Seedorf inicia trabalho como técnico do Corinthians em meio à crise e pressão por resultados imediatos.Foto: Reprodução da Internet
Clarence Seedorf desembarca no Brasil nesta quarta-feira (14) para iniciar oficialmente o trabalho como técnico do Corinthians. O holandês terá dois treinamentos no CT Joaquim Grava e concederá entrevista coletiva às 13h, no horário de Brasília. A estreia no comando acontece em um cenário de forte pressão: o Timão acumula oito derrotas consecutivas e precisa voltar a pontuar para se afastar da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.
A chegada do ex-meia ocorre após a saída de Fernando Diniz e foi formalizada pelo clube para a reta final da temporada. O contrato de Seedorf é válido até dezembro de 2027, mas a urgência imediata está concentrada na campanha deste ano. O Corinthians ocupa a 16ª posição, com 32 pontos, mesma pontuação do Internacional, primeiro time dentro do Z-4.
A confirmação do holandês causou surpresa entre comentaristas e torcedores. No UOL News Esporte, Rômulo Mendonça classificou o momento vivido pelo Corinthians como “surreal” e afirmou que a escolha parecia parte de um roteiro escrito por um rival. Para o comentarista, a sequência negativa e a ausência de especulações anteriores sobre Seedorf reforçaram a percepção de improviso na condução do clube.
A avaliação é uma opinião sobre a decisão, não uma confirmação de bastidores. O fato objetivo é que Seedorf foi escolhido para substituir Diniz em uma equipe pressionada pelos resultados e ameaçada pela proximidade da zona de descenso. O novo comandante terá pouco tempo para transformar a mudança administrativa em resposta dentro de campo.
O primeiro compromisso previsto será contra o Vitória, em casa, no dia 19 de outubro, às 20h. Depois, o Corinthians visitará o Vasco em 24 de outubro, às 18h30, e receberá o Mirassol no dia 30, também às 20h. A sequência dá ao treinador três oportunidades iniciais para tentar interromper a série de derrotas e ampliar a margem em relação aos concorrentes diretos.
Antes de assumir o Corinthians, Seedorf construiu sua principal experiência no futebol brasileiro como jogador do Botafogo, entre 2012 e 2013. Na época, chamou atenção tanto pelo rendimento em campo quanto pela participação intensa na rotina do clube. O holandês defendia padrões rigorosos de comportamento, alimentação e preparação dos atletas.
Uma das histórias lembradas sobre aquele período envolve o hino do Botafogo. Seedorf teria questionado o trecho “não podes perder, perder para ninguém”, por entender que a repetição da palavra “perder” poderia influenciar negativamente a mentalidade do grupo. A sugestão não chegou a alterar oficialmente a música, mas ilustra a maneira como o ex-jogador relacionava linguagem, cultura interna e desempenho esportivo.
As preocupações também apareciam na alimentação. Entre as propostas atribuídas ao holandês estavam a retirada do feijão das refeições antes das partidas e a substituição da linguiça de porco pela de boi. A justificativa apresentada era a busca por uma preparação mais adequada para os jogos, embora não haja indicação de que essas ideias serão repetidas agora no Corinthians.
Em entrevista ao Charla Podcast, o zagueiro Doria relatou ainda episódios relacionados à disciplina na concentração do Botafogo. Segundo o defensor, Seedorf o repreendeu por caminhar descalço e entregou um chinelo para que ele pudesse buscar um suco. O holandês também demonstrava preocupação com a temperatura do ar-condicionado no ônibus, receoso de que a mudança entre o ambiente refrigerado e o calor do Rio de Janeiro afetasse os jogadores.
O comportamento revelava um profissional atento a detalhes e disposto a cobrar os companheiros. No Botafogo, esse perfil esteve associado a uma fase positiva: Seedorf conquistou o Campeonato Carioca de 2013 e participou da campanha que levou o clube à Libertadores de 2014, encerrando um jejum de 18 anos sem disputar a competição continental.
Comissão técnica terá mudanças no CT Joaquim Grava
Seedorf não chega sozinho para iniciar a nova etapa. Pablo Lopez Vidal será inicialmente seu auxiliar técnico. Léo Porto permanece como auxiliar da casa, preservando um profissional que já conhece a estrutura e o elenco corintianos. A composição combina uma indicação ligada ao treinador com a continuidade de um integrante do clube.
Também haverá mudança na área de preparação física. Reverson Pimentel, chefe do departamento de performance, assumirá a preparação física da equipe nesta reta final da temporada. A alteração faz parte da reorganização da comissão técnica para o período decisivo do Campeonato Brasileiro.
O desafio esportivo é especialmente relevante porque Seedorf não comandava uma equipe desde 2019, quando deixou a seleção de Camarões após a eliminação para a Nigéria nas oitavas de final da Copa Africana de Nações. A falta de trabalho recente em clubes será um dos pontos observados durante a adaptação ao futebol brasileiro e à pressão cotidiana do Corinthians.
O que o Corinthians pode esperar no início do trabalho
Não é possível afirmar, antes dos primeiros treinos, quais mudanças táticas ou quais jogadores ganharão espaço. O que já está definido é a necessidade de uma reação rápida. O time precisa recuperar confiança, interromper a sequência de oito derrotas e somar pontos contra adversários que também aparecem no calendário de uma equipe ameaçada.
O passado no Botafogo sugere que Seedorf valoriza disciplina, organização e cuidados com a rotina, mas não permite concluir que ele imporá as mesmas exigências no novo clube. A adaptação dependerá das condições encontradas no elenco, das decisões da comissão e da resposta dos jogadores durante os treinamentos.
A apresentação e as primeiras atividades servirão para esclarecer parte dessas escolhas. A partir daí, o Corinthians começará a transformar a aposta em Seedorf em trabalho prático. Em uma temporada marcada por turbulência, o novo treinador terá de fazer sua filosofia caber em um calendário curto e, sobretudo, produzir resultados suficientes para evitar que o clube termine o campeonato entre os rebaixados.