Santos enfrenta crise financeira com sete transfer bans e precisa resolver dívidas para registrar novos jogadores.Foto: Reprodução da Internet
O Santos ampliou o problema que enfrenta para voltar ao mercado da bola. O clube recebeu mais três transfer bans da Fifa e passou a acumular sete punições válidas que impedem o registro de novos jogadores. As sanções mais recentes estão relacionadas a débitos do mecanismo de solidariedade, sistema que destina parte dos valores de transferências internacionais aos clubes formadores dos atletas.
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O novo bloqueio não muda, de forma imediata, a situação esportiva do Peixe. O clube já estava impedido de inscrever reforços por causa de quatro punições anteriores, ligadas a dívidas com o ex-técnico Pedro Caixinha e integrantes de sua comissão técnica. A consequência principal é o aumento do passivo que a diretoria terá de resolver para atuar normalmente nas próximas janelas.
As três cobranças adicionadas ao histórico do Santos envolvem duas dívidas em euros e uma em dólares. Os valores são de 120 mil euros nos dois primeiros casos, considerados em conjunto, e 55 mil dólares no terceiro processo. Convertidos pelas cotações de referência utilizadas nas apurações, os débitos chegam a aproximadamente R$ 947 mil, ou cerca de R$ 950 mil.
O mecanismo de solidariedade prevê que 5% dos valores de determinadas transferências internacionais sejam destinados às equipes que participaram da formação do jogador. Quando o pagamento não é realizado, o credor pode recorrer às instâncias da Fifa. A punição esportiva impede o clube de registrar atletas até que a pendência seja regularizada.
As novas sanções se somam aos quatro bloqueios relacionados a Caixinha e a antigos membros de sua comissão técnica. O treinador português deixou o Santos em 2025, e os valores previstos nos acordos de rescisão não foram quitados integralmente. Segundo as informações reunidas pelas fontes, o débito com o técnico e seus auxiliares supera R$ 15 milhões, enquanto outra apuração aponta valor superior a R$ 17,5 milhões considerando as cobranças e acréscimos dos processos.
Sete punições não significam sete janelas consecutivas
A quantidade de transfer bans não deve ser interpretada automaticamente como sete janelas consecutivas sem contratações. As punições podem ser cumpridas simultaneamente, desde que o clube permaneça inadimplente. Na prática, porém, o Santos precisa solucionar todos os processos que sustentam os bloqueios para recuperar a liberdade de registrar reforços.
Esse cenário já havia exigido uma mobilização financeira durante a temporada. Em outro momento, o clube precisou quitar uma dívida com o Monaco para voltar a inscrever jogadores. Agora, a diretoria enfrenta um conjunto maior de obrigações, com processos de valores e origens diferentes.
O problema financeiro do Santos e seus efeitos no planejamento esportivo já foram abordados em levantamento anterior do FutNet News. A nova atualização mostra que o número de punições aumentou desde então, tornando a regularização ainda mais urgente para o clube.
Caso Yusupha Njie pode gerar oitava punição
Além dos sete bloqueios já registrados, o Santos corre risco de sofrer uma oitava punição na Fifa por causa do caso Yusupha Njie. O atacante gambiano foi emprestado pelo Al-Markhiya, do Catar, em 2024, mas deixou o clube brasileiro sem disputar uma partida oficial.
O acordo original previa um empréstimo de 350 mil euros. Após a decisão de encerrar antecipadamente a passagem do jogador, Santos e Al-Markhiya estabeleceram um pagamento dividido em sete parcelas de 50 mil euros, previstas entre janeiro e julho do ano seguinte. De acordo com o material apurado, nenhuma das parcelas foi quitada.
O clube catari levou a cobrança à Fifa. A entidade reduziu o valor principal da dívida para 332,5 mil euros, mas manteve os acréscimos previstos no acordo. Com juros, multas e demais encargos considerados no processo, a condenação chegou a aproximadamente 399 mil euros, equivalentes a cerca de R$ 2,2 milhões.
O Santos recorreu à Corte Arbitral do Esporte, mas a decisão favorável ao Al-Markhiya foi mantida. Caso a pendência não seja regularizada, o processo poderá resultar em um novo transfer ban. Diferentemente das três sanções recentes, esse caso não é apresentado como punição já aplicada, mas como um risco adicional para o clube.
Outras cobranças aumentam a pressão sobre a diretoria
As dificuldades não se limitam aos processos que já produziram bloqueios na Fifa. O Santos também aparece envolvido em cobranças na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). Uma delas foi apresentada pelo Cruzeiro e envolve cerca de R$ 1 milhão pela compra definitiva do zagueiro Zé Ivaldo.
O Cuiabá, por sua vez, cobra aproximadamente R$ 19 milhões em questões relacionadas ao zagueiro Joaquim. A disputa envolve a aquisição do jogador e o repasse de valores após sua transferência para o Tigres, do México. Esses casos seguem uma tramitação própria e não devem ser confundidos com as sete punições já registradas na Fifa.
Também há menções a cobranças do León, do México, e do Spartak Moscou, da Rússia, relacionadas a valores considerados pendentes em negociações envolvendo os zagueiros Adonis Frías e Alexis Duarte. O material disponível não indica que esses processos tenham resultado, até o momento, em novos bloqueios contra o Santos.
Regularização vira prioridade para as próximas janelas
Com a janela de transferências fechada, o impacto imediato sobre a escalação do Santos é limitado. O efeito mais relevante está no planejamento do elenco: enquanto as dívidas não forem quitadas ou formalmente renegociadas, o clube não poderá registrar novos atletas, mesmo que consiga contratar jogadores em acordos particulares.
A diretoria terá de definir uma estratégia para eliminar as punições, negociar os débitos e evitar que o caso de Njie produza um novo bloqueio. A quantidade de processos revela que o retorno à normalidade no mercado depende de uma solução financeira ampla, e não apenas do pagamento de uma cobrança isolada.
Até que isso aconteça, o Santos seguirá submetido às restrições da Fifa e precisará administrar o elenco atual. A prioridade passou a ser reduzir o passivo reconhecido nas decisões e impedir que novas pendências transformem o bloqueio existente em uma crise ainda maior nas próximas janelas.