O Fluminense perdeu por 3 a 1 para o Atlético-MG, neste sábado (12), na Arena MRV, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. A derrota encerrou a sequência de invencibilidade do time carioca na competição e foi construída a partir de uma mudança importante no segundo tempo: em poucos minutos, o Tricolor sofreu dois gols e perdeu o controle do confronto.
O primeiro lance decisivo ocorreu logo após uma série de substituições do Fluminense. Enquanto os jogadores ainda ajustavam o posicionamento, o Atlético-MG cobrou rapidamente um lateral e encontrou a defesa visitante desorganizada. Reinier aproveitou o espaço criado pela movimentação e finalizou para abrir o placar.
A jogada provocou protestos dos atletas tricolores, que questionaram a autorização para o reinício. Após a partida, Marcão relatou que os jogadores disseram não ter escutado o apito do árbitro. O treinador também afirmou ter conversado com o responsável pela arbitragem depois do apito final.
De acordo com o técnico, o árbitro sustentou que havia sinalizado o reinício da partida. Marcão não tratou a reclamação como uma conclusão definitiva e indicou que o episódio ainda seria analisado pela equipe para que a avaliação fosse feita com justiça.
“Nossos atletas alegaram que não escutaram o apito dele. Eu falei com ele depois do jogo e ele foi convicto de que apitou. Vamos ver depois do jogo para sermos justos”, declarou o treinador.
Marcão relacionou o momento do gol à tentativa de corrigir um problema que havia aparecido na volta do intervalo. Na avaliação do comandante, o Atlético-MG passou a ocupar mais o setor central e aumentou o volume ofensivo por dentro. Por isso, a comissão técnica decidiu colocar mais um jogador no meio-campo.
A alteração, porém, coincidiu com a cobrança rápida de lateral. Sem tempo para completar a reorganização, o Fluminense não conseguiu recompor a estrutura defensiva e permitiu que Reinier recebesse em condição favorável. O lance transformou uma partida equilibrada em um cenário de desvantagem para o time carioca.
Antes do intervalo, Marcão avaliou que o plano do Fluminense vinha sendo executado. O treinador descreveu a primeira etapa como organizada e afirmou que o jogo estava sob controle, sem que uma das equipes tivesse conseguido impor uma superioridade clara.
“O jogo estava igual, controlado. O primeiro tempo foi da maneira que a gente imaginou. Organizado. No segundo tempo, a equipe do Atlético-MG veio com um volume muito grande por dentro e aí pensamos em colocar mais um homem no meio. Foi justamente no momento da troca que saiu o gol”, explicou.
A dificuldade não ficou restrita à falha de comunicação sobre o reinício. Para Marcão, o Fluminense também teve problemas para conter a pressão atleticana nos minutos seguintes ao primeiro gol. A equipe ainda tentava assimilar a mudança no placar quando voltou a ser vazada, ampliando o impacto da sequência no planejamento da partida.
Dois gols mudaram o plano do jogo
O segundo gol do Atlético-MG saiu poucos minutos depois do primeiro. A sequência impediu que o Fluminense colocasse em prática a estratégia pensada para o meio-campo e obrigou a equipe a mudar sua postura. Em vez de buscar o controle com maior proteção no setor central, o time precisou se lançar ao ataque para tentar reduzir a diferença.
Essa necessidade de avançar alterou o equilíbrio do confronto. Com o adversário mais exposto e precisando buscar o resultado, o Atlético-MG passou a ter condições de administrar a vantagem e explorar os espaços deixados pelo Fluminense. Na leitura do treinador, os minutos entre os gols foram determinantes para a perda de competitividade da equipe.
“Cinco minutos praticamente decidiram nosso plano de jogo. Depois tivemos que repensar para tentar diminuir o volume e o placar. Foi justamente quando sofremos os dois gols seguidos que tiraram a gente da partida”, afirmou Marcão.
Depois de Reinier abrir o placar, o Atlético-MG marcou novamente na sequência e chegou ao terceiro gol com Vitão. O Fluminense conseguiu descontar apenas nos minutos finais, quando Rodrigo Castillo balançou as redes. O gol manteve a tentativa de reação, mas ocorreu tarde demais para recolocar o time carioca na disputa pelo resultado.
O placar final reuniu diferentes problemas apontados pelo treinador: a dúvida dos jogadores sobre o apito, a dificuldade para recompor a formação durante a substituição e o crescimento do Atlético-MG pelo centro do campo. A reclamação sobre a arbitragem esteve ligada ao primeiro gol, mas a avaliação de Marcão também reconheceu que o adversário aumentou a intensidade e aproveitou a desorganização tricolor.
Com a derrota, o Fluminense viu terminar sua invencibilidade no Campeonato Brasileiro em uma partida que, até o intervalo, vinha sendo considerada equilibrada pelo próprio técnico. O lateral cobrado rapidamente abriu a sequência decisiva, e os dois gols sofridos em intervalo curto fizeram o time abandonar o plano inicial antes do desconto de Rodrigo Castillo.