O Fluminense enfrenta o Platense nesta terça-feira, às 19h (de Brasília), no estádio Ciudad de Vicente López, em Buenos Aires, pela partida de volta das quartas de final da Libertadores. A equipe brasileira venceu o primeiro duelo por 2 a 0 e entra em campo com a possibilidade de perder por um gol de diferença sem deixar a competição.
Para conduzir o time em uma noite decisiva, Marcão conta com a experiência de Thiago Silva, capitão e zagueiro do Fluminense. A relação entre os dois começou quando ainda eram companheiros de equipe e continuou mesmo depois de o defensor deixar o clube. Agora, a convivência profissional foi retomada em uma função diferente: o jogador contribui com sua leitura do jogo, enquanto Marcão lidera a comissão técnica.
Em entrevista exclusiva ao ge, Marcão afirmou que conversa com Thiago Silva praticamente todos os dias sobre futebol. O treinador contou que esse hábito existia antes mesmo do retorno do zagueiro ao Fluminense e se tornou ainda mais útil com os dois trabalhando juntos no clube.
Marcão ressaltou que Thiago consegue observar o jogo de forma ampla mesmo estando em campo. Por isso, o técnico procura aproveitar a percepção do capitão para aperfeiçoar o trabalho e compreender melhor as situações enfrentadas pela equipe. A proximidade, segundo ele, é natural e foi construída ao longo de anos de amizade.
O treinador também tratou a parceria com humor. Ao comentar a possibilidade de o zagueiro exagerar nos palpites, disse que brincaria com o amigo e pediria que ele se contivesse, chamando-o de “juvenil”. A fala ilustra o ambiente de confiança entre os dois, mas a contribuição de Thiago vai além da relação pessoal: sua experiência é considerada um recurso importante em uma partida eliminatória fora de casa.
A influência do capitão aparece em um Fluminense que tenta confirmar a recuperação na temporada. Marcão assumiu o comando há cerca de um mês, depois da saída de Zubeldía, e identificou a necessidade de ajustar o comportamento coletivo às características do elenco disponível.
Uma das principais mudanças foi aproximar as linhas e formar um bloco mais compacto. Em vez de exigir que os principais jogadores ofensivos acompanhem individualmente todos os adversários, a equipe passou a buscar maior organização por setores, com os atletas próximos para pressionar e oferecer cobertura.
O modelo inclui Ganso, Hulk e Soteldo no esforço de marcação. A intenção é reduzir os espaços entre defesa, meio-campo e ataque, permitindo que os jogadores se ajudem quando o Fluminense perde a bola. Com as linhas encurtadas, o time também procura recuperar a posse em condições melhores para iniciar os ataques.
Marcão citou o gol marcado no jogo de ida contra o Platense como exemplo da ideia. Na jogada, Paulo, Hulk e um volante participaram da pressão, que terminou com a finalização do meio-campista. O lance serviu para mostrar a aplicação do comportamento treinado pela comissão técnica.
Hulk e Ganso lideram reação tricolor
A mudança aconteceu depois de uma sequência de oito partidas sem vitória. Desde então, o Fluminense conseguiu interromper a fase negativa e passou a contar com atuações mais influentes de jogadores experientes. Hulk se tornou o principal goleador do período, enquanto Ganso recuperou importância na criação e no controle do meio-campo.
Marcão avaliou que os dois estão acostumados a atuar sob pressão e têm histórico de protagonismo nos clubes por onde passaram. O técnico também afirmou que Hulk identificou a necessidade de adaptar sua participação para que a equipe tivesse mais controle das partidas. A reorganização, portanto, não se limitou à marcação: também buscou aproveitar melhor os recursos técnicos do ataque.
Ganso, Hulk e Soteldo continuam tendo responsabilidades ofensivas, mas a proposta é evitar que fiquem isolados quando o Fluminense não tem a bola. A proximidade entre eles e os demais setores pode favorecer tanto a pressão após a perda quanto a circulação da bola na saída para o ataque.
Marcão divide responsabilidade pelo momento
O atual treinador também falou sobre o período anterior e assumiu responsabilidade como auxiliar permanente do Fluminense. Marcão lamentou não ter conseguido ajudar mais a comissão de Zubeldía, embora tenha reconhecido o aprendizado obtido durante o trabalho com o técnico argentino e seus auxiliares.
Segundo Marcão, Zubeldía mantém uma relação de amizade com ele e telefonou para parabenizá-lo pelo momento vivido pelo Fluminense. A declaração reforça que a transição para o comando não apagou a ligação construída durante a passagem da comissão anterior pelo clube.
Com a vantagem de dois gols, o Fluminense precisa administrar o resultado sem abandonar a organização que permitiu a evolução recente. Uma vitória, um empate ou uma derrota por um gol garante a classificação para a semifinal. Se o Platense vencer por dois gols de diferença, a vaga será decidida nos pênaltis. A combinação entre a liderança de Thiago Silva, a participação de Hulk e Ganso e a compactação trabalhada por Marcão será testada no confronto em Buenos Aires.