O Fluminense mantém cobranças contra três clubes estrangeiros por valores relacionados a negociações de jogadores. O relato foi feito por Mário Bittencourt, ex-presidente e atual diretor-geral do clube, durante entrevista ao podcast Pelada Musical, do canal Corredor 5.
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As pendências têm origens diferentes. Há débitos referentes à compra de atletas, parcelas previstas em contratos e percentuais que dariam ao Fluminense participação em futuras transferências. Também existem valores menores de operações que, segundo o dirigente, não foram pagos.
O problema está na diferença entre formalizar uma negociação e receber integralmente o dinheiro previsto. Mesmo quando o contrato estabelece datas, parcelas ou direitos sobre uma venda posterior, o clube comprador pode deixar de cumprir suas obrigações. Nesses casos, o credor precisa recorrer a mecanismos jurídicos para tentar transformar o crédito em receita.
Cobrança chegou à FIFA e incluiu acordos não cumpridos
Em pelo menos uma das situações mencionadas, o Fluminense levou a cobrança à FIFA. O clube devedor chegou a sofrer transfer ban, sanção que impede o registro de novos jogadores, e posteriormente assinou três acordos com o time brasileiro para quitar a dívida.
De acordo com Mário Bittencourt, os compromissos assumidos nesses acordos não foram cumpridos. Assim, a decisão favorável obtida pelo Fluminense e as tentativas de negociação não resultaram no pagamento esperado. A cobrança continuou dependente dos instrumentos jurídicos disponíveis e da capacidade financeira do clube estrangeiro.
O episódio também mostra que uma punição esportiva não significa, necessariamente, recebimento imediato por parte do clube credor. Embora o transfer ban possa pressionar o devedor a negociar, a assinatura de um novo acordo ainda precisa ser acompanhada do cumprimento das parcelas estabelecidas.
As dívidas citadas por Mário não foram apresentadas como um único caso. O dirigente explicou que o Fluminense tem valores a receber de três equipes do exterior, com situações relacionadas tanto à aquisição de atletas quanto a direitos financeiros mantidos pelo clube em transferências posteriores.
Negociação de Paulinho com o Boavista está entre os casos
A situação considerada mais difícil envolve o Boavista, de Portugal. Segundo o diretor-geral tricolor, a origem da pendência é anterior ao período em que ele esteve à frente da presidência do Fluminense.
O clube brasileiro obteve uma decisão favorável na FIFA e, depois, tentou resolver o impasse por meio de três acordos. Nenhum deles teria sido cumprido pelo Boavista. Ao avaliar as chances de recuperação do dinheiro, Mário foi categórico: “A gente não vai receber esse dinheiro nunca”.
Um dos negócios ligados ao débito ocorreu em 2019, quando o Fluminense negociou o atacante Paulinho com o clube português. A operação previa que o time brasileiro mantivesse um percentual associado a uma futura transferência do jogador.
Paulinho deixou o Boavista posteriormente para defender o Al-Shabab, da Arábia Saudita. A mudança poderia ativar a obrigação financeira prevista no acordo entre os clubes. No entanto, conforme o relato de Mário Bittencourt, o valor correspondente não chegou aos cofres do Fluminense.
O caso reúne duas formas de exposição financeira comuns no mercado de transferências: o parcelamento do pagamento e a manutenção de um percentual sobre uma venda futura. Em ambos os modelos, o clube vendedor pode projetar uma receita para o caixa, mas o recebimento depende do cumprimento das cláusulas pelo comprador.
Recebíveis no exterior seguem como desafio financeiro
Os valores pendentes representam créditos esperados pelo Fluminense, mas não podem ser tratados como dinheiro já disponível para uso. Enquanto os pagamentos não são realizados, o clube precisa manter as cobranças e acompanhar a situação das equipes responsáveis pelos débitos.
A dificuldade aumenta quando o devedor enfrenta problemas financeiros. Uma decisão judicial favorável pode reconhecer o direito do Fluminense, mas não garante, por si só, que haverá recursos para quitar a obrigação. Os três acordos não cumpridos no caso do Boavista foram citados pelo dirigente justamente como exemplo desse limite prático.
Para as finanças de um clube, a diferença entre receita contratada e receita efetivamente recebida tem impacto direto no planejamento. Valores de transferências podem ser considerados na estrutura dos negócios, mas permanecem sujeitos a prazos, condições e eventuais disputas. Quando há inadimplência, a expectativa de entrada é substituída por uma cobrança de longo prazo.
Mário Bittencourt afirmou que as três equipes estrangeiras possuem pendências relevantes com o Fluminense, mas o trecho da entrevista não detalhou o valor total devido nem identificou os outros dois clubes. Por isso, o caso do Boavista é o único individualizado no relato, com a negociação de Paulinho e a posterior passagem do atacante pelo Al-Shabab.
A revelação expõe uma parte menos visível das transferências internacionais. O encerramento esportivo de uma negociação não encerra necessariamente suas obrigações financeiras: parcelas, percentuais e acordos posteriores podem continuar em aberto por anos.
No caso do Fluminense, a cobrança na FIFA e os acordos firmados mostram que o clube buscou diferentes caminhos para receber os valores. Já a avaliação de Mário sobre o débito do Boavista indica que, apesar das decisões favoráveis e das tentativas de composição, a recuperação desse crédito é considerada improvável pelo dirigente.