Clarence Seedorf assume o Corinthians em momento crítico, com a equipe em risco de rebaixamento.Foto: Reprodução da Internet
Clarence Seedorf iniciou nesta quarta-feira (14) a trajetória como técnico do Corinthians. O holandês desembarcou em São Paulo vindo de Madri e seguiu para o CT Joaquim Grava, onde começou a preparação para assumir uma equipe pressionada pela campanha no Campeonato Brasileiro. O primeiro compromisso sob seu comando está previsto para segunda-feira (19), contra o Vitória, na Neo Química Arena.
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A contratação foi anunciada pelo Corinthians após a saída de Fernando Diniz, demitido depois da derrota para o Internacional. O vínculo de Seedorf com o clube é válido até o fim de 2027. A missão imediata, porém, está concentrada na reta final da atual edição do Brasileirão: o time ocupa a 16ª posição, com 32 pontos, mesma pontuação do Internacional, primeiro integrante da zona de rebaixamento.
Chegada ao CT foi organizada com discrição
O desembarque ocorreu por volta das 6h30, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Para evitar o contato com a imprensa, o treinador utilizou uma área privada do Terminal 2, onde não eram permitidas gravações nem fotografias. Seedorf estava acompanhado do auxiliar Pablo López Vidal e deixou o local em uma van.
O executivo de futebol Marcelo Paz recebeu o novo comandante no aeroporto e entregou a ele uma camisa do Corinthians. Além do dirigente, integrantes do clube acompanharam o trajeto até o centro de treinamento. A programação inicial previa dois períodos de atividades ainda nesta quarta-feira e uma entrevista coletiva de apresentação no CT Joaquim Grava.
A chegada ocorre depois de uma sequência de oito derrotas consecutivas do Corinthians no Brasileirão. Com oito rodadas restantes, segundo a apuração divulgada sobre o momento do clube, o treinador terá uma janela curta para conhecer o elenco, reorganizar a rotina de trabalho e preparar a equipe para o duelo com o Vitória. O cenário faz da estreia uma etapa relevante, mas não encerra a pressão por uma reação sustentada nas partidas seguintes.
Embora o acordo se estenda até o fim de 2027, o trabalho começa sob uma necessidade de curto prazo. A pontuação do Corinthians deixa pouca margem para perdas na parte final do campeonato, especialmente porque o clube está empatado com o primeiro time do Z-4. A prioridade esportiva é interromper a série negativa e recuperar capacidade de pontuar antes que a disputa contra o rebaixamento se torne ainda mais apertada.
O presidente Osmar Stabile afirmou, no anúncio oficial, que a escolha foi baseada no perfil de trabalho considerado adequado para o Corinthians. Marcelo Paz também destacou a experiência de Seedorf no futebol e o conhecimento prévio do país. As declarações foram apresentadas pelo clube e acompanharam a confirmação do contrato do treinador.
O nome do holandês, contudo, não foi consenso entre os dirigentes. Parte dos responsáveis pelo futebol defendia a contratação de um profissional familiarizado com o Corinthians ou com campanhas de permanência na Série A. A direção optou por outro perfil, apostando no prestígio internacional, na personalidade e na liderança construídos por Seedorf durante a carreira como jogador.
Antes do acordo, o Corinthians também procurou Ramón Díaz, Zubeldía, Fábio Carille e Sylvinho, conforme as informações reunidas na apuração. A escolha final recaiu sobre Seedorf, que passa a comandar o clube em um período no qual a experiência acumulada como atleta precisará ser convertida rapidamente em decisões de campo.
Experiência como treinador é mais curta
Seedorf retorna ao futebol brasileiro em uma função diferente da que exerceu no Botafogo, clube que defendeu entre 2012 e 2013. Como jogador, o holandês também passou por Ajax, Real Madrid e Milan e conquistou quatro títulos da Liga dos Campeões. No Corinthians, porém, será avaliado pelo trabalho à frente da comissão técnica.
O último cargo de treinador ocupado por Seedorf foi na seleção de Camarões, em 2019. Antes disso, ele comandou Milan, Shenzhen FC e Deportivo La Coruña. Desde então, ficou mais de sete anos sem dirigir uma equipe, período em que passou a atuar nos Países Baixos como conselheiro, ao lado de Nigel de Jong, diretor das seleções da federação local.
Os números disponíveis sobre sua carreira à beira do campo apontam 63 partidas, com 20 vitórias, 17 empates e 26 derrotas. As equipes dirigidas por ele marcaram 70 gols, sofreram 84 e terminaram 19 jogos sem serem vazadas. Uma das fontes apresenta aproveitamento de 40,7%, enquanto outra indica 39,15%; por isso, o retrospecto é mais seguro quando observado pelos resultados absolutos.
O período sem comandar um time profissional aumenta o desafio de adaptação, mas não permite concluir antecipadamente como será o desempenho no Corinthians. A resposta dependerá do trabalho realizado no CT, das escolhas para o elenco e da capacidade de transformar a mudança de treinador em pontos na tabela.
Mudança na preparação física
A comissão técnica não será a única alteração na estrutura do futebol. Reverson Pimentel, chefe do departamento de performance do Corinthians, assumirá a preparação física da equipe nesta reta final de temporada. No clube desde 2024, o profissional soma 24 anos de experiência na área e acumula passagens por equipes do futebol brasileiro.
A troca ocorre junto com a chegada de Seedorf e acrescenta uma frente de reorganização ao trabalho no CT Joaquim Grava. O novo treinador precisará integrar a comissão, avaliar as condições do elenco e estabelecer rapidamente suas prioridades para a sequência do campeonato.
O confronto com o Vitória, marcado para segunda-feira (19), às 20h, será o primeiro momento público para observar as escolhas do holandês. Até lá, os treinamentos e a apresentação oficial devem indicar como o Corinthians pretende iniciar a tentativa de recuperação. A equipe chega ao novo ciclo com contrato de longo prazo para o técnico, mas com uma urgência que exige resposta já nas próximas rodadas. O contexto também se conecta aos bastidores da nova era de Seedorf sob pressão e ao anúncio oficial da contratação.