Aguirre se tornou fundamental no esquema de Eduardo Baptista após recuperar espaço no Internacional.Foto: Reprodução da Internet
Braian Aguirre vive uma reviravolta no Internacional. Há poucos meses, o lateral-direito perdeu espaço, esteve perto de retornar ao futebol argentino e precisou lidar com um episódio doloroso em campo. Agora, sob o comando de Eduardo Baptista, o jogador se tornou uma das peças mais importantes do modelo que tenta conduzir o Colorado na reação no Campeonato Brasileiro.
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A mudança ficou evidente na vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo, no Beira-Rio, no último sábado (24). Aguirre participou da jogada que abriu o placar, em lance concluído por Matheus Bahia, e também criou uma oportunidade de destaque ao avançar pelo lado direito e encobrir o goleiro adversário. A jogada, contudo, foi anulada por uma falta de Alerrandro na origem.
NOTAS DA TORCIDA
Avalie os jogadores do Internacional nessa partida
O novo papel do argentino está ligado à estrutura escolhida por Eduardo Baptista. Quando o Internacional se posiciona sem a bola, Aguirre e Matheus Bahia ajudam a formar uma linha defensiva com cinco jogadores. Na fase ofensiva, entretanto, os dois deixam de atuar como laterais tradicionais e avançam pelo campo, aproximando-se da função de pontas.
Essa dinâmica exige que os jogadores dos lados tenham participação constante em diferentes momentos da partida. Aguirre precisa recompor, proteger o corredor, disputar duelos e acompanhar os avanços adversários. Ao mesmo tempo, recebe autorização para atacar espaços, cruzar e aparecer em regiões mais próximas da área.
Contra o Botafogo, a movimentação foi determinante para o primeiro gol. Aguirre recebeu pela direita, levou vantagem sobre Matheus Martins e cruzou para a área. Marçal desviou a bola de maneira equivocada, e Matheus Bahia aproveitou a sobra para finalizar e colocar o Inter em vantagem.
O lance resumiu uma das ideias trabalhadas pela comissão técnica: os alas não devem apenas dar amplitude ao time, mas também participar da construção das jogadas e oferecer presença na área. A orientação é que, quando um jogador do lado avança, o companheiro do setor oposto ataque a região de finalização.
De alternativa no elenco a protagonista
A ascensão de Aguirre chama atenção porque ocorre depois de um período de pouca participação. Durante o trabalho de Paulo Pezzolano, o lateral perdeu espaço para Vitinho, utilizado de forma improvisada na linha de cinco defensores. A queda na hierarquia chegou a colocar o argentino próximo de uma saída do Internacional.
O Rosario Central demonstrou interesse em contar com o jogador, que poderia retornar ao futebol argentino. A transferência, porém, não avançou porque Aguirre não foi aprovado no exame médico. Sem o acordo, ele voltou ao Beira-Rio e permaneceu no elenco para uma nova tentativa de conquistar espaço.
A troca no comando técnico abriu essa oportunidade. Com Eduardo Baptista, o lateral encontrou uma função que valoriza tanto sua capacidade física quanto a disposição para atuar nos dois lados do campo. O treinador destacou justamente a força, a dedicação e a coragem do argentino como características adequadas à função de ala.
O momento também representa uma recuperação de confiança. Em 2025, na derrota por 5 a 1 para o Vasco, Aguirre perdeu a bola na origem do primeiro gol sofrido pelo Inter. Ele foi substituído aos 14 minutos e chorou no banco de reservas, em uma cena que marcou uma fase de forte pressão sobre o jogador.
Depois daquele episódio, Abel Braga assumiu o comando da equipe e procurou amparar o lateral. Diante dos companheiros, o treinador chamou Aguirre, demonstrou apoio e garantiu que ele seria titular na estreia. A atitude foi importante para evitar que o erro contra o Vasco definisse a trajetória do atleta no clube.
Uma mudança que envolve todo o sistema
A recuperação de Aguirre não pode ser explicada apenas por uma decisão individual ou por uma melhora isolada. O jogador passou a fazer parte de uma transformação coletiva no Internacional. O sistema de Eduardo Baptista procura aumentar a presença ofensiva sem abandonar a proteção defensiva oferecida pela linha de cinco.
Matheus Bahia também se beneficiou da proposta. O lateral participa da recomposição, mas tem liberdade para avançar e se transformar em opção de ataque. A movimentação dos dois exige coordenação: quando um ala ocupa uma posição ofensiva, o outro precisa interpretar o lance e atacar a área para evitar que o time fique sem presença pelo centro.
Essa distribuição de funções cria mais alternativas para o Internacional pelos lados do campo. Os adversários passam a ter de acompanhar jogadores que não permanecem fixos na defesa e podem aparecer em diferentes alturas. Para o próprio Inter, a estratégia também exige intensidade e concentração, já que qualquer avanço precisa ser compensado rapidamente na recomposição.
O desempenho contra o Botafogo foi, portanto, uma demonstração prática da mudança. Aguirre não apenas ajudou a construir o primeiro gol, como manteve participação ofensiva durante a partida e mostrou disposição para cumprir o trabalho defensivo. A atuação reforçou a confiança depositada pelo treinador no novo desenho.
O lateral chegou ao confronto com o Fluminense, no Maracanã, em uma condição diferente daquela vivida meses antes. De jogador que poderia deixar o clube, passou a ser considerado uma peça relevante para a proposta de Eduardo Baptista. O duelo foi tratado como mais um teste para a estrutura que vinha sendo construída após a vitória no Beira-Rio.
Para o Internacional, a evolução de Aguirre amplia as opções em uma tentativa de consolidar a reação no Brasileirão. Para o argentino, o novo momento representa a possibilidade de responder dentro de campo às dificuldades que atravessou. A continuidade dessa trajetória dependerá da capacidade de manter a intensidade exigida pelos alas e transformar a confiança recuperada em atuações consistentes.
O contexto da mudança também ajuda a entender por que o lateral ganhou tanto espaço em pouco tempo. Aguirre não voltou ao time apenas porque uma vaga apareceu: ele passou a cumprir uma função central no modelo de Eduardo Baptista. A recuperação individual, assim, tornou-se parte de uma tentativa mais ampla de reorganizar o Internacional.