Atlético-MG se classifica para final da Sul-Americana contra o Boca Juniors, apesar da derrota no Uruguai.Foto: Reprodução da Internet
O Atlético-MG deixou o Estádio Centenário com uma derrota por 2 a 0 para o Montevideo City Torque, mas também com a vaga na final da Copa Sul-Americana. Depois do susto no Uruguai, o técnico Eduardo Domínguez escolheu destacar a capacidade de reação do elenco e a campanha construída até a decisão, em vez de concentrar a avaliação apenas no desempenho abaixo do esperado no jogo de volta.
A classificação foi garantida pelo resultado obtido na Arena MRV. Como havia vencido a primeira partida por 3 a 0, o Galo avançou com a vantagem de 3 a 2 no placar agregado. O time uruguaio marcou duas vezes no segundo confronto, mas não conseguiu balançar a rede uma terceira vez, resultado que teria levado a disputa para um cenário ainda mais dramático.
O desfecho confirmou o que já estava indicado antes da viagem: o Atlético poderia perder por até dois gols de diferença e ainda assim alcançar a final. A vantagem, porém, não impediu que o City Torque controlasse boa parte da partida em Montevidéu. A atuação foi considerada fraca por análises posteriores, mas não anulou o peso do triunfo construído em Belo Horizonte.
Domínguez aposta na confiança do elenco
Na entrevista coletiva após a partida, Domínguez reconheceu que o Atlético-MG não apresentou seu rendimento habitual. O treinador, no entanto, avaliou que o grupo mantém uma base de confiança criada pela regularidade demonstrada durante a temporada e pela disputa simultânea de diferentes competições.
O comandante argentino afirmou que a equipe vinha se mantendo na briga por três frentes: Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Sul-Americana. Para ele, essa trajetória ajuda a preservar o equilíbrio emocional dos jogadores mesmo depois de uma atuação irregular, como a apresentada contra o City Torque.
A leitura do técnico é que a classificação precisa ser observada em conjunto com o caminho percorrido. O Atlético-MG venceu o primeiro duelo por uma margem expressiva, administrou uma situação de pressão fora de casa e, apesar da derrota, confirmou a presença na decisão continental. Esse conjunto de fatores explica por que Domínguez preferiu falar em força mental a tratar o resultado como uma crise.
Derrota expôs oscilação antes da final
O desempenho no Uruguai também abriu espaço para críticas. A emissora argentina DeporTV avaliou que o Atlético teve uma atuação muito inferior àquela apresentada na Arena MRV e apontou irregularidade no rendimento da equipe ao longo da temporada. Na análise do canal, o time mineiro sofreu pressão constante e encontrou dificuldades para sustentar a vantagem que havia construído.
Os gols do City Torque saíram no fim da partida. Kevin Silva marcou aos 44 minutos do segundo tempo, enquanto Gary Kagelmacher ampliou aos 48. A proximidade entre os gols aumentou a tensão na reta final, porque um novo gol dos uruguaios mudaria o destino da semifinal. O Atlético, porém, conseguiu resistir até o apito final e manteve a diferença necessária no agregado.
A mesma análise também projetou uma decisão difícil contra o Boca Juniors. O canal argentino considerou o clube de Buenos Aires superior em qualidade de elenco e viu a atuação do Atlético como um sinal de alerta para o confronto decisivo. Essa avaliação, contudo, é uma projeção externa; a classificação do Galo foi confirmada dentro de campo e será o ponto de partida para a preparação da final.
Final será contra o Boca Juniors
O adversário do Atlético-MG na decisão será o Boca Juniors, em partida única marcada para 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia. Em caso de empate no tempo regulamentar, a final terá prorrogação e, se necessário, disputa por pênaltis.
O duelo colocará frente a frente um Atlético que busca seu primeiro título da Copa Sul-Americana e um Boca que tenta conquistar a competição pela terceira vez. Os argentinos já levantaram a taça em 2004 e 2005, enquanto o clube mineiro terá a oportunidade de ampliar sua presença em decisões continentais.
A vaga também preserva o planejamento do Atlético-MG para a reta final da temporada. Além da final sul-americana, a equipe segue envolvida na disputa do Campeonato Brasileiro e tem pela frente a semifinal da Copa do Brasil contra o Grêmio. A sequência exige recuperação física e controle do desgaste, especialmente depois de uma viagem internacional e de uma partida marcada por pressão no segundo tempo.
Elenco teve baixas antes da classificação
O contexto da semifinal ainda incluiu problemas no elenco. Antes do jogo no Uruguai, Thiago Borbas foi diagnosticado com lesão no músculo posterior da coxa direita e ficou fora do confronto. O atacante havia reclamado de dores na partida anterior.
Também estavam em tratamento Fred, com lesão no músculo posterior da coxa esquerda; Ruan Tressoldi, com problema na coxa esquerda; Scarpa, com lesão na coxa direita; e Mateo Cassierra, que tratava uma lesão na coxa esquerda. Everson viajou com a delegação durante a fase final de recuperação de uma fratura no pé esquerdo, mas não foi relacionado para a partida no Centenário.
As ausências reduziram as alternativas disponíveis para Domínguez no confronto de volta, mas não impediram a classificação. Agora, a comissão técnica terá de administrar o período até a decisão e acompanhar a evolução dos jogadores em tratamento. O próximo desafio será transformar a sobrevivência no Uruguai em preparação consistente para enfrentar o Boca Juniors.
O resultado reforça duas leituras possíveis sobre o Atlético-MG. A primeira é positiva: o clube venceu por 3 a 0 em casa, avançou mesmo após perder fora e manteve vivo o objetivo de conquistar a Sul-Americana. A segunda exige atenção: a queda de rendimento no jogo decisivo mostrou que a vantagem construída anteriormente não elimina os riscos de uma final em partida única.
Para Domínguez, a resposta está na mentalidade demonstrada pelo grupo ao longo do ano. O treinador reconhece que será necessário fazer o maior esforço para buscar um troféu que o Atlético ainda não conquistou. Até novembro, a equipe terá de recuperar jogadores, atravessar os compromissos nacionais e corrigir os problemas exibidos em Montevidéu sem perder a confiança obtida com a classificação.