O Atlético-MG terá de transformar a força da Arena MRV em gols para seguir na Copa Sul-Americana. Nesta quarta-feira, às 19h (de Brasília), o time mineiro recebe o Santos pelo jogo de volta das quartas de final, depois de perder por 2 a 0 na Vila Belmiro. A equipe precisa vencer por pelo menos três gols de diferença para garantir a classificação no tempo regulamentar.
Uma vitória atleticana por dois gols leva a definição para a disputa prevista no regulamento da competição. Qualquer resultado que não seja suficiente para retirar a vantagem construída na partida de ida coloca o Santos nas semifinais. O cenário exige uma atuação ofensiva do Galo, mas também impõe cuidado para que a equipe não ofereça espaços capazes de facilitar a missão santista.
O duelo ganhou uma camada adicional de repercussão depois do bate-boca entre Neymar e torcedores do Atlético durante o primeiro encontro. O atacante do Santos não esteve em campo. Em recuperação de um problema na coxa direita, ele acompanhou a partida em um camarote da Vila Belmiro e reagiu a xingamentos direcionados a ele por torcedores atleticanos.
Entre as provocações, Neymar foi chamado de fraco e ouviu referências às condições do joelho. A resposta do jogador foi registrada em vídeo: ele afirmou que, mesmo sem o joelho em boas condições, jogaria melhor do que todo o time adversário. O episódio passou a circular nas redes sociais e alcançou o ambiente do Atlético antes da partida decisiva em Belo Horizonte.
Jogadores do Atlético evitam transformar Neymar no centro do duelo
Apesar da repercussão, o elenco atleticano adotou uma postura de distanciamento. Fred, que esteve ao lado de Neymar na Copa do Mundo de 2022, não quis comentar diretamente a atitude do atacante. O meia preferiu falar sobre o peso da partida para a temporada, para a torcida e para o clube, além de destacar a dificuldade de atuar contra o Atlético em seu estádio.
Na avaliação de Fred, o grupo deve responder no campo e concentrar seus esforços em uma boa atuação. O jogador ressaltou que o confronto é importante para o Atlético e indicou que a equipe pretende buscar a vitória desde o início, sem permitir que a discussão fora das quatro linhas desvie a atenção do objetivo esportivo.
Reinier seguiu o mesmo caminho ao ser questionado sobre as declarações. O jogador reconheceu que Neymar tem o direito de se manifestar, mas disse que a preparação do Atlético está direcionada à partida, à vitória e à classificação. Para o meia, a prioridade do clube é tentar mudar a situação criada pelo resultado em Santos.
A escolha por não alimentar a polêmica também apareceu na fala do técnico Eduardo Domínguez. Questionado após a vitória sobre o Fluminense, no fim de semana, o treinador afirmou que não acompanha os jornais e que não pretende entrar em conflito com Neymar. Domínguez disse respeitar o atacante e o classificou como um grande jogador, mas deixou claro que sua atenção está voltada ao Atlético.
O técnico argentino também citou a responsabilidade de representar o clube, a torcida e o grupo de jogadores. Em vez de responder às provocações, Domínguez preferiu reforçar a identidade do elenco e a necessidade de encarar a eliminatória com foco próprio. A postura mantém a discussão em segundo plano e preserva a preparação para uma partida em que o aspecto emocional pode ter peso.
Neymar defende provocação dentro dos limites do respeito
Depois do jogo de ida, Neymar publicou nas redes sociais um vídeo com imagens do episódio e explicou como interpretou a situação. O atacante afirmou que a provocação faz parte do futebol quando permanece dentro dos limites do respeito. Também disse que respondeu aos torcedores, mas que não ficou com mágoa do episódio.
Na manifestação, o jogador separou a rivalidade de atitudes violentas. Neymar citou partidas antigas marcadas por brincadeiras entre atletas e torcedores e afirmou que considera saudável esse tipo de interação. Também mencionou ter amigos que torcem para diferentes clubes, entre eles atleticanos e cruzeirenses, para reforçar que as provocações não deveriam ultrapassar o ambiente esportivo.
Neymar ainda declarou respeito pelo Atlético e pela torcida mineira. A mensagem publicada pelo atacante procurou enquadrar a discussão como parte da rivalidade do futebol, e não como um conflito pessoal ou institucional. Mesmo assim, o episódio acrescentou interesse à partida de volta, principalmente porque o Santos chega a Belo Horizonte defendendo uma vantagem importante.
O atacante santista, porém, continua fora da disputa em campo por causa da recuperação da lesão na coxa direita. Sua participação na série entre as equipes ficou restrita, até o momento, à presença no camarote durante o jogo da Vila Belmiro e à repercussão posterior das provocações. A vantagem de 2 a 0 foi construída pelos jogadores que atuaram no primeiro confronto.
Cuello retorna em uma partida que exige equilíbrio
O Atlético terá Cuello à disposição para o reencontro. O argentino ficou fora do jogo de ida porque cumpria suspensão e volta justamente no momento em que o time precisa aumentar sua capacidade ofensiva. Sua presença oferece ao treinador mais uma alternativa para organizar o ataque e tentar pressionar o Santos desde os minutos iniciais.
A necessidade de buscar gols não elimina a obrigação de manter a organização defensiva. Como o Santos marcou duas vezes na Vila Belmiro, um gol visitante na Arena MRV tornaria ainda mais difícil a missão atleticana. O time mineiro, portanto, precisa combinar volume de ataque com controle para não permitir que a equipe paulista encontre espaços em transições.
O apoio da torcida será um dos elementos do jogo, mas a classificação dependerá da eficiência do Atlético dentro da área adversária. A equipe terá de construir uma diferença mínima de três gols para evitar uma definição mais dramática. Ao Santos caberá administrar a vantagem sem abandonar a possibilidade de explorar os momentos em que o rival se expuser.
Com as declarações públicas reduzidas e os dois clubes concentrados em seus objetivos, a eliminatória chega à decisão em Belo Horizonte sob uma condição simples: o placar terá mais peso do que a repercussão do bate-boca. O Atlético tenta transformar a insatisfação da torcida em desempenho e gols; o Santos entra em campo para proteger o resultado obtido em casa e confirmar a vaga na próxima fase da Copa Sul-Americana.