Botafogo opta por manter Tite como treinador, apesar da pressão e resultados insatisfatórios no Brasileirão.Foto: Reprodução da Internet
O Botafogo decidiu manter Tite no comando da equipe, apesar da sequência de resultados negativos no Campeonato Brasileiro e da pressão nos bastidores. A diretoria não trabalha com a demissão do treinador neste momento e entende que o trabalho ainda precisa de tempo para apresentar evolução.
O presidente João Paulo Magalhães Lins e o diretor de futebol Léo Coelho estão entre os principais defensores da continuidade. A avaliação interna é de que uma troca agora interromperia um projeto ainda em fase inicial, enquanto a comissão técnica busca implementar seus métodos no elenco.
A posição do clube foi reforçada por informações divulgadas pelo jornalista Felipe Silva, da ESPN. Segundo a apuração, pessoas ligadas ao Botafogo descartaram a possibilidade de saída neste momento. A expressão “chance zero de demissão neste momento” foi usada para resumir o posicionamento obtido pelo comunicador.
O respaldo não se limita à diretoria. Jogadores e funcionários também avaliam positivamente a experiência de Tite, a intensidade dos treinamentos e a capacidade de adaptação demonstrada pelo técnico. Esses fatores pesam na decisão de preservar a comissão técnica mesmo com a campanha abaixo das expectativas.
Em seis partidas à frente do Botafogo, Tite soma uma vitória, um empate e quatro derrotas. O aproveitamento é de 22,2% dos pontos disputados. O único triunfo ocorreu diante da Chapecoense, lanterna do campeonato, e a equipe não voltou a vencer desde então.
Os dois compromissos mais recentes terminaram em derrota. O Botafogo perdeu por 3 a 0 para o Internacional e, na sequência, foi superado pelo Remo por 2 a 1. A série aumentou a cobrança sobre o treinador e deixou mais evidente a necessidade de uma resposta esportiva nas rodadas finais.
O sistema defensivo aparece como um dos principais problemas. Conforme dados publicados pelo Lance, o Botafogo sofreu 53 gols em 33 rodadas, número inferior apenas ao do último colocado, vazado 66 vezes. Nos seis jogos com Tite, a equipe só terminou uma partida sem sofrer gol: justamente a vitória sobre a Chapecoense.
A dificuldade também está presente no ataque. O Botafogo marcou 12 gols no returno e tem o pior desempenho ofensivo do período, segundo o levantamento citado pelo veículo. Na segunda metade do campeonato, a equipe soma 13 pontos em 14 partidas, com três vitórias, e aparece entre as piores campanhas do recorte.
Os números não são tratados internamente como resultado exclusivo da chegada de Tite, mas aumentam a responsabilidade do treinador. A diretoria considera necessário melhorar a organização coletiva, reduzir os gols sofridos e encontrar soluções para uma produção ofensiva que caiu nas últimas rodadas.
Distância curta para o Z-4 mantém alerta
O Botafogo ocupa uma posição intermediária na tabela, mas ainda não tem a permanência assegurada matematicamente. As informações das fontes apontam o clube entre o 11º e o 12º lugar, com 39 pontos e apenas três de vantagem sobre a zona de rebaixamento.
Restam cinco rodadas para o fim do campeonato. Por isso, a margem atual não permite ao clube tratar a situação como resolvida. Levantamento do Gato Mestre, do ge, citado pelo Meu Botafogo, calculou em 8,73% o risco de queda após a 33ª rodada.
O percentual indica que a permanência na Série A ainda é o cenário mais provável, mas não elimina a preocupação. A sequência negativa pode reduzir rapidamente a vantagem sobre os concorrentes, especialmente se o time continuar com dificuldades para marcar e sofrer gols em excesso.
É nesse contexto que a diretoria tenta equilibrar o planejamento de longo prazo com a urgência da tabela. Tite foi contratado em setembro e tem vínculo informado até dezembro de 2028. A duração do acordo é um dos elementos que reforçam a intenção de manter o trabalho, embora não retire a cobrança por resultados imediatos.
Próximo jogo será teste para o trabalho
O próximo compromisso do Botafogo será contra o Atlético-MG, pela 34ª rodada do Brasileirão, no Estádio Nilton Santos. A partida está marcada para quarta-feira, dia 4, às 21h30. O confronto surge como a oportunidade mais próxima para interromper a sequência de derrotas e recuperar confiança.
O Atlético-MG também vem de dois resultados negativos, contra Flamengo e Cruzeiro, mas apresenta desempenho superior no returno. De acordo com os dados reunidos pelo Lance, o time mineiro somou 25 pontos em 14 partidas, com sete vitórias, enquanto o Botafogo conquistou 13 pontos no mesmo período.
A equipe mineira ainda está envolvida na semifinal da Copa do Brasil e na final da Sul-Americana. Esse calendário levou o Lance a apontar a possibilidade de preservação de jogadores no duelo do Nilton Santos, mas não há confirmação de escalação ou de quais atletas poderiam ser poupados. A informação, portanto, permanece como contexto secundário da partida.
Para o Botafogo, o resultado terá peso no ambiente, mas as informações disponíveis não indicam que o jogo tenha sido estabelecido como prazo definitivo para a permanência de Tite. A decisão atual é manter o treinador e cobrar uma reação coletiva nas cinco rodadas restantes.
O clube, portanto, não alterou o comando, mas também não ignora o risco esportivo. O apoio interno precisará ser convertido em desempenho dentro de campo, com uma equipe mais segura defensivamente e eficiente no ataque. A pressão tende a continuar enquanto a distância para o Z-4 permanecer curta.