O Fluminense enfrenta o Platense nesta terça-feira, às 19h (de Brasília), no estádio Ciudad de Vicente López, em Buenos Aires, pela partida de volta das quartas de final da Libertadores. A equipe brasileira chega ao confronto com uma vantagem construída no Maracanã, mas também precisa administrar uma preocupação que pode afetar a sequência da campanha: quatro jogadores estão pendurados com dois cartões amarelos.
Guga, Hércules, Lucho Acosta e Rodrigo Castillo serão suspensos automaticamente no primeiro jogo da semifinal caso recebam uma nova advertência. O regulamento da competição prevê que os cartões acumulados sejam zerados somente a partir da semifinal. Assim, uma eventual classificação acompanhada de um terceiro amarelo deixaria o Fluminense sem um desses atletas na abertura da próxima fase.
O Fluminense venceu o jogo de ida por 2 a 0, com gols de Nonato e Hulk. Por isso, avança no tempo normal com qualquer empate ou até com uma derrota por um gol de diferença. Se o Platense vencer por dois gols, a vaga será decidida nos pênaltis. Uma vitória argentina por três ou mais gols elimina o time brasileiro.
A vantagem permite que o Tricolor adote uma postura menos exposta, mas não transforma a partida em um compromisso sem riscos. O Platense terá o apoio da torcida em sua casa e precisa buscar o resultado desde o início. Para o Fluminense, o desafio será evitar que a pressão argentina transforme o duelo em uma sequência de ataques e contra-ataques.
O aspecto disciplinar também exige cuidado. Guga e Hércules aparecem com frequência entre os titulares de Marcão, enquanto Lucho Acosta tenta ampliar sua participação na equipe e Rodrigo Castillo recebeu novas oportunidades no setor ofensivo. O argentino marcou o gol do Fluminense na derrota por 3 a 1 para o Atlético-MG, no sábado, resultado que aumentou a exigência física sobre o elenco antes da viagem.
A comissão técnica terá de equilibrar a proteção do placar agregado com a necessidade de manter o time competitivo. Evitar cartões não significa retirar intensidade das disputas, mas a situação pode influenciar substituições e escolhas durante o jogo, principalmente se a vantagem permanecer favorável ao Fluminense.
Marcão quer corrigir queda de rendimento
Na partida no Maracanã, o Fluminense teve um primeiro tempo dominante e conseguiu abrir dois gols de vantagem. Depois do intervalo, porém, o time perdeu intensidade e permitiu que o Platense pressionasse. Marcão reconheceu que a equipe deixou de controlar o ritmo e passou a viver uma partida mais aberta do que o planejado.
O treinador afirmou que o time precisa entender o que aconteceu na etapa final para corrigir o comportamento na Argentina. A intenção é manter as linhas próximas, circular a bola e escolher melhor os momentos de acelerar, sem permitir que o adversário assuma o controle por longos períodos.
O desempenho de Paulo Henrique Ganso foi um dos pontos positivos do primeiro encontro. O meia participou da construção dos dois gols, ajudou na organização ofensiva e também colaborou na recuperação da bola. Marcão o classificou como decisivo e explicou que sua saída no começo do segundo tempo esteve relacionada ao desgaste acumulado no clássico contra o Vasco, disputado no fim de semana.
A substituição coincidiu com a queda de rendimento do Fluminense. Para a volta, a comissão técnica terá de encontrar uma maneira de preservar a capacidade de controle mesmo que Ganso não permaneça em campo durante os 90 minutos. Lucho Acosta é visto como uma alternativa para oferecer aceleração e um jogo mais direto, características diferentes das apresentadas pelo camisa 10.
Elenco chega ao duelo sob avaliação física
O intervalo curto entre os compromissos é outro fator do planejamento tricolor. Marcão disse que Thiago não enfrentou o Vasco por causa de um desconforto e que a comissão preferiu não assumir riscos. Depois do primeiro jogo contra o Platense, o Fluminense também perdeu Ignácio, enquanto Martinelli sentiu um problema durante a partida.
As condições dos atletas seriam avaliadas pela fisiologia antes da definição das opções para o confronto em Buenos Aires. A sequência reúne um jogo do Campeonato Brasileiro no sábado e a decisão continental na terça-feira, reduzindo o tempo disponível para recuperação. O desgaste, portanto, pode interferir tanto na escalação quanto na utilização dos reservas.
Marcão também destacou a importância de Hulk para o funcionamento coletivo. Na avaliação do técnico, o atacante ajuda os companheiros em momentos decisivos, participa do jogo apoiado, aproxima as linhas e ataca os espaços quando a equipe encontra condições para avançar. Essa participação foi considerada relevante para que o Fluminense mantenha compactação e não fique limitado a defender a vantagem.
Soteldo, Savarino, Riquelme e Júlio aparecem entre as alternativas citadas pelo treinador para mudar o ritmo da equipe ao longo da partida. Marcão explicou que as escolhas dependem do comportamento do adversário e da necessidade de controlar ou acelerar o jogo. Contra o Platense, a capacidade de fazer essas mudanças pode ser importante caso o time argentino aumente a pressão.
Classificação mantém campanha continental
Se confirmar a vaga, o Fluminense chegará à semifinal da Libertadores e ficará entre os quatro últimos clubes da competição. A classificação também permitirá que a equipe siga na disputa pelo título continental, mas a eventual perda de um jogador pendurado já produziria uma consequência imediata na próxima fase.
Por isso, a decisão em Vicente López envolve duas administrações simultâneas: a do resultado e a do elenco. O Fluminense precisa proteger a vantagem obtida no Rio de Janeiro, controlar a pressão do Platense e, sempre que possível, terminar a partida sem novos cartões para manter o maior número de opções disponível na semifinal.