Philippe Coutinho recebeu uma proposta do Botafogo antes de decidir voltar ao Vasco, em 2024. O episódio foi revelado pelo ex-lateral Rafael, amigo próximo do meia, que afirmou ter participado pessoalmente da tentativa de levar o jogador para General Severiano.
O relato foi feito durante participação no programa Panela SporTV. Rafael disse que usou a proximidade com Coutinho para apresentar o interesse alvinegro e tentar convencê-lo a permanecer no Rio de Janeiro, mas encontrou uma decisão praticamente definida pelo vínculo do atleta com o clube que o revelou.
De acordo com o ex-jogador, o Botafogo chegou a formalizar uma proposta. A abordagem, contudo, não avançou para uma negociação prolongada. Rafael contou que telefonou para Coutinho e mencionou a possibilidade de uma transferência para o rival, recebendo como resposta que o meia não queria sequer analisar a alternativa naquele momento.
A justificativa apresentada, segundo o ex-lateral, foi a paixão de Coutinho pelo Vasco e o desejo de retornar a São Januário. A conversa também teria levado em conta a própria relação de amizade entre os dois. Com essa preferência, a investida do Botafogo ficou limitada ao contato inicial e à oferta mencionada no depoimento.
Coutinho havia sido formado nas categorias de base do Vasco, fator que Rafael apontou como decisivo para a escolha. Em vez de tratar o retorno ao futebol brasileiro apenas como uma movimentação de mercado, o meia teria priorizado a ligação construída com o clube desde o início da carreira.
O Botafogo tentou explorar justamente a influência de Rafael, que conhecia Coutinho e mantinha uma relação próxima com o atleta. A estratégia não foi suficiente para mudar a decisão. Conforme o relato, a identificação vascaína fez com que o jogador rejeitasse a possibilidade antes mesmo de ouvir os detalhes da proposta alvinegra.
Rafael também classificou Coutinho como uma pessoa reservada, pouco inclinada a expor publicamente conversas desse tipo. Por isso, a revelação acrescenta um detalhe de bastidor à disputa que antecedeu o retorno do meia ao futebol brasileiro. O episódio indica que o Botafogo esteve entre as opções consideradas no período, embora não tenha conseguido transformar o interesse em contratação.
A escolha final levou Coutinho de volta ao Vasco. A equipe carioca, portanto, não precisou disputar uma negociação extensa com o Botafogo depois que o jogador manifestou sua preferência. A decisão, conforme a versão apresentada por Rafael, foi orientada principalmente por razões afetivas e pela vontade de reencontrar o clube formador.
Rafael rejeita acusação de traição
Na mesma participação, o ex-lateral comentou a relação de Coutinho com a torcida vascaína após a saída do jogador. Parte dos torcedores passou a acusar o meia de ter traído o clube, mas Rafael discordou dessa interpretação e relacionou a mudança às críticas que o atleta recebeu durante a passagem por São Januário.
Segundo Rafael, Coutinho teria sido pressionado por torcedores a deixar o Vasco. O ex-jogador afirmou que o meia ficou frustrado com a situação e que a transferência apareceu como uma oportunidade para recuperar a satisfação com o futebol. A avaliação foi feita no contexto da ida de Coutinho para o Santos, movimento que voltou a provocar discussões sobre a relação entre o atleta e o clube carioca.
A defesa apresentada por Rafael não significa, na visão dele, que a história de Coutinho com o Vasco tenha terminado sem questionamentos. O ex-lateral separou a identificação pessoal do jogador da forma como sua passagem foi avaliada por parte da torcida. Para ele, a sequência de críticas ajuda a explicar por que o meia aceitou deixar o clube depois do retorno.
Rafael também ponderou que Coutinho não deveria ser chamado de ídolo vascaíno. O argumento usado foi esportivo: apesar da ligação com o clube e da importância de ter sido revelado em São Januário, o jogador não conquistou títulos pelo Vasco. Assim, o ex-lateral reconheceu o vínculo afetivo, mas fez distinção entre carinho da torcida, identificação e status de ídolo.
Investida alvinegra ficou como bastidor de 2024
A tentativa de contratação mostra que o Botafogo buscou um jogador de projeção internacional durante o período em que Coutinho avaliava o retorno ao Brasil. A presença de Rafael nas conversas funcionou como uma ponte informal entre o clube e o meia, mas a preferência pelo Vasco impediu que a oferta evoluísse.
O caso também evidencia a dificuldade de um rival carioca competir com uma decisão baseada na história pessoal do atleta. Mesmo com uma proposta e com a intermediação de alguém próximo, o Botafogo não conseguiu fazer Coutinho considerar a mudança para General Severiano. A escolha pelo Vasco ocorreu antes de qualquer avanço mais concreto nas tratativas.
O relato de Rafael, portanto, acrescenta duas informações ao período: o Botafogo tentou contratar Coutinho e o jogador recusou aprofundar a conversa por priorizar o retorno ao clube formador. Depois, as críticas à saída e a transferência para o Santos ampliaram o debate sobre a relação do meia com a torcida vascaína, mas não alteraram o desfecho da disputa de 2024.