Internacional enfrenta restrições de registro por três janelas devido a dívidas não quitadas.Foto: Reprodução da Internet
O Internacional recebeu o terceiro transfer ban da Fifa por dívidas relacionadas a contratações. A punição mais recente surgiu após a cobrança do Dansoman Wise, de Gana, pelo atraso no pagamento da compra do volante Benjamin. A sanção já aparece no registro da entidade e restringe o registro de novos jogadores por três janelas de transferências ou até a quitação do débito.
O caso transforma uma pendência financeira específica em um problema de planejamento para o Colorado. A janela está fechada, portanto o elenco que já possui registro pode continuar sendo utilizado normalmente. A restrição não impede o clube de escalar seus atletas nem altera a participação nas partidas atuais, mas poderá bloquear reforços quando o mercado for reaberto.
NOTAS DA TORCIDA
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Benjamin, de 20 anos, chegou ao Internacional inicialmente por empréstimo. Em fevereiro de 2025, o clube gaúcho acertou a aquisição de 50% dos direitos econômicos do volante por 140 mil euros. O valor foi dividido em oito parcelas de 17,5 mil euros, conforme o acordo firmado com o Dansoman Wise.
As fontes consultadas convergem ao apontar que somente a primeira prestação foi paga. O clube ganês afirma que as parcelas seguintes deixaram de ser quitadas dentro do cronograma e, por isso, levou a cobrança à Fifa. O pagamento inicial ocorreu em abril de 2025, enquanto os vencimentos de junho e outubro daquele ano, além de fevereiro e junho de 2026, foram apontados como pendentes em uma das apurações.
Existe, porém, uma diferença no número de parcelas consideradas vencidas. O Dansoman Wise e uma reportagem apontam quatro prestações em atraso, enquanto outra publicação informa cinco parcelas não pagas. A dívida atual foi estimada em aproximadamente 70 mil euros, embora também tenha sido divulgado um valor superior a R$ 500 mil em outra conversão. O ponto comum entre os relatos é a existência da cobrança e a aplicação da sanção.
O transfer ban funciona como uma proibição de registrar novos atletas. Assim, o Internacional não precisa desfazer contratações já inscritas e tampouco perde o direito de utilizar jogadores que fazem parte do elenco atual. O efeito esportivo está concentrado nas próximas janelas: se a pendência permanecer aberta, o clube ficará sem registrar reforços durante o período determinado pela Fifa.
A punição pode ser retirada antes do cumprimento das três janelas caso o débito seja regularizado. Para isso, o Inter precisa resolver a obrigação com o Dansoman Wise, além de cumprir os procedimentos necessários para que a entidade reconheça a solução do caso. Enquanto a situação não for alterada, a restrição permanece ativa no sistema da Fifa.
O novo processo não é isolado. Antes da cobrança referente a Benjamin, o Internacional já havia sofrido outras duas punições pelo mesmo tipo de problema: uma ligada ao zagueiro Juninho e outra relacionada ao lateral-esquerdo Ramon.
Casos de Juninho e Ramon permanecem no passivo
Juninho foi contratado junto ao Midtjylland, da Dinamarca. A pendência atribuída à negociação envolve aproximadamente 1,5 milhão de euros, valor estimado em cerca de R$ 8,4 milhões. Esse foi um dos negócios que resultaram em restrição ao registro de jogadores e passou a integrar o conjunto de obrigações que o clube precisa administrar.
A segunda punição anterior envolve Ramon, adquirido do Olympiacos, da Grécia, por cerca de R$ 9 milhões. O lateral-esquerdo não está mais no Beira-Rio e foi repassado ao Vitória, mas a saída do atleta não encerrou a obrigação financeira criada na transferência. A dívida permanece vinculada ao Internacional, independentemente do destino esportivo do jogador.
Com Benjamin, Juninho e Ramon, o clube passou a acumular três transfer bans aplicados pela Fifa. Em todos os casos, a consequência central é semelhante: o Colorado fica impedido de registrar novos atletas até que as pendências sejam resolvidas ou que se encerre o período da punição. A medida reduz a capacidade de reação do clube no mercado e pode dificultar a reposição de peças.
Outros processos aumentam a preocupação
O cenário pode se tornar mais amplo. Além dos três casos que já produziram sanções, o Internacional tem outros quatro processos em andamento que, segundo as informações divulgadas, também podem resultar em novos transfer bans. Não há confirmação de que essas ações já tenham gerado novas proibições, mas elas representam risco adicional para o planejamento financeiro e esportivo.
O clube também enfrenta uma frente na esfera nacional. O Internacional sofreu um bloqueio preventivo relacionado a um procedimento conduzido pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, a Anresf, no âmbito da Câmara Nacional de Resolução de Disputas, a CNRD.
A medida está associada ao chamado Evento de Insolvência solicitado pelo próprio clube em setembro. A iniciativa prevê a organização de um plano coletivo para o pagamento de obrigações. O valor inicial informado pelo Inter para esse procedimento foi de R$ 31 milhões.
As informações disponíveis não indicam que esse procedimento nacional tenha produzido, até o momento, uma nova punição equivalente às sanções aplicadas pela Fifa. Ainda assim, o caso mostra que as pendências não estão limitadas a uma única negociação internacional e que a direção precisa lidar com diferentes frentes de cobrança.
Inter precisa regularizar débitos antes do mercado
A nova punição chega em uma reta decisiva da temporada, enquanto o Internacional também busca se afastar da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. O desempenho dentro de campo continua sendo a prioridade imediata, mas a situação financeira interfere diretamente na preparação do elenco para a sequência do calendário.
Na prática, a direção colorada terá de conciliar a busca por resultados com a regularização das dívidas que originaram as restrições. O débito com o Dansoman Wise é o episódio mais recente, mas a liberação do mercado depende da solução dos processos que mantêm os bloqueios ativos.
Até que haja uma atualização oficial sobre os pagamentos e a retirada das sanções, o Internacional seguirá autorizado a competir com o grupo já registrado, mas limitado para contratar. A permanência das pendências nas próximas janelas poderá obrigar o clube a trabalhar com alternativas internas e com os atletas que já estiverem vinculados ao elenco.