André Rizek critica Flamengo por contestar escalação de Rojo após a eliminação na Libertadores.Foto: Reprodução da Internet
A tentativa do Flamengo de alterar o resultado da semifinal da Libertadores por causa da escalação de Marcos Rojo pelo Estudiantes provocou reação de André Rizek. O jornalista avaliou que o clube carioca pode até apresentar argumentos jurídicos para contestar a presença do zagueiro, mas questionou o momento escolhido para levar a reclamação adiante. Na visão dele, a diretoria deveria ter se manifestado de forma mais clara antes da partida no Maracanã.
O Estudiantes venceu a disputa pela vaga na decisão dentro de campo e, desde então, o Flamengo passou a contestar a participação do defensor argentino. O jogador atuou respaldado por uma medida cautelar obtida no Tribunal Arbitral do Esporte, conhecido pela sigla CAS, depois que a Confederação Sul-Americana de Futebol recusou o registro do atleta para a competição.
O caso ganhou repercussão porque a autorização judicial tinha caráter provisório. Para o Flamengo, a decisão não representaria uma confirmação definitiva de que a inscrição de Rojo estava de acordo com o regulamento da Libertadores. O clube sustenta que o Estudiantes assumiu os riscos jurídicos ao escalar o zagueiro mesmo sem uma autorização prévia da Conmebol.
Rizek questiona o momento escolhido pelo Flamengo
Durante sua análise, Rizek afirmou que a utilização de Rojo era conhecida antes do confronto decisivo. Por isso, o apresentador considerou que o Flamengo deveria ter registrado publicamente sua posição antes de a bola rolar, deixando claro que não concordava com a escalação e que adotaria as medidas cabíveis caso o argentino entrasse em campo.
Em uma manifestação direcionada aos torcedores, o jornalista questionou se seria bem recebido disputar uma eventual final após obter uma mudança nos tribunais. O ponto central da crítica foi a percepção de que a contestação ganhou força somente depois da eliminação esportiva, embora a presença de Rojo já estivesse no debate antes do duelo no Rio de Janeiro.
Rizek, no entanto, não descartou a possibilidade de o Flamengo ter fundamento na reclamação. A avaliação apresentada foi de que a questão jurídica ainda precisaria ser analisada pelas autoridades competentes. Assim, a crítica à postura do clube não equivale a uma conclusão sobre a legalidade ou ilegalidade da escalação do Estudiantes.
Como começou o impasse com Marcos Rojo
O Estudiantes contratou Rojo depois da saída do Racing e tentou registrá-lo na vaga de Gabriel Neves, jogador lesionado. A Conmebol rejeitou a substituição por entender que as exigências previstas no regulamento da Libertadores não estavam cumpridas. Com a negativa, o clube argentino recorreu ao CAS e conseguiu uma medida cautelar que liberou o defensor para o jogo de volta da semifinal.
Rojo começou a partida no Maracanã como titular e permaneceu em campo por 76 minutos, segundo o material apurado pelas fontes. Depois, foi substituído por Tomás Palacios. A participação ocorreu, portanto, com base na decisão provisória do tribunal esportivo, enquanto a discussão sobre a regularidade definitiva do registro permaneceu aberta.
O episódio foi acompanhado por uma negociação cercada de dificuldades. O Estudiantes precisava reforçar o elenco após perder jogadores por suspensão no primeiro jogo da semifinal e desembolsou US$ 500 mil para contratar o zagueiro. O acordo também previa valores adicionais caso a equipe alcançasse a decisão e conquistasse o título, conforme as informações apresentadas na apuração.
Qual é o pedido apresentado pelo Flamengo
A diretoria rubro-negra entende que a liminar não eliminou a possibilidade de questionamento posterior. O clube argumenta que a autorização do CAS deixou sob responsabilidade do Estudiantes os riscos de uma eventual contestação sobre a inscrição de Rojo. A partir dessa interpretação, o Flamengo tenta fazer com que a escalação seja considerada irregular.
O pedido se apoia no artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol, citado nas informações apuradas. Esse dispositivo prevê punição esportiva para casos de utilização irregular de atletas, com a possibilidade de derrota administrativa por 3 a 0, além de sanções financeiras. Caso a reclamação seja acolhida, o Flamengo busca a alteração do resultado da semifinal e, consequentemente, uma mudança no finalista.
A existência do recurso, porém, não significa que o clube carioca tenha conseguido reverter a eliminação. O Estudiantes ainda precisa ser notificado e apresentar sua defesa, enquanto o órgão responsável não publicou uma decisão definitiva sobre o mérito da reclamação. Até que isso aconteça, a classificação argentina permanece reconhecida no cenário informado pelas fontes.
Final segue com Estudiantes e Palmeiras
Na avaliação de Rizek, a tendência era de que a decisão da Libertadores fosse disputada por Estudiantes e Palmeiras, sem mudança provocada pelo recurso rubro-negro. O jornalista também afirmou que os argentinos não teriam interesse em ver o caso resolvido antes da final, pois uma decisão posterior poderia preservar a realização da partida sem alteração imediata no confronto.
As fontes informam que a decisão estava marcada para 28 de novembro, no Estádio Centenário, no Uruguai, entre Palmeiras e Estudiantes. Esse era o cenário vigente enquanto o processo envolvendo Rojo ainda aguardava análise. Portanto, qualquer mudança dependeria de uma decisão oficial sobre a regularidade da inscrição e os efeitos esportivos da participação do zagueiro.
Além da discussão nos tribunais, o caso também abriu um debate sobre estratégia e postura institucional. Para Rizek, uma manifestação antes da semifinal teria dado ao Flamengo a oportunidade de demonstrar transparência e coerência na contestação. Para o clube, por outro lado, a medida cautelar não teria resolvido de maneira definitiva a controvérsia sobre o registro do atleta.
O desfecho ainda dependia da análise do processo e da defesa do Estudiantes. Até a publicação de uma decisão, a crítica do jornalista permanecia concentrada no timing da iniciativa rubro-negra, enquanto o Flamengo mantinha a tentativa de transformar a discussão sobre Rojo em uma revisão do resultado da semifinal.