Tite é o novo técnico do Botafogo. O clube confirmou o acerto com Adenor Leonardo Bachi na quarta-feira, 16 de setembro de 2026, com contrato válido até o fim da temporada 2028. A apresentação ocorreu no Estádio Nilton Santos, em um momento de pressão esportiva e de reformulação administrativa do Alvinegro.
Na primeira entrevista como comandante, o treinador ressaltou que a decisão de aceitar o cargo esteve diretamente ligada ao projeto apresentado pela diretoria. Tite afirmou ter encontrado no Botafogo uma proposta de crescimento de médio e longo prazo, além de um ambiente de acolhimento desde os primeiros contatos.
A chegada acontece enquanto o time tenta se afastar da parte inferior da tabela do Campeonato Brasileiro. O Botafogo vinha de uma vitória sobre o Grêmio e tinha 35 pontos, na 11ª colocação, segundo as informações divulgadas na apresentação. A equipe buscava ampliar a distância para a zona de rebaixamento e se aproximar da disputa pelas posições que levam à Libertadores.
Projeto pesou na decisão de Tite
Antes da confirmação, as conversas entre Tite e os dirigentes avançaram a partir de reuniões e contatos telefônicos. Entre os temas tratados estiveram o funcionamento do clube durante o processo de recuperação judicial e o nível de elenco disponível para o trabalho. A avaliação interna foi de que o treinador havia se convencido da solidez do plano alvinegro.
O presidente João Paulo Magalhães afirmou que Tite terá papel central na condução do departamento de futebol. A diretoria também relacionou a contratação ao apoio da GDA, grupo ligado à iminente compra da SAF e que já participa do processo de reorganização do clube.
O treinador, contudo, não tratou a mudança como uma solução imediata. Para Tite, o futebol depende de processos e de continuidade para que os resultados apareçam. A possibilidade de trabalhar com prazo mais amplo foi apresentada como um dos fatores que tornaram o projeto atraente.
“A adoção da conversa foi fundamental” para compreender o projeto e a reformulação do Botafogo, explicou Tite durante a coletiva. O técnico também disse ter se sentido incorporado ao clube pelo contato com funcionários e torcedores nos primeiros dias de sua chegada.
Autonomia com decisões integradas
Tite chega acompanhado do auxiliar Matheus Bachi e do preparador físico Fábio Mahseredjian. Rodrigo Bellão, que ocupava interinamente o comando da equipe, permanece na comissão técnica como integrante do novo trabalho. A formação indica uma tentativa de unir a equipe trazida pelo treinador à estrutura que já estava em atividade no clube.
O novo comandante rejeitou a ideia de que decisões técnicas possam ser transferidas para outras pessoas. Segundo ele, a palavra final do treinador é individual, mas a preparação envolve troca constante de informações com os profissionais da comissão. A autonomia, portanto, não elimina o trabalho coletivo.
O mesmo princípio foi aplicado ao planejamento do elenco. Tite afirmou que não terá liberdade para contratar jogadores de maneira isolada e que eventuais movimentos deverão ser avaliados de forma conjunta, de acordo com as necessidades e os valores definidos pelo Botafogo.
O treinador também indicou que não pretende substituir automaticamente os profissionais que já trabalham no clube. A prioridade, conforme explicou, é aproveitar quem demonstrou qualidade e acrescentar integrantes apenas quando houver necessidade. Bellão foi citado como uma peça importante durante o período de transição.
Adaptação ao elenco será ponto central
Na apresentação, Tite evitou defender um modelo de jogo rígido. O técnico afirmou que as escolhas dependerão das características dos atletas disponíveis no elenco. A ideia é combinar jogadores de construção, atletas capazes de atacar a profundidade e defensores com velocidade para recompor.
Entre os nomes mencionados, o treinador citou Danilo como um jogador de maior capacidade de organização com a bola, enquanto Montoro poderia oferecer mais agressividade e chegada ao espaço. Também destacou características de Huguinho, Arthur Cabral e de outros atletas para explicar como pretende encontrar equilíbrio entre posse, velocidade e profundidade.
A declaração reforça que o trabalho inicial será de leitura do grupo. Em vez de impor uma única forma de jogar, Tite pretende adaptar o modelo às qualidades do elenco e às exigências de cada partida. Essa avaliação deverá ocorrer paralelamente à tentativa de melhorar a campanha no campeonato.
O treinador também reconheceu a dificuldade da competição nacional. Na visão dele, existe equilíbrio entre as equipes que lutam para escapar da zona de perigo e aquelas que tentam alcançar as primeiras posições. Por isso, o planejamento do Botafogo começa com objetivos graduais, sem abandonar a ambição apresentada pela nova gestão.
Estreia está prevista contra o Mirassol
O contrato de Tite foi firmado até dezembro de 2028, e o início das atividades estava previsto para a quinta-feira seguinte ao anúncio oficial. A expectativa era de que sua estreia acontecesse no sábado, 19 de setembro, contra o Mirassol, no estádio Maião.
A partida deve marcar o primeiro teste do novo treinador em uma equipe que atravessa uma fase de reconstrução. O desafio imediato será organizar o time, manter a evolução observada na vitória sobre o Grêmio e aumentar a distância em relação à zona de rebaixamento.
Apesar da urgência da tabela, a contratação foi apresentada como parte de um plano mais amplo. Tite chega com histórico de trabalhos na Seleção Brasileira, no Corinthians, no Flamengo e no Cruzeiro, além de títulos como a Copa América de 2019 e o Mundial de Clubes de 2012.
O Botafogo aposta na experiência do treinador para conduzir a recuperação esportiva sem separar o resultado imediato da reorganização estrutural. Para Tite, o compromisso passa por construir uma equipe competitiva dentro das condições do clube e transformar a ambição anunciada pela diretoria em um processo de trabalho contínuo.