Memphis Depay é visto como um dos focos de incômodo no Corinthians durante crise intensa no clube.Foto: Reprodução da Internet
Memphis Depay passou a ser apontado internamente como um dos focos de incômodo no Corinthians durante a pior fase recente da equipe. Relatos divulgados nesta terça-feira indicam que o atacante holandês tem adotado uma postura distante no cotidiano do clube, com pouca comunicação no vestiário e ausência em entrevistas. A avaliação atribuída a pessoas ligadas ao departamento de futebol é de que o jogador não estaria demonstrando o envolvimento esperado diante da crise alvinegra.
A informação surge depois da derrota por 4 a 1 para o Palmeiras, no domingo, resultado que aumentou a pressão sobre o elenco e prolongou para oito partidas a sequência do Corinthians sem vencer no Campeonato Brasileiro. O momento esportivo também elevou a cobrança sobre os principais jogadores, entre eles Memphis, contratado para exercer papel de destaque técnico e de liderança no grupo.
Segundo relato do jornalista Samir Carvalho, no programa De Primeira, do Canal UOL, fontes do Corinthians descrevem Memphis como “apático” e alheio ao momento enfrentado pela equipe. A cobrança não estaria restrita ao desempenho dentro de campo. A expectativa de integrantes do clube seria por uma presença mais ativa em entrevistas e nas discussões internas do elenco.
Outra apuração, reproduzida pelo site SouTimão a partir de informações atribuídas ao jornalista Rodrigo Vessoni, aponta que a mudança de comportamento também é percebida no centro de treinamento. O atacante, que anteriormente teria assumido uma postura mais vocal e feito cobranças ao grupo, agora estaria mais isolado nas atividades e nas conversas do vestiário.
Os relatos, porém, não apresentam uma explicação confirmada para a alteração de comportamento. Entre as possibilidades mencionadas estão o desgaste provocado pela crise institucional do Corinthians, a perda de espaço na seleção holandesa e a pressão sobre o rendimento individual. Esses fatores aparecem como hipóteses levantadas nos bastidores, e não como razões oficialmente apresentadas pelo jogador ou pelo clube.
Também não há, no material divulgado, declaração pública de Memphis sobre as críticas. A ausência de uma manifestação do atacante impede concluir se o distanciamento decorre de uma decisão pessoal, de um momento circunstancial ou de algum problema específico no ambiente de trabalho.
Crise esportiva aumenta a cobrança sobre o atacante
A situação de Memphis passou a ser discutida em um cenário de forte instabilidade. O Corinthians soma oito derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro, de acordo com as informações divulgadas, e permanece ameaçado pela parte inferior da tabela. A goleada no clássico contra o Palmeiras agravou a reação externa e tornou mais visíveis as divergências sobre o comportamento dos jogadores.
O desempenho do holandês já vinha sendo questionado em razão das oportunidades desperdiçadas em partidas recentes. O FutNet News também registrou a repercussão das críticas ao atacante após uma derrota do Corinthians, em um contexto no qual suas atuações passaram a ser avaliadas junto com os problemas coletivos da equipe. A cobrança atual, no entanto, envolve principalmente sua postura fora das quatro linhas.
Para pessoas do clube citadas nas apurações, a expectativa era que o principal investimento do futebol corintiano ajudasse a conduzir o grupo durante a reta final da competição. A liderança esperada não se limita à produção ofensiva: inclui participação no vestiário, diálogo com os companheiros e disposição para enfrentar publicamente o período de dificuldades.
O incômodo descrito nos bastidores envolveria companheiros de elenco, integrantes da comissão técnica e membros da diretoria. Ainda assim, as fontes não indicam a existência de uma decisão formal contra Memphis, tampouco informam que o clube tenha determinado afastamento, punição ou mudança imediata em sua situação contratual.
Críticas de Neto ampliam o debate
As discussões sobre a influência de Memphis no ambiente corintiano também ganharam espaço na televisão. Após o clássico, o ex-jogador e apresentador Craque Neto apontou o holandês como o principal responsável pela desestabilização interna do elenco, em sua avaliação. O comentário foi acompanhado de críticas às condições financeiras associadas ao contrato do atacante e à forma como sua presença estaria repercutindo no vestiário.
Neto mencionou possíveis bônus relacionados a metas esportivas e despesas de hospedagem custeadas pelo clube. Essas afirmações foram apresentadas pelo comentarista durante o programa Os Donos da Bola, mas o material disponível não traz confirmação documental das cláusulas citadas nem uma resposta de Memphis ou do Corinthians sobre o tema.
O apresentador também contestou declarações de jogadores a respeito de atrasos em direitos de imagem e criticou comportamentos disciplinares do elenco, como cartões que resultaram em suspensões. Essas observações fazem parte da análise de Neto sobre a crise e não devem ser confundidas com uma confirmação oficial de que Memphis seja responsável pelos problemas administrativos ou esportivos do clube.
Corinthians tenta atravessar período de pressão
Além do campo, o Corinthians enfrenta tensão política às vésperas da eleição marcada para 28 de novembro, conforme citado nas informações divulgadas. O ambiente inclui discussões sobre a condução do clube e até manifestações de torcedores organizados favoráveis a uma intervenção judicial. O colunista Paulo Vinícius Coelho ponderou que uma medida desse tipo poderia alterar o cenário político e produzir efeitos sobre a campanha eleitoral.
Esse contexto ajuda a explicar por que a postura dos principais jogadores passou a receber atenção ampliada. Em um clube pressionado por resultados, disputas internas e preocupação com a parte de baixo da tabela, qualquer sinal de afastamento pode ser interpretado como falta de comprometimento. Ainda assim, não há confirmação de que Memphis tenha rompido com o elenco ou deixado de cumprir suas obrigações profissionais.
O próximo passo do Corinthians será administrar a crise esportiva sem transformar avaliações internas em conflitos públicos. A diretoria e a comissão técnica terão de decidir como lidar com a participação de Memphis, enquanto o jogador poderá responder às críticas dentro de campo ou por meio de uma manifestação. Até o momento, o que existe é uma cobrança crescente baseada em relatos de bastidores, sem posicionamento oficial que esclareça a situação.