O Santos pode enfrentar penalidades futuras na Fifa, mas a perda de pontos não é imediata.Foto: Reprodução da Internet
O Santos enfrenta um problema financeiro na Fifa que ultrapassa a dificuldade para contratar reforços. O clube chegou a ter sete transfer bans ativos, o que provocou preocupação entre torcedores sobre a possibilidade de uma punição esportiva no Campeonato Brasileiro, incluindo a perda de pontos. A existência dos bloqueios, porém, não produz automaticamente esse tipo de consequência.
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As avaliações dos especialistas ouvidos sobre o caso indicam que uma sanção mais grave dependeria da continuidade do descumprimento das decisões e da análise dos órgãos disciplinares da Fifa. No cenário atual, a consequência prática mais direta para o Peixe é a proibição de registrar novos jogadores enquanto as pendências não forem regularizadas ou retiradas do sistema da entidade.
O que os sete transfer bans representam
O transfer ban é uma restrição aplicada ao clube que deixa de cumprir uma obrigação financeira reconhecida em processo esportivo. Durante a vigência do bloqueio, a equipe fica impedida de registrar atletas. A medida afeta diretamente o planejamento do futebol, porque limita a chegada de reforços e pode dificultar a recomposição do elenco.
O Santos já quitou as dívidas que deram origem a três dos sete bloqueios. Mesmo assim, essas punições ainda aparecem no sistema da Fifa enquanto o processo de atualização não é concluído. A permanência temporária dos registros ativos ajuda a explicar por que o número ainda causa apreensão, embora o clube afirme ter solucionado parte das pendências.
Os outros quatro casos estão ligados ao técnico Pedro Caixinha e a integrantes de sua antiga comissão técnica. Somadas, as condenações ultrapassam R$ 15 milhões, considerando juros, multas e correções. Esse conjunto de processos representa a parte mais pesada do passivo atualmente associado aos transfer bans do Santos.
O quadro já havia sido relacionado ao crescimento das restrições internacionais enfrentadas pelo clube, como mostra o levantamento sobre o acúmulo de sete transfer bans do Santos. A regularização dos casos depende da capacidade financeira da diretoria e da formalização das baixas junto à Fifa.
Por que a perda de pontos não é automática
André Ribeiro, advogado e mestre em direito desportivo internacional, explicou que o Código Disciplinar da Fifa prevê medidas mais severas quando há reincidência e persistência no descumprimento. Na avaliação do especialista, o clube pode ser submetido a uma punição mais pesada se continuar sem pagar a dívida mesmo depois de sofrer as sanções iniciais.
Ribeiro citou o artigo 21 D do Código Disciplinar da Fifa. Segundo ele, a entidade pode agir em situações de ofensas repetitivas, especialmente quando o clube recebe um transfer ban, permanece impedido de contratar e não resolve a obrigação correspondente. Ainda assim, não há uma quantidade fixa de bloqueios que determine, por si só, a retirada de pontos.
Esse aspecto é central para entender o caso santista. Sete transfer bans não formam um gatilho automático para uma punição no Campeonato Brasileiro. A eventual aplicação de uma medida esportiva mais dura dependeria de decisão do órgão competente da Fifa, que avaliaria as circunstâncias e o tempo de permanência do descumprimento.
Na projeção apresentada pelo especialista, o tema poderia ganhar maior relevância apenas em 2028 caso o Santos permanecesse impedido de registrar atletas durante três janelas de transferências sem quitar os débitos. A referência não representa uma punição já determinada, mas uma hipótese condicionada à continuidade da inadimplência e ao cumprimento das etapas previstas no regulamento.
Comparação com o Cruzeiro exige cuidado
O caso do Cruzeiro, que perdeu seis pontos na Série B de 2020 por determinação da Fifa, costuma ser lembrado quando se fala em possíveis punições esportivas por dívidas. No entanto, Rodrigo Marrubia, advogado especialista em direito desportivo, destacou que a regulamentação daquele período era diferente da atual.
Na ocasião, o transfer ban ainda não estava estabelecido como a primeira medida aplicada em situações desse tipo. Por isso, a comparação não permite concluir que o Santos receberá a mesma punição ou que a perda de pontos esteja próxima. Antes de uma consequência esportiva mais severa, o clube teria de passar pelas etapas previstas no modelo atualmente utilizado pela entidade.
Nova cobrança pode ampliar a pressão
Além dos quatro processos vinculados à comissão de Pedro Caixinha, o Santos pode receber uma nova punição por causa de uma dívida com o Al-Markhiya, do Catar. A cobrança é de aproximadamente R$ 2,2 milhões e está relacionada à contratação do atacante Yusupha Njie.
O caso ainda é tratado como possibilidade de novo transfer ban, e o material disponível não indica que tenha provocado perda de pontos ou outra punição no Campeonato Brasileiro. Se houver uma decisão desfavorável e o bloqueio for aplicado, a consequência inicial prevista seria novamente a restrição para registrar jogadores.
A diretoria santista tenta levantar recursos para enfrentar o passivo. O clube também afirma ter cerca de R$ 170 milhões a receber de outras equipes. Esses valores são apontados pelo Santos como parte das receitas que ainda precisam entrar nos cofres, mas não representam, por si só, a quitação imediata das condenações na Fifa.
Assim, o risco mais concreto no momento é a continuidade das limitações no mercado de transferências, e não uma perda imediata de pontos. O Santos precisa confirmar a retirada dos três bloqueios já pagos, resolver os quatro processos restantes e acompanhar a cobrança do Al-Markhiya. Uma punição esportiva mais grave dependeria de novas decisões da Fifa e da persistência do descumprimento, não apenas do número de transfer bans acumulados.