Raphael Veiga terminou o clássico entre América e Cruz Azul no centro das atenções por motivos que foram além do futebol. Nos acréscimos do primeiro tempo, quando sua equipe já perdia por 3 a 0, o meia brasileiro chutou a bola na direção de Agustín Palavecino, que estava caído perto da linha lateral. O gesto provocou uma reação imediata dos jogadores adversários e desencadeou uma confusão generalizada no gramado.
A partida foi disputada no sábado (12), pela oitava rodada do Torneio Apertura do Campeonato Mexicano. Palavecino havia caído depois de uma jogada que também envolveu Kevin Álvarez e Veiga. Com o atleta do Cruz Azul ainda no chão, o brasileiro acertou a bola em sua direção. Charly Rodríguez correu para confrontá-lo, e os dois se chocaram antes que outros jogadores se aproximassem.
O episódio ganhou proporções maiores quando atletas reservas e integrantes dos bancos entraram no campo. Houve empurrões, discussões e tentativas de separar os envolvidos. Ramón Juárez e Nicolás Ibáñez também apareceram em um confronto físico, contido pelos companheiros. Apesar da dimensão do tumulto, a arbitragem não mostrou cartão vermelho.
Veiga e Alan Cervantes foram advertidos pelo América. Do lado do Cruz Azul, Ibáñez e Jesús Orozco Chiquete receberam cartão amarelo. O lance que envolveu o brasileiro não foi levado ao monitor do VAR, conforme relatado pelo Bahia Notícias. Veiga permaneceu em campo no segundo tempo e continuou normalmente na partida.
A confusão ocorreu em uma etapa inicial dominada pelo Cruz Azul. Erik Lira marcou aos 19 minutos e colocou o time da casa em vantagem. José Paradela ampliou aos 35, e Orozco Chiquete fez o terceiro aos 45. Antes do intervalo, o Cruz Azul ainda desperdiçou uma cobrança de pênalti, mas chegou ao descanso com uma vantagem que indicava um clássico praticamente controlado.
O América voltou do intervalo com postura mais ofensiva e diminuiu aos oito minutos, com Brian Rodríguez. A equipe visitante, entretanto, voltou a sofrer um golpe aos 27, quando Gabriel Fernández marcou o quarto gol do Cruz Azul. O placar retomou uma diferença confortável justamente quando o América tentava transformar a pressão em reação efetiva.
A resposta definitiva do time de Veiga só apareceu na reta final. Óscar Perea marcou aos 44 minutos, e Miguel Borja balançou as redes no minuto seguinte, deixando o placar em 4 a 3. O América passou a ter a possibilidade de buscar o empate nos instantes derradeiros, mas não conseguiu concluir a reação. O resultado encerrou a invencibilidade da equipe no Torneio Apertura.
O placar final também deu ao confronto um roteiro incomum: o Cruz Azul construiu uma vantagem de quatro gols em diferentes momentos, enquanto o América reduziu a diferença para apenas um gol antes do apito final. A recuperação, porém, não apagou os problemas apresentados no primeiro tempo nem evitou a primeira derrota da campanha no campeonato, segundo as informações reunidas pelos veículos que relataram a partida.
Passagem pelo América pode definir futuro no Palmeiras
Veiga defende o América desde o começo da temporada de 2026. O meio-campista de 31 anos foi cedido pelo Palmeiras até dezembro, em contrato que prevê opção de compra para o clube mexicano. Antes da transferência, ele renovou o vínculo com a equipe paulista até o fim de 2028.
O acordo mantém o futuro do jogador ligado ao Palmeiras mesmo durante sua experiência na Liga MX. Ao término do empréstimo, o América poderá decidir se pretende exercer a opção prevista no contrato. Assim, a passagem de Veiga pelo futebol mexicano não representa apenas uma mudança temporária de clube, mas também um período relevante para a definição de seus próximos passos profissionais.
Antes de deixar o Palmeiras, o meia acumulou 378 partidas e 109 gols pelo clube, de acordo com os dados publicados pelo Bahia Notícias. Entre as conquistas de sua trajetória estão as edições da Copa Libertadores de 2020 e 2021. No América, ele divide o elenco com o também brasileiro Miguel Borja, autor do terceiro gol da equipe no clássico contra o Cruz Azul.
O duelo de sábado foi mais um episódio de tensão envolvendo Veiga em sua primeira temporada no futebol mexicano. Em agosto, após o empate por 1 a 1 com o Austin FC pela Leagues Cup, o brasileiro discutiu com o técnico Guillermo Almada. O treinador havia questionado uma cobrança de escanteio executada pelo meia no último lance do tempo regulamentar, e os dois trocaram palavras depois do apito final.
Os dois episódios tiveram características diferentes, mas colocaram Veiga no foco das atenções em um curto intervalo. Contra o Austin FC, o conflito ocorreu após a partida e envolveu uma cobrança feita pelo treinador. Diante do Cruz Azul, a tensão surgiu durante o jogo, terminou com cartões amarelos para quatro atletas e envolveu jogadores dos dois bancos. Em nenhum dos casos o brasileiro foi expulso.
Dentro de campo, o América deixou o clássico com a frustração de ter reagido após um primeiro tempo muito ruim, mas sem transformar a pressão final em empate. Para Veiga, a partida combinou participação em uma derrota importante, advertência disciplinar e nova exposição em um momento de adaptação ao futebol mexicano. O Cruz Azul, por outro lado, sustentou a vantagem construída antes do intervalo e venceu o Clásico Joven por 4 a 3.