Vitor Roque atravessa seu período mais delicado desde que chegou ao Palmeiras. O atacante marcou apenas um gol nos últimos 15 jogos e foi cobrado publicamente por Abel Ferreira depois do empate por 1 a 1 com o Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro. Para o treinador, o centroavante ainda está distante da condição física necessária para desempenhar seu estilo de jogo.
“O Vitor Roque tem que recuperar a boa forma. Ele não está em boa forma e isso é notório. É um jogador que nós esperamos muito dele”, afirmou Abel, ao relacionar a queda de rendimento do camisa 9 à parte física. A avaliação da comissão técnica é que o atacante precisa estar em alto nível para impor velocidade, força e capacidade de duelo contra os zagueiros.
Retorno após cirurgia mudou a sequência do atacante
O momento atual ocorre depois de uma cirurgia no tornozelo esquerdo, que afastou Vitor Roque dos gramados por cerca de três meses. Durante a recuperação, o jogador abriu mão das férias no período da Copa do Mundo para concentrar-se no processo de reabilitação. A transição física começou no início de julho, e o retorno aconteceu em 26 de julho, na derrota do Palmeiras por 2 a 1 para o Atlético-MG.
Naquela partida, o atacante começou no banco. Ele retomou a titularidade três jogos depois, mas ainda não conseguiu completar uma partida. Nos últimos seis compromissos em que iniciou jogando, foi substituído em todos. A última vez que permaneceu em campo durante os 90 minutos foi em 15 de fevereiro, no empate por 1 a 1 com o Guarani, pelo Campeonato Paulista.
Desde a volta da lesão, foram 11 partidas e somente um gol, segundo os dados publicados pela PLACAR. O próprio jogador reconheceu que precisa recuperar ritmo e condição física após o longo período de inatividade.
“É muito difícil voltar de uma cirurgia, dois, três meses parado, em busca de ritmo. Foi um dos meus melhores jogos, com mais minutagem, onde pude correr bem, ajudar a equipe. Agora é seguir nos treinamentos, continuar com a fisioterapia e estar 100% para ajudar o Palmeiras”, disse Roque após uma das partidas disputadas no processo de retorno.
Estatísticas mostram diferença em relação a 2025
Os números da temporada ajudam a dimensionar a queda de produção. Em 2025, Vitor Roque participou de 56 jogos pelo Palmeiras, foi titular em 46 deles e marcou 20 gols, além de registrar cinco assistências. O desempenho fez dele o vice-artilheiro da equipe, atrás de Flaco López, que terminou o período com 25 gols.
Em 2026, o atacante soma 29 partidas, 18 como titular, sete gols e uma assistência. A média de tempo para participar diretamente de um gol também piorou: passou de 153 minutos em 2025 para 186 minutos na atual temporada. A taxa média de participações em gols caiu de 0,35 para 0,24.
O único gol da sequência recente foi marcado de pênalti na vitória sobre o Vasco, em 23 de agosto. Flaco López entregou a bola ao companheiro antes da cobrança. Antes desse lance, Roque havia passado por 12 jogos consecutivos sem balançar as redes, jejum semelhante ao enfrentado no início de sua trajetória pelo clube.
A dificuldade também apareceu na partida de ida das quartas de final da Copa do Brasil, vencida pelo Palmeiras por 3 a 0 sobre o Santos. Vitor Roque desperdiçou duas oportunidades criadas em passes de Arias, embora o time tenha construído uma vantagem confortável no confronto.
Confiança virou outro ponto de atenção
Além da condição física, o Palmeiras entende que o atacante precisa recuperar confiança. O estilo de Roque depende de explosão e presença nos duelos individuais, características que foram menos evidentes nas partidas recentes. A comissão técnica avalia que ele tem encontrado mais dificuldades para levar vantagem sobre os defensores.
O jogador já relatou que conta com o acompanhamento da psicóloga Gisele Silva, profissional do Palmeiras, para lidar com a pressão. Em entrevista à PLACAR para o Guia da Libertadores de 2026, Roque afirmou que sofreu com a responsabilidade de vestir a camisa 9 e com o valor de sua contratação, mas passou a trabalhar para reduzir a cobrança pessoal.
Contratado em fevereiro de 2025 por 25,5 milhões de euros, valor equivalente a cerca de R$ 154 milhões na época, o atacante chegou ao clube cercado por expectativa. Na visão do próprio atleta, o suporte psicológico foi importante para atravessar o primeiro período de jejum e administrar as provocações de torcedores e adversários.
Roque também explicou que mantém uma equipe particular de scouts, responsável por analisar seus lances e estudar os zagueiros enfrentados. O trabalho inclui a identificação das características, dos pontos fortes e das limitações de cada defensor. Para o atacante, esse recurso complementa a preparação feita no Palmeiras.
O desafio de Abel Ferreira é reintegrar ao time um jogador que foi decisivo na temporada anterior, mas que ainda busca continuidade depois da cirurgia. O Palmeiras conta com Vitor Roque para a reta mais exigente do calendário, que inclui a disputa pela liderança do Brasileirão e as quartas de final da Copa do Brasil e da Libertadores.
A cobrança pública do treinador expôs uma preocupação já percebida internamente: recuperar a forma física e a confiança do camisa 9 é necessário para que ele volte a participar mais das ações ofensivas. Até aqui, a comissão técnica tem administrado sua minutagem, enquanto o atacante tenta transformar a sequência de treinamentos em regularidade durante os jogos.