Delcir Sonda destinou R$ 20 milhões ao Internacional para auxiliar na regularização de pendências financeiras com os jogadores. O aporte foi realizado antes da vitória por 2 a 1 sobre a Chapecoense, mas a contribuição não alterou o tom das críticas feitas pelo empresário e conselheiro ao momento vivido pelo clube.
A decisão de ajudar foi influenciada pelo temor de um rebaixamento para a Série B. Na avaliação de Sonda, a queda teria consequências que iriam além do desempenho esportivo, pois reduziria a capacidade de arrecadação do Internacional e tornaria mais difícil o processo de reorganização das contas.
O resultado em Chapecó encerrou uma sequência de dez partidas sem vitória do Colorado no Campeonato Brasileiro. A reação, contudo, não foi suficiente para tirar a equipe da zona de rebaixamento. Ao comentar a reta final da competição, Sonda considerou que ainda restavam 11 rodadas para o time tentar evitar a queda.
Ajuda financeira ocorreu apesar de cobrança judicial
O dinheiro colocado à disposição do clube teve como destino o pagamento de débitos com atletas. A medida ocorreu em um momento de pressão sobre o elenco e ganhou relevância pela relação conturbada entre Sonda e o Internacional.
Empresas ligadas ao empresário movem uma cobrança judicial contra o clube por valores associados a negociações antigas. Sonda afirma que o montante discutido gira em torno de R$ 60 milhões, mas existe divergência entre as partes sobre a quantia efetivamente reconhecida pelo Internacional. Assim, o valor apresentado pelo empresário não deve ser tratado como uma dívida consensualmente definida.
Mesmo com o litígio em andamento, Sonda decidiu colaborar com o futebol colorado. A contribuição foi apresentada como uma tentativa de reduzir a pressão imediata sobre o clube e preservar as condições para que o elenco continuasse concentrado na luta contra o rebaixamento.
O empresário também estimou que uma eventual queda poderia representar perda superior a R$ 100 milhões em receitas. A cifra é uma avaliação pessoal de Sonda e não corresponde a uma projeção oficial divulgada pelo Internacional. Ainda assim, o cálculo expressa a preocupação dele com o impacto que a Série B teria sobre o fluxo financeiro do clube.
Com menos receitas, o Inter teria maior dificuldade para administrar compromissos, planejar investimentos no futebol e conduzir a recuperação de suas contas. Foi nesse sentido que Sonda afirmou que, se o time fosse rebaixado, “fica muito mais difícil se levantar”. A permanência na elite foi tratada por ele como uma prioridade esportiva e financeira.
Empresário mantém críticas ao futebol colorado
A ajuda não significou uma mudança na avaliação de Sonda sobre a equipe. Depois do triunfo contra a Chapecoense, ele declarou: “Vou torcer para que dê certo, mas o time é muito ruim”. A frase foi dita ao comentar as possibilidades de reação do elenco nas 11 rodadas restantes do campeonato.
O diagnóstico negativo alcançou também a gestão de Alessandro Barcellos. Sonda fez críticas aos seis anos de administração, mencionou o crescimento da dívida e relacionou os problemas financeiros às dificuldades apresentadas pelo time em campo. Para o empresário, a situação esportiva não pode ser analisada separadamente da estrutura econômica do clube.
As categorias de base foram outro ponto citado. Na visão de Sonda, o Internacional enfrenta dificuldades para revelar e negociar jovens jogadores. Esse problema, segundo a avaliação dele, limita uma fonte de receitas que poderia ser importante em um período de endividamento e menor margem para investimentos.
A combinação entre a baixa produção do elenco, a permanência no Z-4 e o desequilíbrio financeiro sustenta o alerta feito pelo empresário. A vitória em Chapecó interrompeu o jejum, mas não resolveu a situação na classificação nem eliminou a necessidade de uma sequência consistente de resultados no restante do Brasileiro.
Sonda admite colaborar em eventual mudança política
Além da participação financeira, Sonda mantém proximidade política com Roberto Melo, pré-candidato à presidência do Internacional. O empresário afirmou que poderá colaborar caso Melo seja eleito, embora tenha indicado que questões pessoais e de saúde dificultam a possibilidade de assumir uma função fixa em uma próxima administração.
A posição reforça que o envolvimento de Sonda com o clube não se limita ao aporte emergencial. Ele também manifesta preocupação com o modelo de gestão, com a formação do elenco e com a capacidade de o Internacional gerar recursos próprios. Ao mesmo tempo, a existência da cobrança judicial mostra que a relação entre o empresário e a instituição permanece marcada por interesses financeiros em disputa.
Por enquanto, o foco imediato apontado por Sonda está na luta contra a queda. O triunfo sobre a Chapecoense ofereceu algum alívio após dez jogos sem vencer, mas o Inter continuou entre os últimos colocados. Para o empresário, os resultados das rodadas restantes terão peso não apenas na temporada, mas também na capacidade de o clube preservar receitas e avançar na recuperação financeira.