Corinthians enfrenta crise ofensiva, com apenas 58 gols marcados em 55 jogos na temporada.Foto: Reprodução da Internet
O Corinthians atravessa uma temporada de baixa produção ofensiva, e os números ajudam a explicar por que o ataque se tornou um dos principais problemas da equipe. Em 55 partidas disputadas em 2026, o clube marcou 58 gols, média de 1,1 por jogo. O dado mais simbólico, porém, está na lista de artilheiros: o zagueiro Gustavo Henrique divide a liderança com o centroavante Yuri Alberto, enquanto o meio-campista André Luiz aparece logo atrás.
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Gustavo Henrique e Yuri Alberto têm oito gols cada. André Luiz soma seis. Assim, dois dos três principais goleadores do elenco não atuam no ataque, cenário que evidencia a dificuldade do Corinthians para transformar posse de bola e presença no campo ofensivo em chances aproveitadas.
Volume de jogo não se transforma em gols
O Corinthians mantém, em média, 57,1% de posse de bola e registra 57,3 entradas no terço final por partida. Ainda assim, o volume territorial não se converte em eficiência. A equipe finaliza 12,9 vezes por confronto, com 4,2 chutes na direção do gol, e precisa de 12,3 tentativas para marcar.
Outro indicador reforça o problema. O time criou 101 grandes chances na temporada, mas aproveitou somente 31% delas. A combinação entre oportunidades desperdiçadas e baixa precisão limita a capacidade de reação em partidas nas quais o Corinthians consegue avançar no campo, mas não conclui as jogadas com qualidade.
O desequilíbrio também aparece no retrospecto geral. São 20 vitórias, 15 empates e 20 derrotas em 2026, com 58 gols marcados e 55 sofridos. O saldo positivo de três gols é discreto diante da quantidade de compromissos e não impede que a equipe chegue à reta final do Campeonato Brasileiro pressionada.
Memphis tem participação ofensiva abaixo do esperado
Memphis Depay é um dos principais exemplos da queda de rendimento no setor. O atacante neerlandês disputou 23 partidas na temporada, sendo 18 como titular, mas marcou apenas um gol e deu duas assistências. De acordo com os dados apresentados, ele leva em média 503 minutos para participar diretamente de um gol.
O desempenho individual também aparece em outros indicadores: Memphis registra 1,5 finalização por jogo, com 0,5 chute no alvo, além de 35% de aproveitamento nos dribles e 27% de acerto nos cruzamentos. A nota média de 6,53 no Sofascore acompanha uma produção abaixo da expectativa para um jogador contratado para ter peso na criação e na definição das jogadas.
Além dos números, o atacante passou a ser alvo de cobranças internas por sua postura durante o momento ruim. Segundo relato de Samir Carvalho no Canal UOL, pessoas ligadas ao clube avaliam que Memphis tem se mostrado apático e distante da crise. A cobrança envolve uma participação mais presente no cotidiano do elenco e também em entrevistas.
O relato não representa uma declaração pública do jogador nem uma posição oficial detalhada do Corinthians. Trata-se de uma avaliação atribuída a fontes internas, em um ambiente agravado pela sequência de oito derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro. A repercussão aumenta a pressão sobre um atleta cuja produção já é questionada pelos números.
O tema se conecta ao cenário descrito em Memphis vira alvo de cobrança interna em meio à crise do Corinthians, mas a dificuldade do ataque não se resume ao desempenho de um único jogador. A baixa eficiência é coletiva e envolve criação, finalização e aproveitamento das oportunidades.
Gustavo Henrique aparece como artilheiro improvável
Enquanto o setor ofensivo não entrega a regularidade esperada, Gustavo Henrique se tornou uma das principais fontes de gols do elenco. O zagueiro soma oito gols e três assistências em 46 partidas, números incomuns para um defensor e suficientes para colocá-lo no topo da artilharia corintiana.
O desempenho não se limita à contribuição ofensiva. Gustavo Henrique apresenta 73% de eficiência nos duelos aéreos e nota média de 7,13 no Sofascore, segundo os dados reunidos. A presença do zagueiro em bolas paradas e situações ofensivas ajuda a explicar parte de sua produção, mas também expõe a dependência do Corinthians de jogadores que não têm como função principal marcar gols.
André Luiz completa o grupo de destaques. O meio-campista participou de 38 jogos, foi titular em 31 deles, marcou seis gols e deu duas assistências. Sua média é de 1,1 finalização por partida, com nota média de 6,73. A contribuição é relevante, mas não elimina a necessidade de maior participação dos atacantes.
Brasileirão amplia a preocupação
No Campeonato Brasileiro, o quadro é mais negativo. Em 30 rodadas, o Corinthians venceu oito partidas, empatou oito e perdeu 14. O aproveitamento é de 35,6% dos pontos, com 31 gols marcados e 38 sofridos. O saldo negativo de sete gols mostra que o problema ofensivo se combina com uma defesa que também tem concedido mais do que o time consegue produzir.
A fase recente agravou o cenário. O Corinthians perdeu os oito últimos jogos no Brasileirão, não somou pontos nesse intervalo, marcou sete gols e sofreu 18. A média de gols feitos no recorte é inferior a um por partida, enquanto a equipe sofreu mais de dois gols por jogo. Essa sequência explica a pressão esportiva e reduz a margem para erros nas rodadas seguintes.
A goleada por 4 a 1 para o Palmeiras, pela 30ª rodada, tornou o ambiente ainda mais tenso. Depois do clássico, o zagueiro Gabriel Paulista criticou publicamente a falta de proteção da diretoria aos atletas e relacionou a crise do clube a problemas de gestão. O jogador também afirmou que o elenco precisará se unir para tentar reagir.
O resultado deixou o Corinthians próximo da zona de rebaixamento. O time chegou a ocupar o Z4 durante a rodada, mas saiu após o empate entre Grêmio e Internacional. Ainda assim, permaneceu com a mesma pontuação do Internacional, primeiro clube dentro da zona de descenso, de acordo com o material apurado.
Seedorf assume com problema claro
É nesse contexto que Clarence Seedorf inicia o trabalho como técnico do Corinthians. A chegada do treinador coloca a produção ofensiva no centro das decisões, mas os dados indicam que a solução não depende apenas de trocar nomes no ataque. Será necessário melhorar a qualidade das finalizações, aproveitar as grandes chances criadas e aumentar a participação dos jogadores mais adiantados.
A situação de Memphis tende a ser observada de perto, tanto pelo peso de sua contratação quanto pela diferença entre a expectativa e os números apresentados em 2026. Ao mesmo tempo, Yuri Alberto precisa sustentar a artilharia do time, enquanto Gustavo Henrique e André Luiz não podem continuar sendo as principais referências de gol em uma equipe ameaçada na parte inferior da tabela.
O próximo passo do Corinthians será transformar a reação interna em desempenho dentro de campo. Com oito derrotas seguidas no campeonato e um ataque que marcou apenas sete vezes nesse período, a margem para novas oscilações é reduzida. O trabalho de Seedorf começa justamente diante da necessidade de fazer o volume de jogo voltar a produzir resultados.