Tite foi apresentado como novo técnico do Botafogo e explicou que a possibilidade de conduzir um projeto de médio e longo prazo pesou para sua decisão. Aos 65 anos, o treinador assinou contrato até dezembro de 2028, período que coincide com o fim do mandato do presidente João Paulo Magalhães Lins.
Ao lado do presidente e do diretor de futebol Léo Coelho, Tite afirmou que se sentiu acolhido desde as primeiras conversas. O treinador também destacou a proposta de reformulação do futebol alvinegro e a ambição apresentada pela nova gestão, apoiada pela GDA Luma, que está nos trâmites para assumir a SAF do clube.
“Essa possibilidade de desenvolver um trabalho a médio e longo prazo é como eu imagino e entendo o futebol”, disse Tite durante a coletiva. A declaração resume o principal motivo que o levou a aceitar o convite depois de ter sido procurado pelo Botafogo em outras oportunidades.
Projeto pesou mais do que uma solução imediata
O técnico chega ao clube em um momento de transição. A GDA Luma participa do processo de mudança no comando da SAF, enquanto a diretoria busca reorganizar o departamento de futebol. Para Tite, a estrutura apresentada por João Paulo e Léo Coelho ofereceu condições para um trabalho que não dependa apenas de resultados imediatos.
O treinador ressaltou que conhece a pressão inerente ao futebol, mas defendeu a necessidade de tempo para desenvolver processos. Na avaliação dele, não existe uma transformação instantânea: o objetivo é construir uma equipe de maneira gradual, respeitando as características do elenco e as necessidades do Botafogo.
A contratação também representa uma mudança de perspectiva em relação às tentativas anteriores de acordo. Tite já havia conversado com o clube em outros momentos, inclusive após a saída de Artur Jorge, mas a apresentação do novo projeto foi determinante para a aprovação desta vez. A proposta de reconstrução, aliada à perspectiva de permanência, aproximou as partes.
O compromisso até 2028 não significa, para o treinador, uma garantia automática de permanência. Tite afirmou que espera fazer um trabalho bem-sucedido e que a continuidade dependerá do desempenho construído ao longo do período. A diretoria, entretanto, sinalizou que pretende dar ao comandante participação central na condução do futebol.
Comissão terá continuidade durante a transição
Tite chega acompanhado do auxiliar Matheus Bacchi e do preparador físico Fábio Mahseredjian. Ao mesmo tempo, ele indicou que pretende aproveitar profissionais que já estavam no clube. Rodrigo Bellão, responsável por comandar interinamente a equipe na vitória por 3 a 2 sobre o Grêmio, deve permanecer integrado à comissão permanente.
O novo técnico afirmou que sua intenção não é substituir automaticamente os funcionários que já trabalham no Botafogo por integrantes de sua própria equipe. A ideia é avaliar os profissionais existentes, fortalecer a estrutura e acrescentar peças apenas quando houver necessidade. Bellão foi citado como importante para a transição e para a aproximação entre as categorias de base e o elenco principal.
Antes de assumir oficialmente, Tite acompanhou a vitória sobre o Grêmio das tribunas. Ele elogiou a atuação de Bellão e fez questão de atribuir o resultado aos jogadores, à comissão, à diretoria e à torcida. O treinador também afirmou que, durante o período anterior à assinatura, buscou informações para se preparar, mas sem abordar analistas ou profissionais do clube antes de o acordo ser formalizado.
A estreia está prevista para o próximo sábado, contra o Mirassol, em São Paulo. Depois da partida, o Botafogo terá um intervalo de 17 dias sem jogos, período que será utilizado para que Tite trabalhe suas primeiras ideias com o grupo.
Resultados e ambição dividem a prioridade
O Botafogo chega ao início da nova etapa com 35 pontos e na 11ª colocação do Campeonato Brasileiro, após a vitória sobre o Grêmio. A equipe está sete pontos acima da zona de rebaixamento e dez atrás do grupo que busca vaga na Libertadores. Esse equilíbrio da tabela foi citado por Tite como um fator que exige cautela no começo do trabalho.
Para o treinador, o primeiro objetivo é alcançar rapidamente uma pontuação que ofereça maior segurança na competição. Só depois disso, segundo ele, será possível tratar a busca por objetivos mais ambiciosos com tranquilidade. Tite, porém, não descartou a cobrança por títulos: afirmou que a grandeza do Botafogo permite pensar alto, desde que o processo seja acompanhado de organização.
O comandante também rejeitou a ideia de impor um estilo único ao time. Em vez de exigir que os jogadores se adaptem a um modelo fixo, pretende construir a equipe a partir das características do elenco. Posse de bola, transição em velocidade, jogo apoiado e compactação sem a bola aparecem como possibilidades dentro de uma formação equilibrada.
Essa adaptação inclui referências individuais do grupo, como Danilo, Montoro e outros atletas citados durante a coletiva. Tite explicou que alguns jogadores são mais construtores, enquanto outros atacam a profundidade ou oferecem força física. A função da comissão será combinar essas características para formar uma equipe competitiva, sem transformar o modelo em uma reprodução automática de trabalhos anteriores.
O treinador também defendeu autonomia para tomar as decisões finais, mas negou que isso signifique controle isolado sobre o futebol. Contratações, avaliação do elenco e escolhas estruturais deverão ser discutidas com a diretoria e os demais profissionais. Para Tite, o jogador contratado precisa ser útil ao Botafogo, e não apenas uma preferência pessoal do técnico.
A apresentação, portanto, marcou o início de um trabalho que combina urgência competitiva e planejamento. O clube precisa se afastar da parte inferior da tabela, mas escolheu um treinador que chega com a missão de participar de uma reconstrução mais ampla. É nesse equilíbrio entre resposta imediata e desenvolvimento gradual que Tite pretende iniciar sua passagem pelo Botafogo.