Internacional poderá continuar arcando com os salários de Matheus Cunha até 2027, mesmo sem utilizá-lo.Foto: Reprodução da Internet
A perda de espaço de Matheus Cunha no Internacional abriu uma questão que vai além da disputa pela titularidade. Embora o goleiro não esteja nos planos esportivos para a reta final do Campeonato Brasileiro, o clube gaúcho pode continuar responsável por parte importante do compromisso financeiro assumido no empréstimo. O contrato com o Cruzeiro tem validade até junho de 2027 e, segundo a apuração disponível, não permite uma devolução simples do jogador.
O caso ganhou força depois da expulsão de Matheus Cunha contra o Mirassol. O goleiro recebeu o cartão vermelho aos 14 minutos daquela partida, em um episódio que se somou às atuações contestadas durante sua passagem pelo Colorado. A partir daí, ele perdeu espaço na hierarquia da posição e deixou de aparecer como uma das principais alternativas para os próximos jogos.
Mesmo com a mudança no cenário esportivo, o fim antecipado do empréstimo não representaria necessariamente o encerramento das despesas do Internacional. Informações atribuídas ao jornalista Samuel Venâncio, especializado na cobertura do Cruzeiro, apontam que o acordo entre os clubes foi estruturado sem uma cláusula que autorize o Inter a devolver o atleta unilateralmente e, ao mesmo tempo, se livrar dos compromissos financeiros.
Isso significa que uma eventual saída de Matheus Cunha do Beira-Rio dependeria de uma solução negociada. O goleiro poderia deixar o elenco, mas os salários previstos no contrato ainda permaneceriam sob responsabilidade do Colorado caso não houvesse uma alteração aceita pelo Cruzeiro. O uso ou não do jogador, portanto, não seria suficiente para definir o fim da obrigação.
Uma informação publicada pela Rede 98 reforça a existência dessa proteção para o clube mineiro. O Cruzeiro não demonstraria interesse, neste momento, em cancelar o empréstimo sem preservar as condições financeiras estabelecidas no acordo. Na prática, a devolução antecipada não faria automaticamente com que a equipe de Belo Horizonte reassumisse os vencimentos que ficaram a cargo do Internacional.
O ponto central do impasse está na diferença entre a situação esportiva e a situação contratual. Pela avaliação do futebol do Inter, Matheus Cunha pode deixar de ser uma opção para a reta final da temporada. No entanto, a validade do empréstimo continua sendo um compromisso entre os clubes. Sem um novo entendimento, a decisão de não escalar o goleiro não altera, por si só, o vínculo firmado até junho de 2027.
O clube gaúcho terá, assim, de avaliar o custo de cada alternativa. A primeira possibilidade é manter Matheus Cunha no grupo até o fim do empréstimo, ainda que ele não seja utilizado com frequência. Outra saída seria encontrar uma equipe interessada em receber o jogador e assumir a sequência do acordo. Também existe a necessidade de negociar diretamente com o Cruzeiro uma mudança nas condições estabelecidas.
Esse cenário se soma ao momento de atenção do Internacional com as contas de curto prazo, tema que já vem sendo acompanhado pelo clube. A situação contratual do goleiro não define sozinha o planejamento financeiro do Colorado, mas cria uma despesa potencial para um atleta que perdeu espaço no campo. O problema, portanto, está em compatibilizar uma decisão técnica com uma obrigação que pode continuar ativa.
Hierarquia dos goleiros mudou após o episódio em Mirassol
Anthoni e Kauan Jesus passaram a aparecer à frente de Matheus Cunha na disputa imediata pela posição. Anthoni está recuperado e é apontado como favorito para reassumir a titularidade no confronto com o Botafogo, enquanto Kauan Jesus ganhou uma oportunidade justamente após a expulsão em Mirassol. O jovem entrou ainda no primeiro tempo e deixou uma impressão positiva, segundo o material da apuração.
A expectativa pela utilização de Anthoni no próximo compromisso pode ser acompanhada no contexto das mudanças preparadas pelo Internacional para o duelo com o Botafogo, tema tratado em informação sobre a preparação da equipe. Essa definição esportiva ajuda a mostrar por que o contrato de Matheus Cunha passou a ser visto como um problema separado da escalação.
Sergio Rochet também não modificou a situação. O goleiro uruguaio continua afastado por problemas físicos e tem futuro indefinido, mas sua ausência não recolocou Matheus Cunha na disputa principal. Mesmo com uma alternativa do elenco fora de combate, Anthoni e Kauan Jesus ganharam prioridade no planejamento imediato.
Matheus Cunha tem 25 anos e pertence ao Cruzeiro. O vínculo definitivo com o clube mineiro vai até dezembro de 2028, enquanto o empréstimo ao Internacional foi acertado até junho de 2027. Essa diferença de prazos explica por que o Colorado não pode tratar a saída antecipada apenas como uma decisão interna: qualquer mudança exigiria a participação do clube detentor dos direitos do goleiro.
Nova direção pode herdar a definição do caso
O tema também pode atravessar o planejamento da próxima temporada. A nova direção do Internacional terá de avaliar se ainda existe espaço esportivo para Matheus Cunha, se há possibilidade de transferência temporária para outro clube ou se será necessário manter o compromisso financeiro até o encerramento previsto. Até o momento, não há indicação de uma solução definitiva para o impasse.
Para o Cruzeiro, a prioridade indicada pelas informações disponíveis é preservar o acordo firmado. Para o Inter, a necessidade é reduzir o impacto de um contrato ligado a um goleiro que deixou de ser prioridade. Qualquer acerto diferente dependerá de negociação entre as partes e não apenas de uma escolha do técnico.
Enquanto não houver um novo entendimento, o empréstimo permanece válido até junho de 2027. Matheus Cunha pode ficar fora dos planos esportivos do Internacional, mas isso não significa que o clube esteja automaticamente liberado dos salários previstos. A definição do futuro do goleiro, portanto, envolve simultaneamente a hierarquia da posição, o planejamento para 2027 e as condições financeiras do acordo com o Cruzeiro.