O Fluminense deixou Mendoza com a classificação para a próxima fase da Libertadores 2026 e também com um episódio que reforçou a influência de Thiago Silva na organização da equipe. O zagueiro atuou durante os 90 minutos, converteu uma das cobranças na disputa de pênaltis e participou diretamente de uma decisão tática que terminou no gol de Kevin Serna contra o Independiente Rivadavia.
O empate por 1 a 1 levou o confronto para as penalidades, vencidas pelo Fluminense por 5 a 4. Durante a partida, porém, o time precisou se adaptar a uma situação ainda mais difícil: a expulsão de Canobbio. Com um jogador a menos, o técnico Marcão promoveu alterações e buscou preservar a equipe diante de um adversário que explorava principalmente os cruzamentos e a bola aérea.
Thiago identificou espaço no ataque
Marcão colocou Serna e Lucho Acosta nos lugares de Hulk e Ganso. A princípio, o colombiano passou a atuar pelo lado direito, justamente uma região em que o Rivadavia concentrava seus ataques. Thiago Silva entendeu que a configuração poderia ser ajustada para oferecer ao Fluminense uma saída mais segura e, ao mesmo tempo, uma alternativa de contra-ataque.
O capitão sugeriu que Serna e Soteldo trocassem de lado. A ideia era levar Serna para a esquerda, onde ele poderia ajudar Renê a lidar com os cruzamentos direcionados ao segundo pau. A mudança também exploraria um espaço identificado por Thiago entre os jogadores do time argentino. Para o zagueiro, Serna era o atleta tricolor mais preparado para acelerar a transição naquele momento.
“Nosso cara de contra-ataque naquele momento era o Serna”, explicou Thiago Silva. Segundo o defensor, Marcão compreendeu os sinais e aceitou inverter os posicionamentos dos dois atacantes. A alteração não foi apresentada pelo jogador como uma decisão isolada ou definitiva, mas como uma leitura feita a partir do comportamento do adversário durante o jogo.
Troca de posições gerou o gol
A resposta apareceu rapidamente. Em uma das primeiras investidas do Fluminense pelo lado esquerdo após a mudança, Soteldo apareceu mais centralizado e participou da construção. O venezuelano clareou a jogada para Hércules, que encontrou Serna com um lançamento preciso nas costas da defesa do Rivadavia.
Serna recebeu em boas condições, teve tempo para dominar a bola, ajustar o corpo e finalizar diante do goleiro Bolcato. O colombiano superou o adversário e marcou o gol que recolocou o Fluminense em vantagem na partida. A jogada reuniu os elementos buscados por Thiago: a troca de posições, a utilização do corredor deixado pelo rival e a velocidade para atacar depois da recuperação da posse.
O lance também mostrou como uma orientação feita durante o jogo pode alterar a forma de uma equipe atuar quando ela está em inferioridade numérica. Serna deixou o setor em que havia sido inicialmente posicionado e passou a ser usado como opção ofensiva pela esquerda. Soteldo, com maior liberdade por dentro, ajudou a conectar a jogada até o lançamento de Hércules.
Apesar da participação no ajuste, Thiago Silva evitou tratar a mudança como uma demonstração individual. O zagueiro afirmou que tudo poderia ser considerado uma coincidência, embora tenha explicado detalhadamente o raciocínio utilizado. A análise envolveu tanto a necessidade de proteger o lado de Renê quanto a possibilidade de aproveitar a distância entre os setores do Rivadavia.
Preparação para conter a bola aérea
A preocupação com os cruzamentos não começou depois da expulsão. Antes da partida, Thiago Silva se reuniu com Marcão e Fábio para avaliar as características ofensivas do Independiente Rivadavia. O objetivo era estruturar a defesa do Fluminense e encontrar maneiras de reduzir o impacto da bola aérea, uma das armas apresentadas pelo adversário no primeiro encontro entre as equipes.
O duelo anterior, também disputado em Mendoza, terminou empatado por 1 a 1. Naquela ocasião, de acordo com Thiago, o Fluminense sofreu mais com as jogadas aéreas. A preparação específica contribuiu, na avaliação do capitão, para que a equipe tivesse uma atuação defensiva mais controlada no novo confronto. Ele afirmou que o Rivadavia não conseguiu criar com a mesma frequência nesse fundamento.
A participação de Fábio na conversa antes da partida foi mencionada pelo zagueiro como parte da tentativa de organizar a defesa. Thiago destacou que Marcão tem dado espaço para os jogadores contribuírem com leituras táticas. A postura permitiu que a comissão técnica recebesse, ainda no campo, uma sugestão relacionada à distribuição dos homens de frente.
Capitão destaca apoio a Marcão
Além de comentar o lance do gol, Thiago Silva avaliou o momento vivido pelo Fluminense. O defensor afirmou que o elenco vinha tentando construir uma equipe competitiva sob o comando de Zubeldía, mas os resultados não apareciam. A saída do treinador coincidiu com uma vitória sobre o líder do Campeonato Brasileiro, resultado que, para o capitão, foi importante para a equipe chegar ao compromisso em Mendoza com outra condição.
Marcão assumiu o comando do time e, segundo Thiago, o Fluminense também conseguiu derrotar o Palmeiras. O triunfo ajudou a alimentar a confiança antes do confronto pela Libertadores. A sequência fez o elenco acreditar que era possível reagir e recuperar competitividade em uma etapa decisiva da temporada.
O zagueiro também ressaltou a postura da equipe durante o confronto contra o Rivadavia. Mesmo com a expulsão de Canobbio e a necessidade de reorganizar o time, ele disse que o Fluminense tentou propor o jogo do início ao fim e considerou que a equipe foi superior. A classificação, confirmada nos pênaltis, encerrou uma noite em que as decisões tomadas dentro de campo tiveram peso relevante.
Thiago foi um dos jogadores que converteram as cobranças do Fluminense na disputa. A atuação combinou a responsabilidade defensiva de um zagueiro que permaneceu em campo durante todo o duelo com a participação na definição ofensiva que levou ao gol de Serna. O capitão ainda ajudou a orientar a equipe em um momento de desvantagem numérica.
O episódio reforça uma característica que o próprio Thiago Silva fez questão de apresentar: o interesse permanente por aspectos táticos. Ele contou que é fascinado pelo tema e que costuma observar as possibilidades oferecidas pelo jogo. Em Mendoza, a leitura sobre os cruzamentos do Rivadavia, a posição de Renê e o espaço para o contra-ataque resultou em uma instrução que Marcão aplicou imediatamente.
A vitória nos pênaltis por 5 a 4 sobre o Independiente Rivadavia, depois do empate por 1 a 1, garantiu ao Fluminense a continuidade na Libertadores. O gol de Serna não decidiu sozinho o confronto, mas foi produzido por uma alteração que nasceu da observação do capitão e foi executada pelo time. Para Thiago, o desfecho confirmou o valor do trabalho coletivo e deu ao clube um resultado importante no processo de recuperação.