O Fluminense decidiu manter Marcão em uma posição que combina experiência no comando da equipe e participação permanente na estrutura do futebol. Efetivado como treinador até o fim de 2026, o ex-volante continuará vinculado ao clube como auxiliar quando outro profissional estiver à frente do elenco. O formato faz parte de um acordo estabelecido em 2019 e preservado pela administração do presidente Mattheus Montenegro.
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A estratégia foi detalhada por Mário Bittencourt, diretor-geral do Fluminense e ex-presidente do clube, em entrevista ao podcast Pelada Musical, do canal Corredor 5. Segundo o dirigente, Marcão foi integrado ao planejamento para acompanhar o trabalho das comissões técnicas contratadas, participar das avaliações internas e estar preparado para conduzir o time em períodos de mudança.
O modelo também explica por que a diretoria não transformou a atual passagem de Marcão no cargo principal em uma efetivação permanente. Para o Fluminense, a permanência do profissional como auxiliar permite que ele continue exercendo uma função estratégica mesmo quando não estiver no banco como treinador. A intenção é evitar que uma mudança definitiva de cargo elimine essa possibilidade no futuro.
O acordo não estabelece que Marcão assumirá automaticamente o time toda vez que houver uma troca de comando. A escolha depende de uma avaliação do departamento de futebol sobre o momento da equipe e sobre a capacidade de uma solução interna alcançar os objetivos desejados. Quando a diretoria entende que a mudança pode ser conduzida por alguém que já conhece o clube, o ex-volante aparece como alternativa.
Mário explicou que a exposição contínua de Marcão como treinador principal poderia criar um problema para o próprio planejamento. Caso ele fosse convertido no comandante permanente do time profissional, deixaria de cumprir a função de auxiliar permanente e, em algum momento, poderia ser necessário retirá-lo do cargo para a chegada de outro treinador.
Na estrutura desenhada pelo clube, Marcão acompanha a rotina das diferentes comissões técnicas, observa métodos de trabalho e participa das análises sobre o futebol tricolor. Esse contato direto com o elenco e com os profissionais contratados forma a base para eventuais atuações durante transições. A função, portanto, não se resume a aguardar uma oportunidade no banco de reservas.
“Ele atua nos momentos em que a gente entende que precisa fazer uma mudança no comando e que essa mexida vai conseguir os mesmos objetivos se trouxéssemos outro treinador”, afirmou Mário no podcast. O dirigente classificou o acordo como uma decisão estratégica de gestão e destacou a capacidade de Marcão como profissional.
Resultados deram força à solução interna
A atual efetivação ocorreu depois de uma sequência de resultados que alterou o ambiente esportivo do Fluminense. Marcão assumiu a equipe em 12 de agosto, após a saída do argentino Luis Zubeldía, e estreou três dias depois, na vitória por 3 a 2 sobre o Palmeiras, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Antes da mudança, o time atravessava uma série de oito partidas consecutivas sem vencer. Sob o comando de Marcão, o Fluminense interrompeu o período de instabilidade e também garantiu a classificação para as quartas de final da Copa Libertadores. O triunfo sobre o Remo, pela competição nacional, antecedeu a confirmação de que o clube não procuraria outro treinador no mercado naquele momento.
A decisão anunciada em 22 de agosto colocou Marcão à frente da equipe até o encerramento da temporada de 2026. Apesar da duração definida para o comando, o vínculo com o clube continua ligado ao planejamento iniciado em 2019. Assim, a passagem como treinador não elimina a previsão de que ele volte a exercer a função de auxiliar caso outro profissional assuma o elenco.
O arranjo permite ao Fluminense aproveitar o conhecimento acumulado por Marcão sem tratá-lo como uma solução automática para qualquer crise. A diretoria pode avaliar se a mudança interna é suficiente ou se a situação exige a contratação de um novo comandante. Essa distinção preserva a autonomia da gestão para decidir de acordo com o contexto esportivo de cada troca.
Marcão pode seguir carreira fora do clube
O acordo também é apresentado como uma etapa da trajetória profissional de Marcão, e não como um compromisso definitivo com o Fluminense. Mário afirmou que o treinador poderá receber propostas de outras equipes e construir uma carreira independente no futebol. A expectativa do dirigente é que ele faça esse “voo solo” em algum momento.
Até que isso ocorra, a combinação entre o trabalho de auxiliar e as oportunidades no comando mantém Marcão próximo das decisões do futebol tricolor. A experiência acumulada nas comissões técnicas e as passagens anteriores pelo banco ajudam a explicar sua presença como referência interna nas transições, mas não garantem que ele será escolhido em todas as futuras mudanças.
O próximo desafio citado para a equipe é o clássico contra o Vasco, no sábado, às 21h, no Maracanã, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida marcará a continuidade do trabalho de Marcão após a efetivação e ocorrerá dentro de um planejamento que, ao mesmo tempo, prevê sua permanência no comando até 2026 e conserva o papel de auxiliar permanente para as próximas etapas do clube.