Botafogo precisa urgentemente reagir no Campeonato Brasileiro após duas derrotas consecutivas e ineficiência ofensiva.Foto: Reprodução da Internet
O Botafogo chega ao duelo com o Atlético-MG, na quarta-feira, no Nilton Santos, pressionado por problemas que aparecem nos dois extremos do campo. A equipe dirigida por Tite perdeu os dois últimos jogos do Campeonato Brasileiro, para Internacional e Remo, e precisa interromper a sequência para evitar que a reta final da competição se torne ainda mais complicada.
O momento é agravado pelo desempenho acumulado desde a mudança no comando. Em seis partidas com Tite, o Botafogo venceu apenas a Chapecoense, lanterna do campeonato, empatou uma vez e sofreu quatro derrotas. Nesse intervalo, marcou quatro gols e foi vazado em dez oportunidades. A única partida em que não sofreu gol foi justamente a vitória sobre o último colocado.
Defesa expõe problema que vem de antes
A fragilidade defensiva não começou com a chegada de Tite, mas se tornou um dos principais pontos de atenção para o treinador. Em 33 rodadas, o Botafogo sofreu 53 gols e tem a segunda pior defesa do Brasileirão. A Chapecoense aparece na última posição desse ranking, com 66 gols sofridos.
Os números mostram que o problema é estrutural na campanha, e não apenas consequência dos seis jogos mais recentes. Ainda assim, o período sob o comando de Tite aumentou a urgência por uma resposta: a equipe não conseguiu combinar uma atuação segura sem a bola com produção suficiente no ataque.
Depois da derrota por 2 a 1 para o Remo, Tiquinho Soares reconheceu que o elenco vive um ambiente de cobrança. O atacante afirmou que os jogadores sabem que estão abaixo do esperado e defendeu uma reação coletiva, sem transferir toda a responsabilidade para o treinador.
“A culpa é no geral, não vamos apontar o dedo para o treinador”, disse Tiquinho, segundo O Globo. O jogador também declarou que o grupo está fechado com Tite e pediu apoio da torcida na tentativa de tirar o Botafogo da situação incômoda.
Ataque tem pior produção do returno
Se a defesa oferece pouco controle, o ataque também não tem compensado os gols sofridos. O Botafogo marcou somente 12 vezes desde o fim do primeiro turno, o menor número entre os participantes do returno. A baixa produção ofensiva reduz a margem de erro e faz com que qualquer falha defensiva tenha peso ainda maior nos resultados.
Tiquinho contou que os atacantes passaram a dedicar mais atenção a finalizações e movimentos durante os treinamentos. A ideia é melhorar a eficiência do setor, que balançou as redes apenas quatro vezes nos seis jogos sob o comando de Tite. O centroavante, porém, ressaltou que o ataque não pode ser responsabilizado sozinho pelos resultados.
A campanha do Botafogo no returno soma três vitórias e 13 pontos em 14 partidas, desempenho que deixa o clube na sexta pior posição desse recorte. Na classificação geral, a equipe ocupa o 11º lugar e está três pontos à frente do Corinthians, primeiro time dentro da zona de rebaixamento, conforme o material apurado.
Jogadores reconhecem a pressão interna
A cobrança não está restrita às avaliações externas. Tiquinho relatou que os próprios jogadores têm se exigido mais diante da queda de rendimento. O atacante afirmou que o clube vive uma situação diferente daquela enfrentada em temporadas recentes, quando o Botafogo brigava na parte de cima da tabela.
O goleiro Gabriel Batista também apontou a necessidade de evolução em diferentes áreas. Segundo ele, o grupo ainda pode melhorar fisicamente, taticamente e mentalmente, além de precisar recuperar a capacidade de dar mais tranquilidade à torcida. A declaração reforça que a correção esperada não depende exclusivamente de mudanças no sistema defensivo.
O discurso dos atletas é de união, mas os números colocam pressão sobre a equipe. Com cinco rodadas restantes, cada partida passa a ter impacto direto na tentativa de afastar o risco de aproximação da zona de rebaixamento. Por isso, o confronto com o Atlético-MG é tratado internamente como uma oportunidade imediata de reação.
Atlético chega com campanha superior no returno
O adversário também vem de duas derrotas no Brasileirão, diante de Flamengo e Cruzeiro, mas apresenta desempenho significativamente melhor no segundo turno. O Atlético-MG soma 25 pontos em 14 rodadas e conquistou sete vitórias, números que colocam o clube na quinta melhor campanha do returno.
O time mineiro ainda disputa a semifinal da Copa do Brasil contra o Grêmio e a decisão da Copa Sul-Americana diante do Boca Juniors. Por causa desse calendário, há a possibilidade de preservação de jogadores no compromisso com o Botafogo, mas a informação aparece como indicação, não como escalação confirmada.
Esse contexto pode alterar o cenário do confronto, mas não elimina a responsabilidade do Botafogo de corrigir suas próprias deficiências. A equipe precisa proteger melhor a área, reduzir os gols sofridos e transformar as oportunidades criadas em finalizações mais eficientes.
Reta final exige resposta imediata
O trabalho de Tite entra, portanto, em uma etapa de cobrança por resultados e evolução coletiva. A sequência recente deixou claro que o Botafogo não tem conseguido sustentar vantagem competitiva nem pela defesa nem pelo ataque. A partida no Nilton Santos será o próximo teste para verificar se o time consegue reagir sob pressão.