A classificação do Palmeiras para as semifinais da Copa do Brasil não encerrou a pressão sobre Vitor Roque. Depois do empate por 0 a 0 com o Santos, na quarta-feira (2 de setembro), Abel Ferreira voltou a abordar publicamente o momento do atacante e cobrou uma mudança de comportamento do camisa 9.
O resultado na Vila Belmiro foi suficiente para confirmar a vaga porque o Palmeiras havia vencido o primeiro duelo por 3 a 0. Com o placar agregado, a equipe avançou sem sofrer gols nas quartas de final. A atuação coletiva cumpriu o objetivo, mas a situação individual de Vitor Roque continuou em evidência após o apito final.
O atacante deixou o gramado rapidamente, comportamento que foi mencionado por Abel durante a entrevista coletiva. O técnico afirmou que o clube vem oferecendo suporte, mas avaliou que a resposta decisiva precisa partir do próprio jogador. A cobrança, segundo o treinador, não está restrita à quantidade de gols marcados.
Abel relaciona rendimento a aspectos técnicos e mentais
Na avaliação de Abel, Vitor Roque ainda passa por um período de retomada. O treinador lembrou que o atleta ficou afastado por três ou quatro meses em razão de uma lesão. A imprensa paulista também relacionou o momento do atacante à recuperação após uma cirurgia no tornozelo esquerdo, apontada como um possível fator para a falta de condição física ideal.
Abel afirmou que já havia defendido o centroavante anteriormente e que o desempenho de um jogador precisa ser observado por diferentes ângulos. Além da parte técnica, o comandante citou as dimensões tática e mental. Por isso, a expectativa apresentada na coletiva envolve a participação nos treinamentos, a atuação nas partidas e a maneira como o atleta reage às dificuldades.
“Eu só quero uma coisa, que ele tenha alegria de treinar, que sorria para o sol. E neste momento, a linguagem corporal dele não é a melhor”, declarou Abel. O treinador também pediu que o atacante demonstre gratidão pela oportunidade de trabalhar com futebol, independentemente de estar como titular, no banco ou fora da relação, e mesmo quando errar ou acertar finalizações.
Para Abel, o gol deve ser consequência das tarefas executadas pelo jogador. A fala indica que a comissão técnica não pretende resumir a análise de Vitor Roque às bolas que terminam na rede. Ao mesmo tempo, o treinador espera uma reação capaz de aparecer no comportamento e no envolvimento do atleta com a rotina do Palmeiras.
“A minha função é treinar. Sou treinador e professor. Educar. Educação. E dizer-lhe qual é o caminho”, afirmou. Em seguida, Abel destacou que capitães, comissão técnica e direção estão cuidando do atacante, mas ressaltou que cada jogador precisa percorrer o próprio caminho e assumir a parte que lhe cabe.
Comentaristas questionam cobrança diante da imprensa
A escolha de Abel por tratar do assunto em uma entrevista coletiva provocou críticas de Julio Gomes, colunista do UOL News Esporte. O jornalista considerou incomum a exposição pública de um atleta por parte do treinador e classificou a cobrança como forte. Na avaliação dele, Abel assumiu um risco ao falar dessa maneira sobre o atacante.
Julio Gomes também ponderou que jogadores geralmente não recebem bem esse tipo de manifestação quando ela ocorre diante das câmeras. Por isso, levantou dúvidas sobre a repercussão da declaração no ambiente interno do Palmeiras, embora reconheça que Abel mantém influência sobre o elenco.
Walter Casagrande concordou com o comentário e defendeu que o treinador não ampliasse a exposição de Vitor Roque. Para o comentarista, Abel já havia transmitido sua mensagem e deveria deixar que uma eventual reação do jogador fosse construída internamente, sem novas cobranças públicas.
A divergência, portanto, está menos na existência de uma cobrança e mais na forma escolhida para apresentá-la. Abel entende que orientar e educar fazem parte de sua função e diz que o clube oferece apoio. Já os comentaristas avaliam que a mesma conversa poderia ocorrer longe da imprensa, especialmente porque o atacante ainda tenta recuperar ritmo depois do período de afastamento.
Terceiro jogo sem gol aumenta atenção sobre o camisa 9
O empate sem gols diante do Santos levou Vitor Roque ao terceiro jogo consecutivo sem marcar, de acordo com o relato sobre a partida. A sequência não impediu o Palmeiras de avançar na Copa do Brasil, mas reforçou a atenção sobre a participação ofensiva do centroavante e sobre a expectativa criada em torno de seu desempenho.
O contexto é distinto quando se observa o resultado coletivo. O Palmeiras eliminou o Santos com vantagem de três gols no placar agregado e garantiu presença entre os quatro melhores da competição. A classificação reduziu a pressão relacionada ao confronto, mas não afastou o debate sobre a adaptação e a evolução do atacante dentro da equipe.
Abel, ao citar a recuperação física e os aspectos mentais, apresentou a situação como um processo que exige tempo e participação do próprio jogador. A comissão técnica, os capitães e a direção aparecem, na versão do treinador, como partes responsáveis pelo suporte. A mudança de postura, porém, não poderia ser determinada externamente.
Assim, o episódio deixou duas leituras sobre o tratamento dado a Vitor Roque. Para Abel, a cobrança pública faz parte do trabalho de orientar um jogador que precisa reencontrar alegria e confiança. Para Julio Gomes e Casagrande, a exposição pode aumentar a pressão sobre um atleta que ainda busca a melhor condição após a lesão. Enquanto o Palmeiras segue vivo na Copa do Brasil, o camisa 9 permanece sob observação dentro e fora de campo.