O aporte de R$ 20 milhões feito por Delcir Sonda ao Internacional recolocou o empresário no centro das discussões políticas do clube. O dinheiro foi destinado a auxiliar na regularização de pendências salariais com os jogadores e no reforço do fluxo de caixa colorado, em um período de pressão financeira e proximidade da eleição que definirá a administração responsável pelo próximo triênio.
A operação foi intermediada por Roberto Melo, pré-candidato à presidência do Inter, depois de um encontro entre os dois em São Paulo. O clube confirmou oficialmente o recebimento da contribuição. Embora o auxílio tenha impacto imediato sobre compromissos com o elenco, a movimentação também reabriu a possibilidade de Sonda participar de maneira mais direta da próxima estrutura política do Internacional.
NOTAS DA TORCIDA
Avalie os jogadores do Internacional nessa partida
O cenário mais encaminhado é a renovação do mandato do empresário no Conselho Deliberativo. O período de seis anos está chegando ao fim, e a tendência é que seu nome apareça entre os integrantes ligados ao Movimento Inter Grande (MIG), grupo que deve participar da disputa eleitoral. Essa alternativa permitiria a continuidade da atuação institucional de Sonda sem necessariamente exigir que ele assumisse uma função executiva.
Vice-presidente dependeria de decisão pessoal
Também existe a possibilidade de Sonda ser incluído na chapa de Roberto Melo como vice-presidente eleito. Nesse caso, ele passaria a integrar o Conselho de Gestão e teria participação direta nas decisões administrativas e estratégicas do clube. A hipótese, porém, ainda está em fase de discussão e depende tanto das conversas políticas quanto da disposição do empresário para exercer uma atividade executiva.
O envolvimento de Sonda com o cotidiano do Inter pode ser influenciado por questões pessoais. Ele enfrenta problemas de saúde e cogita voltar a morar em Porto Alegre, o que o deixaria mais próximo do clube. A mudança é tratada como uma possibilidade, não como uma decisão tomada, e sua eventual presença na próxima gestão continua condicionada à vontade do próprio empresário.
Dentro do grupo de oposição, Sonda é considerado alguém capaz de contribuir mesmo sem ocupar um cargo formal. A avaliação está relacionada à sua experiência e à relação histórica com o Internacional. Por isso, a eventual participação em uma administração não depende apenas de um convite: também seria necessário que o empresário aceitasse assumir a rotina e as responsabilidades de uma função no clube.
Relação com Roberto Melo vem da eleição de 2023
A aproximação entre Sonda e Melo não começou com o aporte financeiro. Os dois estiveram na mesma articulação na eleição de 2023, quando o então candidato apresentou o empresário como nome para uma vice-presidência de investimentos no futebol caso a chapa vencesse. Sonda havia aceitado a proposta e demonstrado interesse em colaborar com a estruturação do departamento de futebol e das categorias de base.
A chapa, entretanto, foi derrotada por Alessandro Barcellos. Com uma nova eleição no horizonte, a relação voltou a ganhar relevância depois da contribuição de R$ 20 milhões. Se Melo confirmar a candidatura e vencer a votação, Sonda poderá ser convidado a desempenhar um papel mais próximo na administração, embora ainda não exista definição sobre o cargo.
A contribuição financeira, portanto, não confirma a participação do empresário em uma chapa. O resultado eleitoral será determinante para qualquer mudança na sua posição dentro do clube. Caso a candidatura de Melo não prevaleça, a renovação do mandato no Conselho Deliberativo aparece como o caminho mais provável para a continuidade de Sonda na vida política colorada.
Empresário já participou de operações do futebol
A influência de Sonda no Internacional também está ligada a episódios anteriores de colaboração financeira. Conforme as informações reunidas pelas fontes, o empresário participou de operações importantes do mercado da bola, entre elas as contratações de D’Alessandro e Kleber. Esse histórico ajuda a explicar por que seu nome permanece relevante entre os grupos que discutem os rumos administrativos e esportivos do clube.
A relação ultrapassa a disputa eleitoral porque Sonda já esteve associado a diferentes momentos do Inter. Ao mesmo tempo, sua nova aproximação ocorre em uma conjuntura distinta, marcada pela necessidade de honrar compromissos com o elenco e pela discussão sobre o futuro financeiro da instituição. O aporte foi direcionado às pendências com os jogadores e não representa, por si só, a definição de um projeto de gestão.
O Internacional deverá enviar ao empresário uma camisa autografada pelo elenco como forma de agradecimento pela contribuição, conforme informou o Bolavip Brasil. O gesto está relacionado ao auxílio financeiro concedido ao clube e não altera a indefinição sobre eventual cargo na próxima administração.
Aporte não se confunde com cobrança judicial
A doação também é tratada separadamente da disputa judicial envolvendo o Internacional e a DIS Esportes. A empresa ligada à família Sonda mantém uma cobrança contra o clube por negócios anteriores, mas o valor enviado para auxiliar no pagamento das pendências salariais foi apresentado como uma operação distinta desse processo.
Com isso, o empresário volta a ocupar espaço em duas frentes relacionadas ao Internacional: a financeira e a política. No curto prazo, os R$ 20 milhões ajudam o clube a lidar com obrigações diante do elenco. No ambiente eleitoral, a contribuição reforça o peso de um nome que já participou de articulações e investimentos ligados ao Colorado.
Por enquanto, a renovação do mandato de conselheiro é a alternativa mais provável. A possibilidade de uma vice-presidência e de um assento no Conselho de Gestão permanece aberta, especialmente em caso de vitória de Roberto Melo. Qualquer definição, contudo, dependerá do resultado da eleição e da decisão de Delcir Sonda sobre o nível de envolvimento que pretende ter no futuro do Internacional.