O Fluminense venceu o Corinthians por 3 a 1 neste domingo, na Neo Química Arena, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro, e deixou Itaquera com 48 pontos. O resultado foi construído em uma partida de mudanças constantes: o time carioca teve um bom primeiro tempo, sofreu com a pressão alvinegra depois do intervalo, cedeu o empate e voltou a crescer na reta final.
Hulk marcou duas vezes, Serna também balançou as redes e Gustavo Henrique fez o gol do Corinthians. Mais do que o placar, a capacidade de suportar o pior momento e retomar o controle foi o aspecto mais valorizado por Marcão após o apito final.
O triunfo foi apenas o terceiro do Fluminense como visitante neste Brasileirão. Por isso, além de manter a equipe na parte de cima da tabela, a vitória corrigiu parcialmente uma dificuldade específica da campanha: o desempenho fora de casa. O clube garantiu ao menos a quarta colocação durante a pausa para a Data Fifa, que começou após a rodada. Um empate entre Bahia e Athletico-PR ainda poderia levar o Tricolor ao terceiro lugar.
Pressão do Corinthians exigiu mudança no meio
O Corinthians voltou mais agressivo para o segundo tempo. A equipe passou a construir as jogadas no campo do Fluminense, pressionou a saída e manteve o adversário próximo da própria área. Na avaliação de Marcão, o problema não foi apenas a organização defensiva, mas o tempo excessivo em que o rival permaneceu com a bola e controlou o território.
O treinador explicou que o Fluminense perdeu parte da posse, justamente um dos fundamentos que vinha sendo cobrado no trabalho da equipe. Para recuperar a circulação e aproximar os setores, Paulo Henrique Ganso entrou no lugar de Lucho Acosta, que havia feito 45 minutos considerados positivos pela comissão técnica.
A alteração tinha uma finalidade clara: dar mais organização por dentro e permitir que a equipe acionasse os jogadores de velocidade. Com Ganso mais próximo da construção, Serna e Canobbio passaram a ser alternativas para as transições, enquanto Hulk ganhou liberdade para alternar entre atacar o espaço e participar das jogadas por dentro.
Marcão também contou que o Fluminense precisou adaptar sua estrutura sem a bola. Em determinados momentos, a equipe defendeu com uma linha de cinco e chegou a formar uma linha de seis jogadores para proteger a área. A escolha respondeu às variações do Corinthians, que utilizou jogadores por dentro, volante avançando e laterais em posição alta.
Segundo o técnico, manter as linhas próximas foi essencial para impedir que o adversário encontrasse espaços entre a defesa e o meio-campo. A estratégia não significou, na avaliação dele, uma desistência de pressionar, mas uma resposta ao modo como o Corinthians ocupava o campo e empurrava o visitante para trás.
Elenco experiente sustentou o plano
O empate aumentou a pressão sobre o Fluminense, mas não desorganizou a equipe. Marcão afirmou que esse controle emocional está relacionado à experiência de nomes como Fábio, Thiago, Ganso e Hulk, jogadores que, na visão do treinador, já atravessaram diferentes cenários ao longo da carreira.
A comissão técnica havia tratado desse tipo de situação antes da partida. A orientação era reconhecer quando o rival estivesse no controle, proteger os espaços e esperar o momento certo para voltar a atacar. O treinador citou os duelos recentes contra Platense e Vasco como exemplos de jogos em que o Fluminense também foi pressionado, mas conseguiu reagir.
“Não podemos perder a identidade”, afirmou Marcão ao resumir a preocupação. A ideia defendida pelo comandante é que o time não abandone suas características quando o adversário assumir a iniciativa. Ao mesmo tempo, ele reconheceu que o Fluminense não pode atuar em transição durante toda a partida, especialmente porque conta com jogadores que precisam ser utilizados de maneiras diferentes.
Hulk foi citado como exemplo. Marcão avaliou que o atacante vive uma temporada muito positiva e que o sistema deve permitir sua participação em profundidade, pelos lados e também em zonas internas. Para o treinador, deixar o camisa 7 preso a um único tipo de movimento reduziria seu impacto e comprometeria o equilíbrio coletivo.
O técnico também explicou que as decisões foram tomadas durante o jogo em conjunto com a comissão, a fisiologia e o departamento físico. Samuel sentiu um problema, enquanto Nonato apresentou queda de rendimento, fatores que influenciaram a leitura para novas mudanças. Marcão disse que chegou a considerar a entrada de mais um volante ou zagueiro, mas avaliou que isso poderia entregar ainda mais iniciativa ao Corinthians.
Hulk e Serna decidiram na reta final
Depois de atravessar o período de maior domínio corintiano, o Fluminense recuperou a capacidade de atacar. A equipe voltou a encontrar os extremos, aproveitou os espaços deixados pelo adversário e transformou a reação em gols. Serna teve participação importante também na recomposição: de acordo com Marcão, o jogador recuperou uma bola na defesa antes de avançar e marcar.
Hulk, por sua vez, foi decisivo com dois gols. O treinador ressaltou que o atacante participou das tarefas coletivas e conseguiu alternar presença na área, movimentação por dentro e ataque ao espaço. Para Marcão, a atuação mostrou o resultado do equilíbrio buscado durante a preparação da partida.
A vitória também reforçou a confiança do técnico em um elenco com alternativas para a armação. Marcão afirmou que Lucho fez uma boa etapa inicial e que Ganso havia atuado na partida anterior, indicando que a escolha entre os dois pode variar conforme o adversário e o desenho necessário para cada confronto.
Mesmo com a vitória, a partida deixou um ponto de atenção para o Fluminense: os períodos em que a equipe perde a posse e fica recuada. A comissão terá de trabalhar esse comportamento após a pausa, sem retirar do time a capacidade de se proteger e explorar a velocidade. O próximo compromisso não foi informado no material disponível, mas o resultado em Itaquera colocou o Tricolor em condição favorável na disputa pelas primeiras posições do campeonato.