A eliminação do Santos para o Atlético-MG na Copa Sul-Americana aumentou a pressão sobre Cuca, mas não alterou, até o momento, o plano da diretoria para o comando da equipe. O Peixe perdeu por 4 a 2 no tempo regulamentar, viu o confronto terminar empatado no placar agregado e acabou derrotado nos pênaltis.
A repercussão negativa partiu principalmente da torcida, que questionou as escolhas do treinador e o desempenho apresentado na Arena MRV. Internamente, porém, a avaliação não aponta para uma saída imediata. A diretoria mantém o técnico respaldado, embora uma queda acentuada de rendimento e uma sequência de resultados ruins possam mudar esse entendimento.
O clube também não oficializou qualquer decisão de desligamento. Assim, o cenário indicado pelas informações disponíveis é de permanência de Cuca no curto prazo, com o desempenho no Campeonato Brasileiro funcionando como fator importante para a continuidade do trabalho.
Início comprometeu estratégia santista
O Santos chegou a Belo Horizonte com vantagem de 2 a 0, construída no jogo de ida. A equipe, contudo, sofreu o primeiro gol praticamente no início da partida, aos 17 segundos, em lance que Cuca classificou como consequência de uma falha de domínio e de falta de maturidade.
O técnico afirmou que o time demorou a entrar no confronto e reconheceu que alguns jogadores sentiram o peso da decisão. O Atlético-MG aproveitou o momento de instabilidade e foi para o intervalo vencendo por 3 a 1, resultado que recolocava o time mineiro em vantagem no placar agregado.
Na avaliação de Cuca, o primeiro tempo ficou abaixo do padrão apresentado pelo Santos em partidas recentes. Ele, no entanto, considerou que a equipe reagiu na etapa final e voltou a atuar de maneira mais próxima do que vinha produzindo antes da eliminação.
O treinador também defendeu as decisões tomadas durante o jogo. Arthur começou no banco porque, segundo Cuca, ainda não reúne condição física para atuar por mais de um tempo. A ideia era aproveitar o meio-campista na segunda etapa, quando sua participação poderia ter maior impacto.
A escolha produziu efeito no segundo tempo. Arthur participou da jogada que terminou com o gol de Gabigol, responsável por recolocar o Santos à frente no placar agregado. A reação, porém, não foi suficiente para garantir a classificação.
Gol no fim levou decisão aos pênaltis
Quando o Santos parecia controlar a reta final, o Atlético-MG voltou a marcar. Cuello apareceu livre na área e fez o gol de cabeça que levou a disputa para as penalidades. Cuca atribuiu o lance a um erro de posicionamento, apesar das mudanças realizadas para proteger a equipe contra as bolas aéreas adversárias.
O treinador explicou que reforçar a defesa era uma decisão coerente com a forma de ataque do Atlético-MG, especialmente pela presença de jogadores capazes de cruzar e disputar bolas pelo alto. Na visão dele, a alteração tática não foi o problema central; a falha esteve na organização do lance que terminou no empate.
Nos pênaltis, o Atlético-MG venceu por 3 a 1 e avançou. O goleiro Gabriel Delfim defendeu três cobranças do Santos. Gabigol, João Schmidt e Arthur desperdiçaram suas tentativas, enquanto a equipe mineira confirmou a classificação para a fase seguinte.
Mesmo com a derrota, Cuca sustentou que o Santos havia produzido o bastante para avançar, principalmente pela reação no segundo tempo. A leitura do treinador não elimina a cobrança interna, mas ajuda a explicar por que a diretoria não tratou a eliminação como motivo automático para interromper o trabalho.
Brasileirão passa a definir continuidade
Fora da Sul-Americana, o Santos concentra sua temporada no Campeonato Brasileiro. Antes da eliminação, a equipe havia obtido resultados que ajudaram a se afastar da zona de rebaixamento e a recuperar algum equilíbrio na competição. Esse desempenho é o principal argumento esportivo para a manutenção de Cuca.
O time aparece em posição intermediária na tabela, segundo as informações reunidas sobre o momento da equipe, e ainda busca transformar a recuperação recente em uma campanha mais segura. Para a diretoria, a avaliação do treinador não depende apenas de uma partida eliminatória, mas da capacidade de o Santos manter evolução no torneio nacional.
A sequência também será observada com atenção porque a eliminação aumentou a margem para questionamentos. Uma série de derrotas ou uma queda expressiva de rendimento pode reabrir a discussão sobre o comando técnico. Por enquanto, contudo, não há indicação de demissão imediata.
O próximo compromisso do Santos será contra o Remo, pelo Campeonato Brasileiro, no Mangueirão, em partida marcada para sábado, às 18h30, no horário de Brasília. O confronto será a primeira oportunidade para Cuca responder em campo à pressão gerada pela queda diante do Atlético-MG.
Mais do que apagar a eliminação, o resultado diante do Remo poderá indicar a reação do elenco e preservar o ambiente para a sequência nacional. A diretoria santista, conforme o cenário apurado, decidiu manter o treinador, mas a continuidade seguirá ligada à produção da equipe e à capacidade de evitar uma nova sequência negativa.