez e Murilo, preservando jogadores considerados importantes para a estrutura do time.
Com a janela encerrada, o Palmeiras terá de administrar a ausência de Allan com os recursos que já possui. A diretoria priorizou o orçamento, enquanto Abel Ferreira indicou que a resposta esportiva deverá ser construída por meio da combinação de funções e da força coletiva. A estratégia mantém o clube competitivo nas três frentes restantes, mas exige que o elenco encontre novas formas de produzir desequilíbrio no ataque.