Bruno Henrique lidera a disputa para substituir Villagra no meio-campo contra o Botafogo.Foto: Reprodução da Internet
O Internacional terá de modificar o meio-campo para enfrentar o Botafogo no próximo sábado (24), às 16h30, no Beira-Rio. Villagra está suspenso pelo terceiro cartão amarelo e não poderá participar do confronto. A ausência interfere diretamente em um setor importante para a marcação e para a pressão sobre a saída de bola adversária.
Eduardo Baptista trabalha com três alternativas para preencher a vaga: Bruno Henrique, Paulinho e Ronaldo. A definição ainda depende dos últimos treinamentos da semana, mas Bruno Henrique aparece como o principal candidato a iniciar a partida. A escolha não representa apenas uma troca de jogador, já que cada opção oferece características diferentes para a composição do setor.
Bruno Henrique larga na frente pela experiência
A possibilidade mais provável é a entrada de Bruno Henrique, com Thiago Maia assumindo uma função mais recuada, à frente da linha defensiva. Nesse cenário, o experiente volante teria maior participação na saída de bola e na organização das jogadas, enquanto Thiago Maia ficaria mais concentrado na proteção da defesa.
O volume de utilização ao longo da temporada é um dos fatores que favorecem Bruno Henrique. Ele disputou 38 partidas em 2026, mais do que os outros concorrentes considerados para a posição. O volante também oferece qualidade no passe, movimentação e capacidade de avançar para participar da construção ofensiva.
Apesar da vantagem na disputa, há uma preocupação relacionada à capacidade de sustentar o ritmo durante os 90 minutos. Bruno Henrique completou uma partida apenas duas vezes nesta temporada. A participação mais recente em um jogo inteiro ocorreu na derrota para o Bahia, em agosto. A comissão técnica, portanto, precisa avaliar não apenas o desempenho técnico, mas também a condição física do jogador para um duelo que pode exigir intensidade no meio.
O possível retorno de Alan Patrick e de Maripán também pode influenciar a montagem da equipe. A presença de jogadores mais experientes ajudaria na organização colorada, mas a comissão terá de preservar a velocidade da recomposição, uma das características associadas à atuação de Villagra.
Ronaldo se aproxima mais do perfil de Villagra
Ronaldo é a alternativa que mais se aproxima do argentino quando a comparação considera a intensidade física. Conforme os dados apresentados pelo SofaScore, o volante percorre, em média, 10,9 quilômetros por partida no Campeonato Brasileiro. O índice sugere uma opção capaz de manter parte da dinâmica de cobertura e movimentação exigida no setor.
O passe também aparece como um ponto favorável. Ronaldo registra 91% de precisão, o melhor índice entre os três jogadores que disputam a vaga. No entanto, a falta de sequência recente pesa contra sua escolha. Desde a retomada do campeonato, ele participou de seis partidas e começou somente duas como titular.
Essa utilização reduzida mostra que a comissão técnica não vem recorrendo ao volante com frequência nas decisões recentes. Mesmo com números expressivos de intensidade e precisão, Ronaldo precisaria recuperar espaço justamente em uma partida na qual o Inter não contará com um titular suspenso.
Paulinho oferece mais circulação de bola
Paulinho representa uma solução diferente. O jogador soma 32 partidas na temporada e tem 86% de acerto nos passes. Sua presença poderia aumentar a mobilidade do meio-campo e favorecer a troca de passes, especialmente se o plano de Eduardo Baptista exigir mais controle da posse e circulação desde a primeira linha de construção.
A principal dificuldade está na função defensiva. Paulinho não tem as mesmas características de um primeiro volante, posição que exige proteção constante à frente da defesa. Caso seja escolhido, Thiago Maia provavelmente precisará assumir uma parcela maior dessa responsabilidade, além de compensar a mudança no perfil do setor.
Na comparação estatística, Bruno Henrique aparece com 38 jogos, 82% de passes certos e média de 10,2 quilômetros percorridos por partida. Paulinho tem 32 atuações, 86% de precisão e percorre 10,6 quilômetros por confronto. Ronaldo soma 23 partidas, 91% de acerto e média de 10,9 quilômetros.
Escolha pode alterar a pressão colorada
Os números ajudam a explicar a disputa, mas não determinam sozinhos quem será titular. Ronaldo se destaca pela intensidade e pelo aproveitamento nos passes; Paulinho apresenta a melhor capacidade de circulação entre as alternativas intermediárias; e Bruno Henrique reúne maior participação na temporada, experiência e entendimento técnico, fatores que o colocam à frente neste momento.
A decisão também estará ligada à estratégia para enfrentar o Botafogo. Villagra ganhou importância no sistema colorado pela capacidade de pressionar, encurtar espaços e acelerar a recuperação da bola. Sem ele, o Inter terá de redistribuir essas tarefas entre os demais jogadores do meio-campo, evitando que a equipe perca compactação quando não estiver com a posse.
Com 32 pontos e na zona de rebaixamento, o Internacional chega ao compromisso pressionado pela necessidade de pontuar. O duelo no Beira-Rio exige equilíbrio entre a busca pela vitória e a proteção defensiva, especialmente diante de uma mudança forçada no setor de marcação.
Eduardo Baptista ainda utilizará os treinamentos finais antes de confirmar a equipe. A tendência atual favorece Bruno Henrique, mas Paulinho e Ronaldo continuam como alternativas viáveis. A definição dependerá da função que o treinador pretende priorizar: experiência e organização, maior circulação de bola ou intensidade mais próxima do estilo apresentado por Villagra.