Santos acumula quatro transfer bans e ficará impedido de registrar novos jogadores até regularizar dívidas.Foto: Reprodução da Internet
O Santos enfrenta uma nova frente de pressão financeira no futebol internacional. A Fifa confirmou, nesta sexta-feira (9), três transfer bans relacionados a dívidas com o ex-técnico Pedro Caixinha e os auxiliares Pedro Malta e José Prata. Somadas à punição aplicada na quinta-feira (8), por causa de um débito com o preparador de goleiros José Francisco Belman Gonzales, as decisões deixam o clube com quatro bloqueios ativos para o registro de jogadores.
OFERTAS PARA A TORCIDA
Ofertas podem mudar no Mercado Livre
Camisa Santos Umbro Oficial 26/27 TorcedorDe R$ 399,99
O valor total das condenações chega a aproximadamente R$ 15 milhões. Enquanto as pendências não forem quitadas ou regularizadas por meio de um acordo aceito no procedimento aplicável, o Santos fica impedido de inscrever novos atletas. As sanções podem permanecer por até três janelas consecutivas de transferências, embora possam ser retiradas antes desse período caso os débitos sejam integralmente pagos.
Quatro processos envolvem a antiga comissão técnica
A origem dos processos está na saída de Pedro Caixinha do clube, em abril de 2025. O treinador português comandou o Santos em 16 partidas antes da demissão. Após a ruptura, ficaram pendentes valores rescisórios de integrantes de sua comissão técnica, e a tentativa de parcelamento apresentada pelo clube não foi aceita pelos profissionais.
O primeiro bloqueio da sequência foi associado a José Francisco Belman Gonzales. O ex-preparador de goleiros cobra 200 mil euros, valor estimado em R$ 1,11 milhão, além de juros de 5% ao ano desde abril de 2025. A restrição entrou em vigor na quinta-feira, pouco antes do jogo do Santos contra o Flamengo, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro.
Na sexta-feira, a Fifa confirmou as punições referentes às ações de Caixinha, Pedro Malta e José Prata. A maior parcela está ligada ao treinador. Conforme os valores apresentados no processo, o Santos foi condenado a pagar R$ 496,7 mil em remunerações pendentes e 1,84 milhão de euros, cerca de R$ 10,2 milhões, pela rescisão contratual. As quantias têm incidência de juros anuais de 5% desde 14 de abril de 2025.
Os antigos auxiliares também obtiveram decisões favoráveis. A dívida com Pedro Malta é estimada em 220 mil euros, aproximadamente R$ 1,2 milhão, enquanto a pendência com José Prata gira em torno de 120 mil euros, cerca de R$ 670 mil. Os dois valores igualmente estão sujeitos a juros desde abril do ano passado.
Recurso rejeitado e efeito sobre o mercado
Sem conseguir concluir o pagamento das rescisões, o Santos foi acionado nas instâncias esportivas internacionais. O clube recorreu à Corte Arbitral do Esporte, mas teve o pedido rejeitado. Com isso, as condenações relacionadas aos quatro profissionais são tratadas como definitivas, e não há novas possibilidades de recurso mencionadas nas decisões.
O transfer ban não desfaz as inscrições já realizadas nem altera automaticamente a situação dos jogadores que integram o elenco. O efeito principal recai sobre futuras contratações: o Santos não poderá registrar reforços enquanto as restrições permanecerem ativas. Como a janela de transferências brasileira está fechada, o impacto imediato sobre a equipe atual é limitado, mas a punição cria um obstáculo para a próxima oportunidade de mercado.
Para retirar os bloqueios antes do limite de três janelas, o clube terá de quitar integralmente os valores ou formalizar uma solução reconhecida no processo. A regra torna a disponibilidade de recursos uma questão diretamente ligada ao planejamento esportivo, já que qualquer contratação dependerá da liberação do sistema de registros.
O episódio amplia uma dificuldade que o Santos já havia enfrentado em 2026. Naquele período, o clube sofreu outro transfer ban por uma dívida de aproximadamente R$ 12 milhões com o Monaco, da França. A restrição foi retirada depois que recursos da NR Sports, empresa associada à família de Neymar, foram usados para quitar o débito. Com a regularização, o Santos registrou nomes como Rodinei, Arthur, Philippe Coutinho, Everton Cebolinha e Lima na última janela.
Outras cobranças ainda podem aumentar a pressão
O passivo envolvendo a antiga comissão técnica pode crescer. De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, a Fifa ainda deve oficializar uma quinta punição, ligada à rescisão do preparador físico Guilherme Gomes. Essa decisão, porém, ainda não aparece entre os quatro bloqueios atualmente ativos.
Também está pendente uma disputa no Tribunal Arbitral do Esporte envolvendo o Al-Markhiya, do Catar. O clube cobra 350 mil euros, aproximadamente R$ 2 milhões, relativos ao empréstimo do atacante Yusupha Njie. Como ainda depende de julgamento, essa cobrança não deve ser apresentada como um novo transfer ban já aplicado ao Santos.
Há ainda processos relacionados a negociações de jogadores. León, do México, e Spartak Moscou, da Rússia, acionaram a Fifa por parcelas atrasadas nas transferências dos zagueiros Adonis Frías e Alexis Duarte. Segundo o material divulgado, os clubes obtiveram decisões parcialmente favoráveis, mas essas disputas não integram os quatro bloqueios vigentes. Frías, além disso, já não faz parte do elenco santista.
O Santos, portanto, precisa administrar condenações definitivas e outras cobranças que seguem em andamento. A prioridade para recuperar liberdade no mercado é encontrar uma solução para os débitos que deram origem às punições. Até lá, o clube seguirá limitado para registrar atletas e exposto à possibilidade de novas restrições caso outros processos avancem.