Flamengo aguarda decisão sobre uso irregular de Marcos Rojo, que pode alterar resultado da semifinal.Foto: Reprodução da Internet
O Flamengo ainda tenta modificar o desfecho da semifinal da Libertadores contra o Estudiantes. Eliminado nos pênaltis após dois empates por 0 a 0, o clube carioca questiona a utilização de Marcos Rojo e pede que a Conmebol reconheça a escalação irregular, atribuindo ao adversário uma derrota administrativa por 3 a 0.
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Até o momento, porém, não houve decisão que altere o resultado ou retire do Estudiantes a vaga na final. A decisão provisória do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS, ou CAS, na sigla em inglês) autorizou a participação do defensor na partida disputada no Maracanã, mas não encerrou definitivamente a discussão sobre a regularidade de sua inscrição nem sobre eventuais consequências esportivas.
O cenário mantém o caso em aberto, mas não significa que o Flamengo esteja classificado. A final oficialmente prevista continua entre Estudiantes e Palmeiras, marcada para 28 de novembro. O Rubro-Negro aguarda a análise dos órgãos competentes para saber se sua reclamação poderá produzir efeito sobre a semifinal.
O que o Flamengo pediu à Conmebol
A reivindicação do Flamengo não é pela realização de uma nova partida. O clube quer que o resultado do jogo de volta seja substituído por uma vitória administrativa de 3 a 0, punição prevista em determinadas situações de escalação irregular no Código Disciplinar da Conmebol.
Como a partida terminou empatada sem gols e o Estudiantes venceu as cobranças por 3 a 2, a alteração do placar daria a classificação ao time brasileiro sem a necessidade de considerar a disputa de pênaltis. O pedido, contudo, depende do reconhecimento de que Rojo não poderia ter sido utilizado e de que a autorização provisória obtida no TAS não impede uma sanção posterior.
O Flamengo afirma ter contestado previamente a participação do jogador. Segundo o clube, a reclamação formal também foi apresentada dentro do prazo regulamentar depois do confronto. A diretoria sustenta que preservou o direito de questionar a escalação mesmo diante da cautelar que permitiu a presença do defensor.
Por que a inscrição de Rojo é contestada
A Conmebol rejeitou duas vezes a inscrição de Marcos Rojo, de acordo com as informações reunidas no caso. O Estudiantes, então, recorreu ao TAS para tentar incluí-lo na lista da Libertadores. O tribunal concedeu uma medida cautelar em 21 de outubro, na véspera do duelo contra o Flamengo, permitindo que o atleta fosse relacionado enquanto a controvérsia continuava em análise.
A origem do conflito está na contratação do jogador depois do encerramento da janela de transferências argentina. O Estudiantes buscou usar uma exceção prevista em acordo coletivo do futebol local, que permite a inscrição de um atleta para substituir outro lesionado, desde que sejam cumpridas determinadas condições. No campeonato argentino, o clube associou o procedimento à lesão de Gabriel Neves.
Na Libertadores, porém, a substituição apresentada pelo Estudiantes envolveu outro atleta: Santino Crego. Gabriel Neves permaneceu inscrito na competição continental. O Flamengo questiona se a autorização obtida no futebol argentino poderia justificar o registro nas regras internacionais e se o procedimento era compatível com as normas da Conmebol e da Fifa.
Essa discussão é o centro do processo. Não basta confirmar que a Conmebol havia recusado inicialmente o registro: também será necessário definir qual é o efeito jurídico da decisão cautelar que permitiu a escalação quando a semifinal foi disputada.
A autorização provisória não encerrou o processo
O TAS autorizou Rojo a jogar, mas não decidiu de forma definitiva que sua inscrição era regular. Também não acolheu o pedido para impedir antecipadamente qualquer consequência esportiva ou disciplinar caso a análise de mérito apontasse problemas no registro.
É justamente nessa distinção que o Flamengo apoia sua argumentação. O clube entende que a cautelar permitiu a participação imediata do defensor, mas deixou aberta a possibilidade de uma punição posterior. O Estudiantes, por outro lado, sustenta que atuou amparado por uma ordem judicial válida no dia da partida.
A autorização provisória, portanto, não equivale a uma condenação do Estudiantes nem garante a classificação do Flamengo. O julgamento definitivo precisará tratar de duas questões relacionadas, mas diferentes: a regularidade da inscrição de Rojo e os efeitos de uma eventual decisão desfavorável sobre uma partida disputada sob proteção cautelar.
A situação também foi destacada por especialistas em direito desportivo ouvidos na apuração. A interpretação favorável ao Flamengo considera a possibilidade de que uma decisão de mérito reconheça a irregularidade e produza efeitos sobre o resultado. Já a defesa do Estudiantes pode argumentar que o clube cumpriu uma determinação vigente e não agiu em desobediência às autoridades esportivas.
Precedentes não garantem o mesmo desfecho
O Flamengo também considera casos anteriores de escalação irregular em competições sul-americanas. Em 2018, o Santos teve o empate com o Independiente transformado em derrota por 3 a 0 após utilizar Carlos Sánchez enquanto o jogador ainda cumpria suspensão. No mesmo ano, a Chapecoense perdeu pontos em razão da escalação de Luiz Otávio.
Esses episódios mostram que a Conmebol pode alterar resultados por problemas relacionados à utilização de atletas. Eles, no entanto, não resolvem automaticamente o caso de Rojo. Nos precedentes citados, a discussão estava ligada ao descumprimento de suspensão ou à escalação considerada irregular em circunstâncias diferentes. Agora, o defensor entrou em campo após obter autorização provisória do TAS.
Por isso, a análise não deve tratar os casos como idênticos. A decisão sobre o Flamengo dependerá da interpretação dos regulamentos aplicáveis, do alcance da medida cautelar e da possibilidade de uma sanção retroativa atingir o resultado da semifinal.
O que falta para o cenário mudar
O caso relacionado a Rojo ainda não tem julgamento definitivo nem data confirmada para uma sentença. O Estudiantes precisa apresentar sua defesa, enquanto o TAS e a Conmebol analisam procedimentos que, embora conectados, não são exatamente o mesmo processo.
O Flamengo pediu que uma eventual solução seja tomada antes da final de 28 de novembro. Esse pedido não significa que haverá decisão até essa data. Também não há confirmação oficial de que a Conmebol tenha considerado insuficientes os argumentos do clube argentino ou determinado a exclusão do Estudiantes.
Assim, a possibilidade de o Flamengo chegar à decisão continental permanece condicionada a uma mudança formal no resultado da semifinal. A equipe carioca mantém a contestação e vê fundamentos para insistir na tese, mas a vaga continua oficialmente com o Estudiantes enquanto não houver pronunciamento definitivo das autoridades esportivas.
O caso segue acompanhado pelo Flamengo, que aguarda os próximos atos do processo para saber se a autorização provisória será mantida no julgamento de mérito e quais consequências poderão ser aplicadas à partida. Até lá, qualquer anúncio sobre a classificação rubro-negra deve ser tratado como não confirmado. O FutNet News já detalhou os novos capítulos do caso Rojo e a situação jurídica que mantém o Flamengo à espera.