O Flamengo avançou às quartas de final da Libertadores ao vencer o Cruzeiro por 2 a 1 na última quarta-feira, dia 19, e fechar o confronto com 3 a 2 no placar agregado. A classificação teve participação decisiva de Pedro, responsável pelas duas assistências da equipe. A atuação recolocou o atacante no centro da disputa por uma vaga entre os titulares, especialmente pela concorrência com Bruno Henrique.
A escolha para o comando do ataque não tem sido fixa sob o comando de Leonardo Jardim. No Campeonato Brasileiro, Pedro vem começando as partidas com mais frequência. Na Libertadores, Bruno Henrique foi o escolhido em mais oportunidades, mesmo não sendo centroavante de origem. A diferença entre as escalações, segundo o treinador, está ligada ao plano definido para cada adversário e ao tipo de jogo esperado.
Pedro responde com atuação decisiva
Diante do Cruzeiro, Pedro foi escalado desde o início porque Jardim projetava uma partida de maior posse de bola e construção ofensiva. O camisa 9 participou diretamente dos dois gols, mas sua contribuição não ficou restrita aos passes decisivos. Ele também se movimentou para receber fora da área, fez o pivô e ajudou a equipe a dar sequência às jogadas no campo de ataque.
O atacante ainda teve participação no trabalho sem a bola. De acordo com a análise apresentada pelo treinador, Pedro mostrou intensidade durante a pressão exercida pelo Flamengo e tentou recuperar a posse quando o adversário iniciava suas jogadas. Essa característica foi apontada por Jardim como parte de uma mudança na forma de atuar do jogador.
A atuação contra o Cruzeiro ganhou importância porque ocorreu em um duelo eliminatório. O Flamengo precisava administrar a vantagem construída no confronto, mas também buscava produzir mais ofensivamente depois do primeiro encontro entre as equipes. Pedro foi escolhido para uma formação que privilegiava a troca de passes, a construção apoiada e a presença em um jogo de maior volume.
Estratégias diferentes para cada duelo
Na partida de ida, disputada no Mineirão, Bruno Henrique começou como titular. A decisão estava associada à leitura de Jardim sobre aquele confronto. O técnico esperava encontrar espaços para atacar e pretendia utilizar a capacidade do jogador em uma proposta baseada em pressão e transições mais rápidas.
O treinador avaliou que o primeiro jogo não ofereceu ao Flamengo o mesmo volume de posse e construção imaginado para a partida de volta. Por isso, as características de Bruno Henrique foram consideradas mais adequadas para o plano elaborado no Mineirão. A escalação, portanto, não foi apresentada como uma punição a Pedro, mas como uma decisão estratégica.
Para o segundo compromisso, a expectativa era de um Flamengo com mais controle da bola e maior capacidade de organizar as jogadas. Jardim entendeu que Pedro poderia oferecer uma referência diferente no ataque, participando da construção e atraindo a marcação para abrir possibilidades aos companheiros. O desempenho do camisa 9 confirmou a escolha feita pela comissão técnica.
Em entrevista depois da classificação, Jardim explicou que costuma observar se a equipe terá muita posse e um jogo mais apoiado. Nessa circunstância, considera Pedro especialmente qualificado. O técnico também levou em conta a qualidade técnica do adversário e a possibilidade de o Flamengo controlar a partida em casa, fatores que pesaram para a escalação do centroavante.
Bruno Henrique continua nos planos
Apesar do destaque de Pedro, Jardim não indicou que a atuação diante do Cruzeiro tenha encerrado a disputa. Bruno Henrique estava disponível para o jogo de volta. O atacante não havia viajado para Mirassol por causa de uma pancada, mas, segundo o treinador, estava totalmente apto quando a equipe enfrentou o Cruzeiro novamente.
A informação reforça que a ausência do jogador em uma escalação não deve ser interpretada automaticamente como perda de espaço. O técnico afirmou que pretende utilizar os dois atletas de acordo com as necessidades do Flamengo. A alternância faz parte da maneira como ele administra o elenco e monta a equipe para competições e partidas com características distintas.
Bruno Henrique, além de disputar a posição, oferece ao treinador uma alternativa diferente para o setor ofensivo. O fato de não ser um centroavante de origem não impediu que fosse utilizado nessa função na Libertadores. Sua presença esteve relacionada ao plano de pressionar, explorar espaços e dar outra dinâmica ao ataque rubro-negro.
Jardim destaca controle físico
Outro ponto abordado pelo treinador foi a condição física de Pedro. Jardim reconheceu a evolução do atacante no comportamento durante os jogos, especialmente na intensidade apresentada para pressionar, voltar e participar da marcação. Ao mesmo tempo, ponderou que esse esforço exige cuidado na sequência de partidas.
Segundo o técnico, Pedro nem sempre consegue atuar durante os 90 minutos e também pode não estar em condições de disputar três jogos consecutivos. A observação ajuda a explicar por que a comissão técnica avalia a utilização do jogador partida a partida. A gestão física aparece, assim, ao lado da estratégia, como um dos critérios para definir a escalação.
A decisão de preservar ou alternar os atacantes não foi vinculada apenas a uma preferência técnica. Jardim apresentou a necessidade de considerar o desgaste e o perfil de cada confronto. A participação intensa de Pedro contra o Cruzeiro foi valorizada, mas o treinador deixou claro que o planejamento precisa levar em conta a sequência e a disponibilidade do elenco.
Elenco acima de escolhas individuais
Jardim também rejeitou a ideia de se colocar como defensor permanente de um jogador específico. Depois da classificação, afirmou que precisa de todos os atletas e que o grupo trabalha com certa rotatividade. Para o treinador, a prioridade é escolher as melhores opções disponíveis para o Flamengo em cada situação.
Essa posição mantém aberta a disputa entre Pedro e Bruno Henrique. O camisa 9 tem sido titular no Campeonato Brasileiro e entregou duas assistências na partida decisiva da Libertadores. Bruno Henrique, mesmo utilizado com maior frequência na competição continental, continua sendo uma alternativa considerada pelo comando técnico.
A classificação sobre o Cruzeiro, com vitória por 2 a 1 e vantagem de 3 a 2 no agregado, permite que a discussão sobre a dupla seja observada dentro de uma equipe que segue viva na Libertadores. A atuação de Pedro deu força ao seu desempenho recente no mata-mata, mas não alterou publicamente o princípio defendido por Jardim: a escalação deve responder ao plano do jogo.
Com isso, o Flamengo chega à próxima fase sem uma definição de titular absoluto para a posição. A tendência indicada pelo treinador é de continuidade da alternância, considerando posse de bola, construção, pressão, espaços oferecidos pelo rival e condição física. Pedro e Bruno Henrique permanecem como opções distintas para o ataque, e a escolha seguirá ligada à leitura da comissão técnica para cada compromisso.
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