Casagrande questiona Palmeiras pelo aval médico de Paulinho
Colunista afirma que o clube deve explicar a contratação do atacante, que ainda fazia fisioterapia e voltou a enfrentar problemas físicos após chegar ao Palmeiras.
A situação física de Paulinho provocou uma nova cobrança sobre o Palmeiras. Em coluna publicada no UOL, Walter Casagrande Jr. defendeu que a presidente Leila Pereira busque explicações para o aval médico que permitiu a contratação do atacante, em vez de concentrar sua defesa pública no jogador.
Na avaliação do ex-jogador, Paulinho não cometeu qualquer erro ao aceitar a transferência enquanto ainda se recuperava de um problema físico. A responsabilidade, segundo a opinião apresentada, estaria no processo de análise clínica e na decisão de concluir o negócio antes de o atleta demonstrar que estava plenamente recuperado.
Paulinho é descrito como um jogador de qualidade técnica e capaz de elevar o nível ofensivo do Palmeiras quando está em condições de atuar. A versatilidade é um dos principais argumentos: ele pode jogar aberto pela direita ou pela esquerda, atuar centralizado e também formar dupla de ataque em um esquema com dois homens na frente.
Casagrande não o classifica como um camisa 10 tradicional, responsável pela criação desde uma posição mais recuada. A característica destacada é outra: a de um atacante agressivo, com presença na área e capacidade de participar diretamente da produção de gols. Por isso, o colunista considera que a contratação tinha potencial para aumentar a força ofensiva palmeirense.
A crítica se concentra no estado clínico de Paulinho no momento da transferência. O atacante ainda estava em processo de fisioterapia quando foi contratado, de acordo com o texto publicado. Em julho de 2025, precisou passar por uma nova cirurgia, depois de já ter sido submetido a um primeiro procedimento durante o período em que defendia o Atlético-MG.
A necessidade de repetir a operação teria surpreendido Leila Pereira. Conforme a coluna, a presidente havia afirmado que acreditava que a cirurgia realizada no clube mineiro tinha sido bem-sucedida. Essa informação é usada por Casagrande para questionar quais dados foram repassados à dirigente e como o departamento médico do Palmeiras interpretou a condição do atleta.
O colunista também questiona a possibilidade de os exames realizados antes da contratação terem identificado alguma alteração. A ressonância magnética, na avaliação apresentada por ele, teria condições de apontar problemas que ainda não estivessem totalmente resolvidos. Nesse caso, a discussão passaria a ser sobre a interpretação do resultado: o exame poderia ter mostrado uma condição incompleta, mas o clube talvez tenha entendido que ela não impediria a conclusão do negócio.
Para Casagrande, a sequência posterior de afastamentos indica que essa avaliação não foi acertada. A coluna sustenta que o atacante tem encontrado dificuldades para atuar por períodos prolongados: recupera-se, retorna aos treinamentos ou aos jogos e, depois de pouco tempo, volta a enfrentar uma lesão muscular ou outro problema físico.
O questionamento, portanto, não é apresentado como uma acusação contra o comportamento de Paulinho. O foco está em quem considerou aceitável contratar um atleta que ainda não havia concluído sua recuperação. A cobrança envolve a transparência do processo, os exames utilizados e o critério adotado para definir que o jogador poderia ser incorporado ao elenco.
Alternativas discutidas antes do acordo
Na opinião publicada, havia alternativas para reduzir o risco esportivo da operação. Uma delas seria aguardar a evolução de Paulinho no Atlético-MG e observar seu retorno aos gramados antes de finalizar a transferência para o Palmeiras.
Outra possibilidade mencionada seria estabelecer uma prioridade de compra. Dessa forma, o clube poderia manter a preferência pelo atacante e acompanhar sua recuperação antes de assumir definitivamente o compromisso. A sugestão aparece como uma forma de separar o interesse pela qualidade do jogador da decisão de contratá-lo enquanto ainda fazia fisioterapia.
Casagrande considera que a capacidade técnica de Paulinho justificava o interesse palmeirense, mas não eliminava a necessidade de uma avaliação física criteriosa. Para o colunista, o potencial de rendimento do atleta e o risco clínico eram questões diferentes, que deveriam ter sido analisadas antes da conclusão do negócio.
Baixa sequência aparece nos números
Os números citados na coluna ajudam a mostrar o impacto da falta de continuidade. Em 2025, Paulinho disputou 16 partidas, marcou três gols e deu duas assistências. Em 2026, até o recorte utilizado no texto, foram nove jogos e dois gols.
O registro não é apresentado como uma medida isolada da qualidade do atacante, mas como reflexo da dificuldade de mantê-lo disponível. Um jogador com capacidade para atuar em várias funções ofensivas precisa de sequência para consolidar sua participação e entregar regularidade. As interrupções físicas, na avaliação de Casagrande, têm impedido que Paulinho alcance esse cenário no Palmeiras.
A coluna também afirma que o atacante estava novamente afastado por um período prolongado e sem uma previsão definida de retorno no momento da publicação. O receio manifestado é que uma nova lesão ocorra quando ele voltar a jogar, repetindo o ciclo de recuperação, retorno e novo afastamento.
O investimento elevado e a remuneração considerada alta aparecem como agravantes da discussão, mas não como justificativa para responsabilizar o atleta. A conclusão apresentada por Casagrande é que o Palmeiras precisa esclarecer como a avaliação foi feita, quais informações embasaram a decisão e quem autorizou a contratação de Paulinho naquele estágio de recuperação. Até o material utilizado nesta reportagem, trata-se da opinião do colunista, sem registro de reconhecimento público do clube sobre eventual erro no procedimento.