Estudiantes rejeita acelerar análise, e caso de Marcos Rojo pode se estender após final da Libertadores.Foto: Reprodução da Internet
O processo que envolve a inscrição de Marcos Rojo na semifinal da Copa Libertadores de 2026 pode permanecer sem uma resposta definitiva até depois da final da competição. O Estudiantes não pretende concordar com a tramitação acelerada do caso no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), segundo informação divulgada pelo jornalista César Luis Merlo.
A posição do clube argentino dificulta o cumprimento do prazo desejado pelo Flamengo e pela Conmebol. A intenção era obter uma manifestação antes da decisão continental, mas a falta de acordo para acelerar o procedimento reduz a possibilidade de uma definição com efeito esportivo imediato.
O caso ainda não foi encerrado. A participação de Rojo na semifinal foi autorizada provisoriamente pelo TAS, e o tribunal ainda precisa analisar o mérito da contestação e as possíveis consequências da inscrição. Portanto, a autorização temporária não representa uma confirmação definitiva de que o registro do zagueiro foi considerado regular.
Como a inscrição de Rojo virou disputa jurídica
A controvérsia começou quando o Estudiantes solicitou a inclusão de Marcos Rojo na lista da Libertadores para disputar a semifinal. O defensor seria registrado no lugar de um atleta lesionado, mas a Conmebol rejeitou inicialmente o pedido depois de consultar a Fifa sobre as regras aplicáveis à substituição e ao registro de jogadores.
Diante da negativa, o clube argentino levou a questão ao TAS. O tribunal concedeu uma autorização provisória para que Rojo pudesse participar do confronto, sem transformar essa medida emergencial em uma decisão final sobre a validade do procedimento. A análise definitiva ficou separada da autorização dada para a partida.
Com a presença do zagueiro liberada, o Estudiantes avançou à final e passou a enfrentar o Palmeiras na decisão da Libertadores. O Flamengo, eliminado na semifinal, também entrou formalmente na discussão. Em nota oficial, o clube afirmou que não iniciou o processo de inscrição de Rojo e que foi incluído na disputa pelo próprio Estudiantes.
O Rubro-Negro declarou ainda ter apresentado uma reclamação formal depois da partida, conforme havia comunicado anteriormente às partes envolvidas. O clube explicou que sua iniciativa não tinha como objetivo conquistar a classificação por decisão administrativa, mas defender a aplicação uniforme das regras da competição. O posicionamento foi detalhado em comunicado sobre a contestação envolvendo a presença de Rojo.
Por que a decisão pode ficar para depois da final
O procedimento acelerado depende das condições definidas para a análise e do consentimento das partes envolvidas. Como o Estudiantes não está disposto a aceitar a aceleração proposta, o calendário necessário para um julgamento antes da final se tornou mais difícil de cumprir.
Na avaliação apresentada por Merlo, o cenário mais provável neste momento é que Estudiantes e Palmeiras disputem a decisão continental sem que o TAS tenha publicado uma conclusão definitiva sobre a inscrição do zagueiro argentino. Isso mantém o clube de La Plata como finalista enquanto o processo continua em andamento.
A realização da final antes do julgamento não significa que o caso tenha sido arquivado, nem que o tribunal tenha reconhecido a regularidade do registro. Também não há, até o momento, uma decisão determinando a anulação da semifinal, a mudança do finalista ou a alteração automática do resultado obtido em campo.
Mesmo que o TAS divulgue posteriormente um entendimento contrário ao Estudiantes, a avaliação citada na apuração indica que isso não necessariamente provocaria a modificação do resultado da semifinal. Essa possibilidade, contudo, não equivale a uma decisão já tomada. O efeito de eventual conclusão dependerá das normas analisadas e dos termos do julgamento.
Quais consequências ainda podem ser avaliadas
Uma das possibilidades mencionadas é a aplicação de uma sanção financeira ao Estudiantes. A hipótese de multa aparece entre os desdobramentos possíveis, mas não há confirmação de que o TAS tenha definido uma penalidade, nem informação sobre eventual valor.
Também foi levantada a possibilidade de repetição da decisão da Libertadores. De acordo com a avaliação atribuída a Merlo, esse seria um caminho mais difícil, principalmente pela ausência de uma jurisprudência mundial diretamente comparável para um caso com essas características.
Uma eventual repetição da final teria impacto direto sobre Estudiantes, Palmeiras, Flamengo e a própria organização da competição. No entanto, a menção a esse cenário não significa que o tribunal tenha ordenado um novo jogo ou considerado essa medida como consequência inevitável. A definição continua condicionada à análise do processo.
O ponto central da disputa é saber se a substituição utilizada para registrar Rojo estava de acordo com as regras aplicáveis à Libertadores. A Conmebol rejeitou o pedido inicialmente após consultar a Fifa, enquanto o TAS permitiu a participação do atleta de forma provisória. Essas decisões compõem o contexto do caso, mas não substituem o julgamento definitivo.
Flamengo aguarda os próximos passos
Enquanto não houver uma decisão final, o Flamengo não tem confirmação de que voltará à disputa, de que a semifinal será anulada ou de que haverá qualquer mudança na final. O Estudiantes segue classificado para enfrentar o Palmeiras, e a definição sobre a inscrição de Marcos Rojo permanece pendente.
A principal mudança no cenário é a possibilidade de o julgamento ocorrer depois da decisão continental. Sem o acordo do clube argentino para acelerar a tramitação, o tribunal pode analisar o mérito quando a final já tiver sido disputada. Até lá, permanecem abertas tanto a discussão sobre a regularidade do registro quanto as consequências que eventualmente poderão ser aplicadas.
O Flamengo, por sua vez, seguirá acompanhando o processo e defendendo que as normas sejam aplicadas de forma igualitária aos participantes. Qualquer efeito esportivo, disciplinar ou financeiro dependerá de uma manifestação oficial das autoridades responsáveis, e não apenas das avaliações feitas durante a tramitação do caso.