O Fluminense volta a campo nesta terça-feira para decidir com o Platense uma vaga nas semifinais da Libertadores de 2026. A equipe brasileira chega ao estádio Ciudad de Vicente López com a vantagem de 2 a 0 construída no Maracanã e precisa administrar uma situação favorável no confronto de volta. Um empate, uma vitória ou até uma derrota por um gol de diferença garante a classificação.
O time argentino, por outro lado, precisa vencer por três gols para avançar diretamente. Caso consiga apenas uma vitória por dois gols, a vaga será definida nos pênaltis. O resultado da ida transformou a partida no maior compromisso da história do Platense, clube que disputa a Libertadores pela primeira vez e alcançou as quartas de final em uma campanha que contrariou as expectativas desde o início.
Platense chegou longe ao contrariar a hierarquia
A trajetória continental do “Calamar” ganhou força depois de uma transformação importante no futebol doméstico. Em junho de 2025, o clube conquistou o Apertura argentino, seu primeiro título nacional, após passar por adversários tradicionais como Racing, River Plate e San Lorenzo. Na final, derrotou o Huracán por 1 a 0, com gol de Guido Mainero aos 18 minutos do segundo tempo.
A conquista foi construída por uma equipe de investimento modesto, mas reconhecida pela organização e pela competitividade. Sob o comando da dupla Favio Orsi e Sergio Gómez, o Platense passou a incomodar adversários de maior peso e consolidou uma identidade baseada na disciplina defensiva e em partidas equilibradas.
Na Libertadores, o clube terminou em segundo lugar no grupo liderado pelo Corinthians. Nas oitavas de final, eliminou o Coquimbo Unido nos pênaltis e avançou pela primeira vez a uma fase tão avançada da competição. O confronto com o Fluminense, campeão da América em 2023 e apontado como dono de um elenco tecnicamente superior, elevou o grau de dificuldade da campanha.
O Platense que disputa as quartas não é exatamente o mesmo time que venceu o Apertura. Orsi e Gómez deixaram o clube, e Walter Zunino foi demitido no início de agosto, depois de uma sequência ruim no Clausura e de uma goleada sofrida diante do Talleres.
Martín Palermo assumiu a equipe com contrato até 2028. Ídolo do Boca Juniors e ex-atacante de destaque no futebol argentino, o treinador já havia dirigido o Platense em 2023, quando levou o clube à final da Copa da Liga. Naquela decisão, a equipe perdeu por 1 a 0 para o Rosario Central.
Após retornar ao futebol argentino depois de comandar o Fortaleza, Palermo recebeu reforços especialmente para a disputa continental. O zagueiro Víctor Cuesta, que passou por Internacional e Botafogo, foi contratado para a defesa. O elenco também ganhou o uruguaio Nico López, ex-Internacional e Nacional, além de Gastón Togni, Luciano Giménez, Gonzalo Lencina e Bruno Sepúlveda.
Mainero e o goleiro Juan Pablo Cozzani, protagonistas da campanha do título nacional, permanecem no grupo. A equipe, porém, perdeu peças, mudou de treinador e não repete no Clausura a mesma regularidade que a levou ao troféu. O time ocupa a parte inferior de seu grupo no campeonato argentino e chega ao duelo continental após uma derrota por 2 a 1 para o Estudiantes, em La Plata.
Ambiente em Vicente López é aposta para a reação
A derrota no Maracanã expôs falhas defensivas incomuns para uma equipe conhecida por reduzir espaços e competir em jogos de baixa margem. Os dois gols sofridos em desatenções deixaram o Platense diante de uma exigência clara: será necessário marcar pelo menos três vezes para eliminar o adversário sem recorrer às penalidades.
O estádio Ciudad de Vicente López aparece como um dos principais argumentos do mandante. Com capacidade menor e arquibancadas próximas ao gramado, o local proporciona uma atmosfera diferente daquela encontrada no Maracanã. A expectativa é de que a torcida pressione desde os primeiros minutos e ajude o time a transformar o jogo em uma disputa de alta intensidade.
Palermo mantém a possibilidade de reação como discurso para o confronto. A estratégia do Platense deverá passar pela tentativa de acelerar a partida, explorar bolas paradas e aproveitar divididas próximas à área. Ainda assim, a desvantagem obriga o clube argentino a equilibrar agressividade e controle, já que um gol do Fluminense tornará a missão ainda mais difícil.
O planejamento da rodada anterior também mostrou a prioridade dada ao mata-mata. No sábado, Platense e Estudiantes utilizaram equipes com mudanças e o duelo foi tratado como secundário. Palermo preservou jogadores pensando na Libertadores, enquanto o Estudiantes fez o mesmo de olho no compromisso contra o Corinthians.
Fluminense tem margem para escolher o ritmo
O Fluminense inicia a decisão com uma vantagem que permite diferentes abordagens. A equipe não precisa se expor em busca de um novo resultado positivo e pode priorizar a proteção da área, a circulação de bola e o controle do relógio. Ao mesmo tempo, não poderá tratar a vantagem como classificação assegurada, porque uma derrota por dois gols levará a disputa para os pênaltis.
O primeiro gol terá peso decisivo no desenvolvimento da partida. Se for marcado pelo Fluminense, o Platense precisará fazer quatro para avançar diretamente. Se sair para o mandante, a equipe argentina terá de manter a pressão por mais tempo e sem sofrer outro golpe defensivo, condição essencial para sustentar a tentativa de virada.
O duelo reúne, portanto, duas situações opostas. O Fluminense defende uma vantagem construída no Rio de Janeiro e busca confirmar a condição de candidato à semifinal. O Platense tenta prolongar uma campanha histórica, mas precisa produzir a maior reação de sua trajetória internacional para continuar vivo na Libertadores.