Flamengo aguarda decisão da Conmebol sobre protesto contra a escalação irregular de Rojo pelo Estudiantes.Foto: Reprodução da Internet
O Flamengo formalizou nesta sexta-feira (23) um protesto na Conmebol contra a participação de Marcos Rojo pelo Estudiantes no jogo de volta da semifinal da Copa Libertadores. O zagueiro argentino esteve em campo no Maracanã, na quinta-feira (22), quando a equipe brasileira acabou eliminada nos pênaltis.
A reclamação rubro-negra questiona a regularidade da inscrição e da escalação do defensor. Na interpretação apresentada pelo clube, a autorização obtida pelo jogador ainda não representaria uma decisão definitiva capaz de assegurar sua presença no confronto. Por isso, o Flamengo pede que a entidade sul-americana analise o caso e considere a possibilidade de declarar o time argentino perdedor.
O Estudiantes terá até as 18h da próxima segunda-feira (26) para apresentar sua defesa à Conmebol. Depois dessa manifestação, caberá à entidade examinar os argumentos dos dois lados e decidir se houve ou não infração ao regulamento da competição. Até o momento, o material disponível não indica uma decisão final sobre o protesto.
Por que a escalação de Rojo virou alvo do Flamengo
Marcos Rojo foi contratado pelo Estudiantes no início de outubro, depois de deixar o Racing. A inscrição do atleta para a reta final da temporada argentina já havia provocado questionamentos porque o registro ocorreu fora do prazo regular da janela de transferências. O clube de La Plata utilizou uma exceção para viabilizar a chegada do zagueiro e o colocou no lugar do meio-campista Gabriel Neves, que estava lesionado.
O impasse também alcançou a competição continental. Inicialmente, a Conmebol rejeitou o pedido para que Rojo fosse inscrito na Libertadores. A situação mudou após o Tribunal Arbitral do Esporte autorizar a participação do defensor. Segundo as informações reunidas, a entidade sul-americana ainda indicava que o tema passaria por uma análise interna, mesmo depois da decisão do tribunal esportivo.
Com a liberação, Rojo pôde atuar no segundo jogo da semifinal. A autorização saiu um dia antes do duelo no Maracanã, circunstância que aumentou a insatisfação do Flamengo. O clube entende que a decisão do TAS permitiu a escalação de forma provisória ou sujeita a uma avaliação posterior, e sustenta que essa condição não seria suficiente para validar a presença do atleta na partida.
O que o Flamengo pode obter caso tenha razão
A principal consequência discutida no protesto é a possibilidade de mudança administrativa do resultado. Conforme o Código Disciplinar da Conmebol, uma escalação considerada irregular pode levar à perda da partida e à aplicação de um placar de 3 a 0 para o adversário. Nesse cenário, o Flamengo tenta transformar a contestação em uma vitória pelo tribunal, apesar de ter sido eliminado dentro de campo na disputa por pênaltis.
Essa possibilidade não significa que o resultado já tenha sido alterado. A Conmebol ainda precisa avaliar a validade da inscrição de Rojo, o alcance da decisão do TAS e a compatibilidade entre a autorização judicial esportiva e as normas específicas da Libertadores. A defesa do Estudiantes será uma etapa importante antes de qualquer decisão da entidade.
O caso lembra a punição aplicada ao Santos contra o Independiente, na Libertadores de 2018. Naquela ocasião, Carlos Sánchez foi considerado irregular, e o clube brasileiro perdeu por 3 a 0 uma partida que havia terminado empatada em 0 a 0. A comparação, porém, tem uma diferença relevante: no episódio envolvendo o Santos, a irregularidade estava ligada a um sistema da própria Conmebol; agora, a discussão envolve um atleta cuja participação foi autorizada pelo Tribunal Arbitral do Esporte.
Impacto sobre a semifinal
Rojo não havia atuado no primeiro encontro entre as equipes porque ainda não tinha autorização da Conmebol. Naquela partida, disputada na Argentina, o Estudiantes enfrentou o Flamengo sem o defensor. A situação foi diferente no duelo decisivo, realizado no Rio de Janeiro, quando a liberação permitiu que o argentino fosse relacionado e participasse do confronto.
A presença do zagueiro ganhou peso justamente porque a semifinal terminou com a eliminação do Flamengo nos pênaltis. O resultado esportivo deixou o Estudiantes classificado para a final, enquanto o clube brasileiro passou a concentrar sua reação no campo jurídico. A eventual aceitação do protesto poderia reabrir a definição do finalista, mas isso depende exclusivamente da análise disciplinar da Conmebol.
Também existe a possibilidade de o caso avançar para uma nova discussão no Tribunal Arbitral do Esporte. Se a entidade sul-americana acolher a reclamação do Flamengo, o Estudiantes poderá contestar a decisão em instância esportiva superior. Esse desdobramento, contudo, é uma possibilidade associada ao processo e não uma confirmação de que haverá novo julgamento.
Próximos passos do processo
O prazo concedido ao Estudiantes termina na segunda-feira (26), quando o clube argentino deverá apresentar sua versão sobre a inscrição e a utilização de Rojo. A partir daí, a Conmebol terá de interpretar os regulamentos aplicáveis e verificar se a decisão do TAS produziu efeitos suficientes para autorizar o jogador na semifinal.
Enquanto a análise não termina, permanece válido o resultado obtido no campo: o Estudiantes eliminou o Flamengo nos pênaltis e avançou à decisão da Libertadores. O protesto apresentado pelo clube carioca busca justamente questionar esse desfecho por meio administrativo, mas não há, nas informações disponíveis, indicação de prazo para o julgamento nem garantia de mudança no resultado.
O episódio acrescenta um capítulo jurídico à eliminação rubro-negra e coloca a Conmebol diante de uma questão envolvendo o limite entre uma autorização do tribunal esportivo e as regras de inscrição da competição. A resposta da entidade definirá se o protesto terá efeito sobre a semifinal ou se a classificação do Estudiantes será mantida.