O Botafogo apresentou oficialmente Tite nesta quinta-feira (17), no estádio Nilton Santos, e o novo treinador já estabeleceu a prioridade para o início do trabalho: alcançar uma pontuação segura no Campeonato Brasileiro antes de mirar objetivos maiores. Com contrato até dezembro de 2028, o técnico afirmou que pretende construir uma equipe equilibrada e moldada pelas características dos jogadores, sem impor uma identidade exclusivamente pessoal.
A referência apresentada por Tite foi a marca de 45 pontos. Segundo ele, essa deve ser a primeira etapa para afastar o clube da zona de perigo e, a partir daí, abrir espaço para ambições mais altas. A declaração ocorreu em meio ao processo de reestruturação da SAF alvinegra, que tem a GDA como investidora.
“A cara é do Botafogo, não a minha”, resumiu o treinador ao explicar a ideia de trabalho. A frase sintetiza a intenção de adaptar o modelo de jogo ao grupo que encontrou, em vez de obrigar o elenco a reproduzir uma fórmula fixa. Tite destacou que os atletas serão os protagonistas da construção da equipe.
Primeiro objetivo é dar estabilidade ao Botafogo
Na entrevista, Tite avaliou que o Campeonato Brasileiro apresenta equilíbrio entre as equipes e que o momento inicial exige atenção à pontuação. O técnico evitou transformar a apresentação em uma promessa imediata de títulos e preferiu delimitar etapas para o projeto.
O treinador relembrou uma experiência no Corinthians para explicar o planejamento. Na ocasião, estabeleceu os 45 pontos como referência antes de projetar a preparação para desafios maiores. A lógica levada ao Botafogo é semelhante: resolver primeiro a necessidade mais urgente e, depois, ampliar o horizonte competitivo.
“Eu não acredito que tenha varinha mágica. Eu sei da necessidade do resultado, não sou nenhum ingênuo em relação a isso”, afirmou Tite. Ao mesmo tempo, ele defendeu a importância de um período mais longo para consolidar processos e ressaltou que a permanência até 2028 estará condicionada à competência e aos resultados alcançados.
A ambição por títulos, portanto, não foi descartada. Tite afirmou que a grandeza do Botafogo permite projetar conquistas, mas indicou que a construção precisa passar por uma fase inicial de estabilidade. O treinador também citou a necessidade de ampliar as possibilidades do clube conforme a equipe atinja seus primeiros objetivos.
Modelo de jogo será adaptado ao elenco
Tite explicou que não pretende trabalhar preso a apenas uma formação. Ao comentar suas primeiras observações, mencionou os sistemas 4-1-4-1, 4-4-2 e 5-3-2 como estruturas que podem ser utilizadas de acordo com as circunstâncias das partidas e com as características dos jogadores.
A proposta envolve uma equipe capaz de atuar em diferentes momentos: com posse de bola, em velocidade ou por meio das transições. Sem a bola, o técnico falou em compactação e equilíbrio. Para ele, a organização coletiva não depende exclusivamente de uma numeração tática, mas da capacidade de o time responder às exigências de cada jogo.
Questionado sobre a imagem de treinador pragmático, Tite citou passagens por Grêmio, Internacional, Caxias, Corinthians e Seleção Brasileira para mostrar que já comandou equipes com propostas distintas. Ele mencionou o Corinthians campeão brasileiro em 2011, de perfil mais reativo, e a equipe de 2015, que apresentou maior vocação criativa. Também lembrou o desempenho da Seleção de 2018.
“Se isso é pragmatismo, então vai continuar com esse pragmatismo”, respondeu. A declaração reforçou que o técnico não pretende se limitar a uma etiqueta, mas escolher soluções conforme o elenco e o estágio do trabalho.
Comissão terá integração com profissionais do clube
Tite chega ao Botafogo acompanhado do auxiliar Matheus Bachi, seu filho, e do preparador físico Fábio Mahseredjian. Rodrigo Bellão, que comandou interinamente a equipe na transição, deve integrar a comissão técnica permanente ao lado do auxiliar Marcelo Fera e do preparador físico Ronaldo Torres.
O novo treinador afirmou que pretende aproveitar os profissionais que já fazem parte da estrutura alvinegra. Em vez de substituir automaticamente a comissão existente por pessoas de sua confiança, a ideia apresentada foi agregar os grupos e preservar os bons profissionais do clube.
Essa integração também se relaciona ao primeiro contato de Tite com o elenco. Antes da apresentação, ele acompanhou no Nilton Santos a vitória por 3 a 2 sobre o Grêmio, em partida atrasada do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, evitou interferir no trabalho de Rodrigo Bellão e iniciou uma aproximação gradual com jogadores e funcionários.
O Botafogo terá 17 dias sem partidas por causa da paralisação provocada pela Data Fifa. O intervalo será utilizado para que Tite conheça melhor o grupo, aprofunde a análise dos jogos anteriores e comece a implementar suas ideias. O treinador afirmou que já observou partidas contra adversários como Palmeiras, Flamengo e Cienciano, mas indicou que a avaliação mais completa dependerá da convivência diária com a comissão e os atletas.
Projeto de longo prazo pesou na escolha
Durante a apresentação, Tite explicou que as conversas com o presidente do Botafogo Social, João Paulo Magalhães Lins, e com o diretor de futebol, Léo Coelho, foram decisivas para aceitar o convite. O treinador citou a reformulação do clube, a ambição da nova fase da SAF e a possibilidade de desenvolver um trabalho de médio e longo prazo.
Aos 65 anos, Tite disse estar readaptado à rotina dos clubes depois do período à frente da Seleção Brasileira e das passagens recentes por Flamengo e Cruzeiro. Também destacou o acolhimento recebido no Botafogo e a identificação com a ideia de construir processos ao longo do tempo.
O novo comandante, porém, reconheceu que o prazo contratual não elimina a pressão por resultados. Para Tite, a construção de um projeto duradouro só será possível se vier acompanhada de desempenho. A primeira cobrança, conforme a meta apresentada, será conduzir o Botafogo a uma situação mais segura no Brasileiro. Só depois, com a base estabilizada, o clube poderá transformar a ambição em objetivos competitivos maiores.