A eliminação do Santos para o Atlético-MG na Copa Sul-Americana provocou frustração em Gabigol por diferentes motivos. O atacante marcou no tempo regulamentar, participou da reação santista na Arena MRV, mas desperdiçou sua cobrança na disputa por pênaltis. Depois do jogo, entretanto, evitou concentrar a repercussão no erro individual e preferiu falar sobre a expectativa coletiva criada pelo elenco e sobre a dor de deixar o torneio.
“Hoje é sofrer. Eu acreditava muito que a gente ia ser campeão, ainda mais com os jogadores que chegaram. É muito dolorido”, afirmou o camisa 9 após a partida. A declaração mostrou que a confiança interna no grupo ia além da tentativa de avançar às semifinais: Gabigol esperava que o Santos pudesse disputar o título continental.
O atacante também comentou o ambiente de tensão no encerramento do confronto. Questionado sobre as provocações dos jogadores atleticanos, negou que tivesse iniciado qualquer manifestação e tratou a comemoração do adversário como parte da disputa esportiva. “Eu não provoquei ninguém. É futebol. Se a gente ganhasse, a gente ia zoar. Eles ganharam e estão zoando”, disse.
Gabigol agradece à torcida após a queda
Além da entrevista na Arena MRV, Gabigol se manifestou nas redes sociais depois da eliminação. O jogador agradeceu o apoio dos torcedores e ressaltou o orgulho de vestir a camisa do Santos. Na mensagem, afirmou que a sensação de que a equipe poderia ter avançado mais tornou a derrota ainda mais dolorosa.
“Não foi possível, e a sensação que podíamos ir mais longe, faz doer mais! Obrigado, Nação Santista, pelo apoio incondicional! Defender essa camisa é um orgulho que nem todos podem ter”, publicou o atacante. O texto reforçou a tentativa de se comunicar diretamente com a torcida em um momento de forte decepção.
A manifestação também se conecta à expectativa criada pelas contratações feitas pelo clube durante a temporada. Gabigol citou os jogadores que chegaram como parte da razão para sua confiança no título. Para o atacante, a montagem do grupo elevou a ambição santista na competição e fez com que a eliminação tivesse um peso maior.
O Santos não caiu após um confronto controlado pelo adversário do início ao fim. A equipe chegou à partida de volta com vantagem de 2 a 0, construída na Vila Belmiro, e precisou reagir em Minas Gerais para manter viva a possibilidade de classificação. Esse percurso ajuda a explicar por que Gabigol falou em uma oportunidade perdida, e não apenas em uma derrota comum.
Gol recoloca o Santos na frente, mas vaga escapa no fim
Na Arena MRV, o Atlético-MG abriu vantagem no placar, mas o Santos encontrou uma resposta durante o segundo tempo. Aos 26 minutos, Gabigol recebeu passe de Arthur e marcou. Naquele momento, o resultado de 3 a 2 para os donos da casa colocava o time paulista novamente à frente no placar agregado.
A classificação, contudo, mudou nos acréscimos. Aos 46 minutos, Cuello marcou de cabeça e fez 4 a 2 para o Atlético-MG. Como o Santos havia vencido o primeiro encontro por 2 a 0, o placar agregado terminou empatado em 4 a 4. A definição da vaga, então, foi transferida para as penalidades.
Gabigol foi o primeiro cobrador do Santos, mas teve a batida defendida pelo goleiro Gabriel Delfim. João Schmidt e Arthur também pararam no arqueiro atleticano. Gabriel Bontempo foi o único santista a converter sua cobrança, enquanto o Atlético-MG venceu a série por 3 a 1 e avançou à semifinal.
O roteiro ampliou o contraste na participação de Gabigol. O gol marcado no tempo normal recolocou o Santos em condição favorável na eliminatória, mas o pênalti perdido abriu a série de erros que impediu a classificação. Mesmo com esse papel decisivo nos dois momentos, o discurso do atacante foi direcionado à frustração do grupo e ao apoio recebido dos torcedores.
Brasileirão passa a concentrar a temporada
Com a saída da Copa Sul-Americana, o Campeonato Brasileiro se tornou o único compromisso restante do Santos na temporada. A mudança encerra a possibilidade de o clube disputar uma decisão continental e concentra a agenda da equipe na competição nacional. Também altera o ambiente após uma campanha em que o elenco alimentou a esperança de conquistar um troféu.
O próximo compromisso previsto é contra o Remo, pela 28ª rodada do Brasileirão. O duelo será disputado no Mangueirão, em Belém, no sábado, às 18h30, pelo horário de Brasília. A partida aparece como a primeira oportunidade esportiva para o Santos reagir à eliminação, embora o foco imediato ainda esteja marcado pela maneira como a vaga escapou.
Para Gabigol, a resposta após a queda combinou três elementos: o reconhecimento de que o momento era de sofrimento, a defesa da legitimidade das provocações dentro do futebol e a valorização da torcida santista. Ao dizer que acreditava no título por causa dos reforços, o atacante expôs o tamanho da ambição que havia sido criada no grupo. Ao minimizar o comportamento do Atlético-MG, evitou transformar a rivalidade em um novo problema.
A eliminação, portanto, deixou o Santos diante de uma temporada reduzida ao campeonato nacional e com a necessidade de administrar a frustração de uma campanha continental interrompida nos pênaltis. Gabigol foi um dos principais personagens da noite, mas suas declarações procuraram tratar a queda como uma decepção coletiva. O atacante lamentou a oportunidade perdida, agradeceu à torcida e indicou que a prioridade agora será retomar a disputa do Brasileirão.