Vitor Roque deixou o campo do Nubank Parque sem marcar, mas saiu da vitória do Palmeiras por 1 a 0 sobre a LDU com sinais importantes de reação. Pela ida das quartas de final da Libertadores, o atacante voltou a ser titular, participou diretamente do gol de Giay e apresentou uma atuação mais próxima das características que o fizeram ganhar espaço no clube.
A resposta veio em um momento de pressão. O camisa 9 havia perdido posição e começado dois jogos consecutivos no banco de reservas. Na semana anterior, Abel Ferreira cobrara uma mudança de postura, incluindo a recuperação da alegria e da linguagem corporal nos treinamentos e nas partidas. Contra os equatorianos, porém, Roque mostrou mais presença física e ofensiva, além de receber elogios públicos do treinador.
“Vimos um Vitor Roque muito melhor, já muito mais parecido com as características dele”, avaliou Abel após o confronto. Em outra declaração, o técnico afirmou que foi positivo voltar a ver o atacante atuando como a equipe o conhecia e ressaltou que ainda existe margem para evolução.
Participação no gol muda leitura sobre atuação
O lance decisivo ocorreu ainda durante a construção da vantagem palmeirense. Roque recuperou a bola, avançou e finalizou. O goleiro Domínguez defendeu parcialmente, mas não conseguiu evitar o rebote. Giay apareceu para completar a jogada e marcar o único gol da partida.
Embora o centroavante não tenha colocado a bola na rede, a sequência evidenciou uma participação mais ativa. Ele terminou o duelo com quatro finalizações, empatado com Jhon Arias como o jogador que mais tentou concluir a gol. Também registrou dois desarmes e sofreu sete faltas, a maior quantidade entre os atletas envolvidos no encontro.
Os números ajudam a dimensionar a atuação. Roque não se limitou a esperar oportunidades dentro da área e conseguiu se envolver em disputas, pressionar os adversários e criar a jogada que definiu o resultado. A imposição física, apontada como uma das marcas de seu futebol, apareceu com mais frequência justamente em uma partida de alta exigência pela Libertadores.
O desempenho não elimina a necessidade de regularidade, mas interrompe uma sequência individual de baixa produção. Considerando seus últimos 18 jogos pelo Palmeiras, o atacante havia marcado apenas uma vez, em cobrança de pênalti contra o Vasco. Por isso, a participação no gol contra a LDU ganhou relevância mesmo sem alterar a estatística de gols.
Problemas físicos afetaram retomada do atacante
A oscilação de Roque também está ligada ao processo de recuperação física vivido ao longo da temporada. Na reta final do Campeonato Paulista, o jogador atuou com dores no tornozelo e sofreu uma lesão ligamentar provocada por trauma. Depois de aproximadamente um mês afastado, voltou a jogar, recebeu outra pancada no mesmo local e, posteriormente, precisou passar por cirurgia.
Desde o retorno aos gramados após a pausa para a Copa, o atacante disputou 14 partidas e marcou uma vez, segundo o levantamento apresentado pelas fontes da apuração. O período de readaptação coincidiu com a cobrança por maior rendimento ofensivo e com a disputa por espaço dentro do elenco palmeirense.
Abel Ferreira, contudo, ponderou que a liberação médica não representa a recuperação imediata do melhor desempenho. Na avaliação do treinador, jogadores que passaram por cirurgia precisam reconstruir gradualmente o ritmo competitivo. O técnico relacionou esse processo à fisiologia e às exigências de performance posteriores a uma operação.
“Ninguém chega de um dia para outro, mesmo já recuperado, e pega o ritmo competitivo com um ou dois jogos. Isso é impossível”, explicou Abel. Para ele, o atacante ainda precisa equilibrar a evolução física com a confiança e a regularidade necessárias para voltar ao nível apresentado antes dos problemas.
Vitor Roque recebeu as cobranças sem tratar o episódio como conflito. Depois da vitória, disse que encarou as críticas de maneira positiva e como parte do futebol. Também afirmou que pretende continuar trabalhando com humildade e melhorar o entrosamento com os companheiros.
“Recebi bem. Faz parte do futebol. Agora é continuar trabalhando com muita humildade nos treinos e entrosando cada vez mais com a equipe”, declarou o atacante.
Palmeiras mantém três competições no calendário
A recuperação individual acontece enquanto o Palmeiras administra um calendário com Campeonato Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil. Abel destacou que o elenco tem um setor ofensivo jovem e a possibilidade de atuar com dois centroavantes declarados, alternativa que aumenta as opções táticas, mas também exige adaptação e consistência dos jogadores.
O treinador evitou prometer a conquista de troféus para o restante da temporada. Em vez de assegurar títulos, afirmou que o Palmeiras continuará trabalhando para competir e lutar pelas taças até o fim. A declaração reforça a ideia de que a equipe ainda precisa transformar suas possibilidades em desempenho sustentado nas três frentes.
A vantagem construída contra a LDU dá ao time paulista a possibilidade de avançar com um empate no jogo de volta. A partida será disputada em 16 de setembro, no Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito. Antes da viagem para o Equador, o Palmeiras enfrenta o São Paulo pelo Campeonato Brasileiro, no sábado, dia 12, novamente no Nubank Parque.
Os próximos compromissos podem definir o tamanho da reação de Roque. O atacante voltou a ser influente em um jogo decisivo, respondeu às cobranças com intensidade e recebeu o reconhecimento do técnico. O desafio passa a ser repetir esse nível em sequência, recuperar espaço de forma mais estável e transformar a melhora contra a LDU em uma retomada consistente no Palmeiras.