O zagueiro Lyanco criticou a atuação do Atlético-MG na semifinal da Copa Sul-Americana e pediu evolução.Foto: Reprodução da Internet
A classificação do Atlético-MG para a final da Copa Sul-Americana veio acompanhada de uma cobrança interna no elenco. Mesmo com a vaga assegurada pelo placar agregado de 3 a 2, o time mineiro deixou o Estádio Centenário derrotado por 2 a 0 pelo Montevideo City Torque e com dúvidas sobre o desempenho apresentado na semifinal.
O resultado não eliminou o clube brasileiro porque a vantagem construída no primeiro confronto foi suficiente para garantir a passagem à decisão. Ainda assim, a atuação em Montevidéu expôs problemas que não foram ignorados pelos próprios jogadores, principalmente no sistema defensivo e na execução do plano preparado pela comissão técnica.
Lyanco foi o principal porta-voz dessa avaliação após a partida. O zagueiro reconheceu que o Atlético-MG sabia que encontraria um adversário agressivo, além de condições climáticas difíceis, mas afirmou que a equipe não conseguiu transformar a preparação feita antes do jogo em comportamento dentro de campo.
O que Lyanco apontou depois da derrota
Na entrevista concedida à ESPN na saída do gramado, o defensor explicou que o grupo havia conversado sobre a intensidade esperada no duelo. A chuva e a postura inicial do City Torque aumentaram a dificuldade para o time mineiro, mas não foram apresentadas como justificativa suficiente para o rendimento abaixo do esperado.
“Sabíamos que seria assim, difícil. Começou a chover; eles começaram mais fortes que a gente. Não fizemos um bom jogo”, afirmou Lyanco. Na sequência, o zagueiro destacou que os jogadores estavam mentalmente preparados para a pressão, porém não conseguiram colocar em prática o que havia sido planejado.
A declaração também mostrou que, para o camisa 2, o problema não esteve apenas na disposição do adversário. O Atlético-MG tinha uma estratégia definida para administrar a vantagem e controlar o confronto, mas perdeu o domínio da partida ao longo dos 90 minutos. A equipe permitiu que o mandante transformasse a pressão em gols e terminou a semifinal com uma atuação tecnicamente inferior à expectativa.
Lyanco vinha fazendo uma partida segura até a reta final. Foi nesse período que o zagueiro se envolveu nas jogadas dos dois gols marcados pelo City Torque, em falhas que tiveram consequência direta no placar. A participação nos lances reforçou o tom de autocrítica adotado pelo jogador depois do apito final.
Classificação não apagou os problemas defensivos
A situação exigia atenção porque o Atlético-MG entrou em campo com a missão de proteger uma vantagem construída anteriormente. O placar agregado terminou favorável ao clube brasileiro, mas a derrota por dois gols de diferença mostrou que a margem de segurança não impediu o adversário de assumir o controle em momentos importantes.
O reconhecimento de Lyanco ganhou peso justamente porque ocorreu depois da classificação. Em vez de tratar a vaga como suficiente para encerrar a discussão, o defensor admitiu que o desempenho ficou abaixo do nível esperado. Para ele, o elenco atleticano precisava oferecer uma resposta mais forte, considerando a diferença técnica existente entre as equipes.
“Por mais que tenhamos que respeitar o adversário, sabemos das diferenças de elenco, de time. Vamos com um gosto que faltou um pouco mais”, declarou. A frase resume o sentimento após a semifinal: o objetivo principal foi alcançado, mas a forma como a equipe jogou deixou insatisfação entre os atletas.
O episódio também colocou a defesa no centro da análise. Os erros apareceram na parte decisiva do confronto e contribuíram para que o City Torque vencesse por 2 a 0. Como o resultado não foi suficiente para mudar o classificado, o Atlético-MG avançou, mas levou para as próximas partidas a necessidade de corrigir a concentração e a execução nos momentos de maior pressão.
Atlético-MG terá decisões em diferentes frentes
Com a vaga confirmada, o Atlético-MG enfrentará o Boca Juniors na final da Copa Sul-Americana. A decisão está prevista para 21 de novembro, em Barranquilla. O confronto será a oportunidade de disputar um título continental, mas também representará um teste de nível mais alto para uma equipe que acabou de reconhecer dificuldades defensivas na semifinal.
Até a final, o calendário do clube continuará exigente. O time comandado por Eduardo Domínguez seguirá envolvido na disputa pelas primeiras posições do Campeonato Brasileiro e terá pela frente o Grêmio na semifinal da Copa do Brasil. A sequência reúne competições diferentes e reduz o espaço para oscilações como a apresentada no Uruguai.
Por isso, a cobrança feita por Lyanco não se limita a um comentário sobre uma derrota específica. O zagueiro mencionou a preparação mental do grupo, a falta de execução do plano e o desempenho técnico abaixo do padrão esperado. Esses pontos formam o diagnóstico mais direto deixado pela partida de volta contra o City Torque.
A classificação mantém o Atlético-MG vivo nas competições e confirma a presença do clube na decisão sul-americana. Ao mesmo tempo, a noite no Centenário mostrou que a vantagem no placar agregado não elimina a necessidade de evolução. A comissão técnica e os jogadores terão de equilibrar a comemoração pela vaga com a correção dos erros que abriram caminho para os dois gols uruguaios.