O Santos ainda enfrenta quatro punições na Fifa, totalizando uma dívida superior a R$ 15 milhões.Foto: Reprodução da Internet
O Santos reduziu de sete para quatro o número de transfer bans ativos na Fifa. O clube quitou quase R$ 950 mil em débitos relacionados ao mecanismo de solidariedade e, com isso, conseguiu retirar três punições registradas pela entidade. A medida representa um alívio parcial, mas não permite ao Peixe considerar resolvida a restrição para registrar novos jogadores.
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As dívidas pagas estavam vinculadas às negociações do zagueiro João Basso, do meia Benjamín Rollheiser e do atacante Álvaro Barreal. O mecanismo de solidariedade prevê que clubes formadores recebam uma parcela de transferências internacionais envolvendo atletas que passaram por suas categorias de base. Quando esses repasses não são realizados, os credores podem buscar a Fifa para cobrar os valores.
Um dos débitos quitados pelo Santos era de US$ 55 mil, estimado em aproximadamente R$ 275 mil. As outras duas pendências somavam 120 mil euros, equivalentes a cerca de R$ 671 mil. A soma divulgada pelas fontes fica próxima de R$ 950 mil, embora outra apuração tenha mencionado valor superior, de aproximadamente R$ 1,5 milhão, para o conjunto dos acordos e trâmites.
Os pagamentos envolveram cinco clubes ligados à formação ou às transferências dos atletas. No caso de Basso, a cobrança estava relacionada ao Paraná Clube. A negociação de Barreal envolvia o Vélez Sarsfield, da Argentina. Já a chegada de Rollheiser ao Santos gerou pendências associadas a Estudiantes, Sarmiento e River Plate. Com a regularização dos débitos, os três bloqueios deixaram de constar como ativos.
A redução do número de sanções não significa que o Santos esteja liberado para atuar normalmente no mercado. As quatro punições restantes estão relacionadas a valores devidos ao ex-técnico Pedro Caixinha e a integrantes de sua comissão técnica. O treinador português deixou o clube em abril de 2025, mas os pagamentos previstos nas rescisões não teriam sido realizados integralmente.
Os profissionais recorreram à Fifa e obtiveram decisões favoráveis. A diretoria santista tentou negociar o parcelamento dos débitos, porém não chegou a um acordo com os credores. Os casos também foram analisados pela Corte Arbitral do Esporte, a CAS, que manteve as condenações impostas ao clube.
Há diferença entre as estimativas divulgadas para esse passivo. Uma das apurações aponta que as cobranças superam R$ 15 milhões, enquanto outra calcula uma dívida próxima de R$ 18 milhões. Como os valores não coincidem, o dado confirmado pelo conjunto das informações é que o débito ultrapassa R$ 15 milhões e permanece sem solução definitiva.
Esse passivo é maior do que as pendências que já foram pagas e, por isso, representa o principal obstáculo financeiro do Santos no curto prazo. A retirada dos três bloqueios melhora o quadro jurídico, mas não elimina a impossibilidade de registrar reforços enquanto as demais condenações continuarem vigentes. O clube precisa tratar cada processo separadamente para reduzir as restrições.
Caso Yusupha Njie pode ampliar o problema
Além das quatro punições ativas, o Santos enfrenta o risco de uma nova sanção por causa da dívida envolvendo Yusupha Njie. O atacante gambiano pertence ao Al-Markhiya, do Catar, e foi emprestado ao Peixe em 2024. Durante a passagem pelo clube brasileiro, ele não disputou partidas oficiais.
Para encerrar o empréstimo antes do prazo previsto, as partes firmaram um acordo de 350 mil euros, dividido em sete parcelas. Segundo as informações apuradas, os pagamentos não foram realizados. Diante do descumprimento, o Al-Markhiya acionou a Fifa para cobrar o valor relacionado à rescisão antecipada do vínculo.
A entidade reduziu o principal da cobrança para 332,5 mil euros. Com os acréscimos previstos na decisão, a condenação chegou a aproximadamente 399 mil euros, quantia estimada em cerca de R$ 2,2 milhões. O Santos recorreu à CAS, mas não conseguiu modificar o resultado do processo.
O caso de Njie, contudo, precisa ser diferenciado das quatro punições já ativas. As informações disponíveis indicam que existe risco de um novo transfer ban, mas não confirmam que esse bloqueio já tenha sido efetivamente aplicado. Se a sanção for oficializada, o clube poderá enfrentar uma restrição adicional em um cenário no qual ainda tenta resolver condenações anteriores.
Crise financeira limita o planejamento esportivo
O Santos já havia acumulado sete bloqueios na Fifa, quadro descrito em levantamento anterior sobre a crise financeira do clube. A redução para quatro punições mostra que houve avanço na resolução das cobranças menores, mas também evidencia que a parte mais pesada do passivo continua pendente.
Na prática, a restrição afeta diretamente o planejamento do elenco. O Santos pode negociar a chegada de atletas, mas os contratos não necessariamente poderão ser registrados enquanto houver sanções ativas. Isso reduz a margem da diretoria para repor peças e reforçar o grupo, além de aumentar a necessidade de organizar o fluxo financeiro antes de novos movimentos no mercado.
O próximo desafio é encontrar uma saída para as condenações relacionadas a Caixinha e à antiga comissão técnica. Ao mesmo tempo, o clube precisa acompanhar o processo envolvendo Njie para evitar a ampliação do bloqueio. O pagamento de quase R$ 950 mil foi um passo concreto, mas a situação geral ainda está distante de uma liberação completa na Fifa.