Cuca deixou a entrevista coletiva após a eliminação do Santos na Copa Sul-Americana em meio a uma discussão sobre decisões táticas e uma comparação com a final da Libertadores de 2020. Depois da derrota por 4 a 2 para o Atlético-MG, na Arena MRV, o treinador foi questionado sobre a semelhança entre o gol sofrido nos acréscimos e o lance que definiu a derrota para o Palmeiras na decisão continental de cinco anos atrás. A reação foi imediata: ele classificou a pergunta como “oportunista”.
O resultado levou a série das quartas de final para os pênaltis. O Santos havia vencido o primeiro confronto por 2 a 0, mas o Atlético-MG igualou o placar agregado em 4 a 4 no tempo normal e venceu as cobranças por 3 a 1. Gabriel Delfim defendeu três finalizações santistas, enquanto Gabigol errou a primeira cobrança do time paulista.
A pergunta também envolvia a opção de Cuca por reforçar a defesa no segundo tempo. Quando o placar estava em 3 a 2 para o Atlético, resultado que ainda classificava o Santos, Rony deixou o campo para a entrada do zagueiro João Ananias. O treinador passou a trabalhar com uma linha de cinco jogadores na tentativa de proteger a vantagem construída no jogo de ida.
A defesa de Cuca para a linha de cinco
Na explicação apresentada pelo técnico, a alteração tinha relação direta com a forma como o adversário ocupava a área. Cuca citou a presença de jogadores do Atlético-MG preparados para cruzamentos, como Gustavo Scarpa e Cuello, e afirmou que a equipe precisava estar pronta para conter as bolas aéreas. Para ele, a adoção do terceiro zagueiro não significou uma postura passiva nem provocou, por si só, a pressão mineira.
“A primeira pergunta sua é oportunista, mas eu respeito. Futebol é assim. Se não toma o gol, essa pergunta não existia”, afirmou Cuca na coletiva. O treinador sustentou que o Santos tinha cinco jogadores na linha defensiva para enfrentar três adversários na área e que repetiria as decisões tomadas durante a partida.
O gol que mudou o destino do confronto saiu já nos minutos finais, em uma jogada pelo alto. Cuca classificou o lance como um erro de posicionamento, mas evitou apontar publicamente um responsável individual. Na avaliação dele, a equipe estava organizada no momento do cruzamento e o Atlético não havia criado uma sequência de oportunidades claras durante a segunda etapa.
“Não tem um jogador que é responsável, ou o treinador é o culpado porque pôs o terceiro zagueiro e chamou o Atlético para cima. Eles não vieram para cima, não tiveram chances para fazer o gol, já eram 47 minutos”, declarou o técnico.
A discussão continuou mesmo depois que outro jornalista iniciou uma nova pergunta. Cuca interrompeu o repórter e voltou ao questionamento inicial, que associava o lance da Arena MRV ao gol de cabeça marcado por Breno Lopes na final da Libertadores de 2020. Naquela decisão, o Santos, também comandado por Cuca, perdeu para o Palmeiras nos minutos finais.
“Que estranho você fazer essa pergunta: ‘você perdeu uma Libertadores porque tomou um gol’. É brincadeira fazer uma analogia do lance da Libertadores com esse aqui. Isso é oportunismo”, disse o treinador, reiterando a crítica ao jornalista.
Escolhas contestadas e início difícil
A estratégia não foi a única decisão de Cuca que entrou no debate após a partida. O treinador iniciou o confronto com Schmidt no lugar de Christian Oliva, escolha que recebeu críticas de torcedores. Na coletiva, porém, ele rejeitou a ideia de que a presença ou a ausência de um jogador específico explicasse o gol sofrido nos acréscimos. Segundo Cuca, o Santos já tinha Oliva em campo quando a jogada aconteceu.
O comandante também reconheceu que a equipe começou mal. Bernard abriu o placar antes de um minuto, em um lance que teve origem em uma falha de Luan Peres. Cuca afirmou que o Santos levou cerca de 20 a 25 minutos para compreender melhor o jogo e ainda lamentou o terceiro gol do Atlético antes do intervalo, em outra jogada iniciada por cruzamento.
Mesmo com os problemas defensivos, o treinador avaliou que o comportamento santista mudou depois do intervalo. Ele disse que a equipe voltou com mais confiança, maturidade e personalidade, passou a controlar o jogo e criou possibilidades para evitar a eliminação no tempo normal.
Os números citados na apuração ajudam a explicar a leitura feita por Cuca. O Atlético-MG acertou cinco finalizações no gol defendido por Brazão, enquanto o Santos teve 17 finalizações no total, contra 12 do adversário. A equipe paulista também terminou com vantagem no número de passes: 504 a 477. O dado, contudo, não impediu que o time mineiro marcasse quatro vezes e levasse a decisão para as penalidades.
Para Cuca, a estatística mais significativa foi o aproveitamento ofensivo do rival: das cinco finalizações na direção da meta santista, quatro terminaram em gol. O técnico considerou especialmente evitável o último lance, justamente porque ocorreu quando o Santos já estava “super montado” com a linha de cinco.
Brasileirão vira prioridade do Santos
A eliminação encerrou a participação santista na Sul-Americana e deixou o Campeonato Brasileiro como único compromisso restante no calendário informado pelas fontes. O próximo jogo está marcado para sábado (19), às 19h, contra o Remo, no Mangueirão, pela 28ª rodada.
Antes da partida em Belém, o Santos aparecia na décima colocação, com 35 pontos. A equipe precisará retomar a competição nacional depois de desperdiçar a vantagem de dois gols construída na ida e deixar a classificação escapar em uma noite marcada por falhas defensivas, decisões táticas contestadas e pela resposta ríspida de Cuca à comparação com o episódio de 2020.