Dorival Júnior alertou sobre problemas nos campos do CT, impactando a preparação do São Paulo.Foto: Reprodução da Internet
A vitória por 2 a 1 sobre o Vitória trouxe alívio momentâneo ao São Paulo no Campeonato Brasileiro, mas a entrevista de Dorival Júnior depois da partida abriu uma frente de preocupação fora das quatro linhas. O treinador revelou que os três campos disponíveis no CT da Barra Funda enfrentam problemas e afirmou que a equipe tem precisado improvisar para manter a rotina de treinamentos.
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O relato expõe uma dificuldade estrutural que atinge diretamente o trabalho da comissão técnica. Segundo Dorival, nenhum dos gramados apresenta condições ideais para o uso completo. A situação interfere na organização das atividades, limita a possibilidade de dividir o elenco e obriga o clube a concentrar boa parte da preparação em um único espaço.
O que Dorival relatou sobre os gramados
Na entrevista coletiva, o técnico afirmou que um dos campos está com o piso excessivamente duro, enquanto outro apresenta umidade acima do considerado adequado. Para Dorival, essas condições prejudicam movimentos comuns do futebol, como acelerações, desacelerações e frenagens.
O treinador também relacionou o estado dos gramados à preocupação com lesões no elenco, embora não tenha apresentado uma confirmação médica de que os problemas físicos registrados pelo São Paulo tenham sido causados pelos pisos. A possibilidade levantada por ele aumenta o peso do alerta, especialmente porque o clube precisa manter uma sequência de partidas e treinamentos na reta final da temporada.
“Hoje, temos três campos de treino. Mas nenhum está em condições de uso. Estamos improvisando de todas as maneiras para dar sequência aos treinos”, disse Dorival, conforme registrado na entrevista após o confronto com o Vitória.
As informações divulgadas sobre a estrutura indicam que o campo 2 é, atualmente, o único que permite trabalhos completos com menos restrições. O gramado passou por uma reforma em maio de 2026 e, de acordo com o material apurado, deveria ter mais tempo de recuperação antes de receber uma carga elevada de atividades.
Como os outros espaços não estão plenamente disponíveis, o campo 2 acabou sendo utilizado com frequência acima do planejado. Essa concentração aumenta o risco de sobrecarga da superfície e reduz as alternativas da comissão técnica para montar a programação diária.
O campo 1 também enfrenta limitações. O local precisou receber intervenções depois do surgimento de uma praga e ainda tem áreas sem grama, com trechos de terra exposta. Por isso, seu uso está restrito a exercícios em espaços reduzidos, sem a mesma liberdade de um treinamento completo.
Já o campo 3 apresenta áreas degradadas e escorregadias. A comissão precisa controlar a utilização do espaço para evitar exposição desnecessária dos jogadores a condições consideradas inadequadas. O São Paulo planeja realizar uma nova reforma nesse gramado antes do início da próxima temporada, com o objetivo de ampliar as opções de trabalho.
Problema afeta preparação e segurança
A dificuldade não se resume ao conforto dos atletas. A qualidade do piso influencia a maneira como a comissão técnica distribui as atividades e controla a intensidade dos exercícios. Com apenas um campo apto a receber trabalhos completos, fica mais difícil separar grupos, preparar treinos simultâneos e alternar cargas durante a semana.
O uso limitado dos outros gramados também pode reduzir a variedade dos exercícios. Atividades que exigem mais espaço ou movimentações em alta velocidade precisam ser adaptadas, enquanto sessões específicas podem ser transferidas para áreas menores. Na avaliação de Dorival, a necessidade de improvisar afeta a busca por regularidade e equilíbrio da equipe.
A revelação acontece em um momento no qual o São Paulo tenta recuperar terreno no Brasileirão. O triunfo sobre o Vitória levou o time aos 39 pontos, resultado que amenizou a pressão esportiva, mas não eliminou os problemas apontados pelo treinador. A equipe ganhou fôlego na tabela, enquanto a estrutura do CT passou a ocupar o centro do debate interno.
Desgaste político no clube
Além do impacto esportivo, as críticas de Dorival provocaram incômodo em pessoas próximas ao presidente Harry Massis Júnior, segundo informação atribuída ao jornalista Valentin Furlan. O episódio teria aumentado o desgaste nos bastidores porque tornou público um problema estrutural do clube.
A avaliação de que o treinador estaria sofrendo um processo de desgaste político não equivale, até o momento, a uma decisão oficial sobre sua permanência. Não há indicação, no material apurado, de que a diretoria tenha determinado a saída de Dorival. O que existe é um ambiente de tensão entre as cobranças do comandante e setores ligados à presidência.
Dorival reconheceu que já conhecia parte das dificuldades do São Paulo quando aceitou retornar ao cargo, mas afirmou que a realidade encontrada foi mais complicada do que esperava. Ele classificou o trabalho como um dos mais difíceis de sua carreira e defendeu mudanças administrativas para que o clube recupere estrutura e competitividade.
O treinador também destacou o empenho dos funcionários e citou Rafinha, ex-lateral e atual diretor de futebol, como alguém que tem trabalhado para evitar que os problemas do departamento de futebol se agravem. A fala separa a crítica à estrutura da avaliação sobre o esforço dos profissionais envolvidos na rotina do clube.
Próximos passos
O São Paulo ainda precisa transformar o planejamento de reforma em melhorias concretas no CT. A recuperação do campo 3 pode reduzir a dependência do campo 2, mas o relato de Dorival indica que o problema envolve mais de uma área e exige cuidado para que os gramados voltem a oferecer condições regulares de uso.
Enquanto isso, o treinador terá de administrar a preparação com os espaços disponíveis e preservar o elenco em meio à disputa do Brasileirão. A vitória sobre o Vitória interrompeu parte da pressão pelos resultados, mas a questão estrutural mantém aberta uma cobrança que ultrapassa o desempenho de uma única partida. O tema deverá continuar sob atenção à medida que o clube busca regularidade dentro de campo e soluções para o trabalho diário no CT.