Dorival Júnior alerta que os campos do CT não estão adequados, afetando treinamentos do São Paulo.Foto: Reprodução da Internet
A vitória do São Paulo por 2 a 1 sobre o Vitória, no sábado (10), trouxe alívio dentro do Campeonato Brasileiro, mas também foi seguida por um alerta vindo dos bastidores. Na entrevista coletiva após a partida, Dorival Júnior revelou que o elenco não dispõe atualmente de um campo em condições consideradas adequadas no Centro de Treinamento da Barra Funda.
O treinador afirmou que os três gramados do CT apresentam problemas e que a comissão técnica tem precisado adaptar a rotina para manter as atividades. A declaração expôs uma dificuldade estrutural que, segundo Dorival, interfere diretamente no planejamento diário do time.
O resultado diante do Vitória foi importante para o momento do Tricolor, mas a repercussão da entrevista ampliou a discussão sobre as condições de trabalho oferecidas ao elenco. O cenário ocorre em uma fase de pressão esportiva, com desfalques por lesão e a necessidade de recuperação na reta final do Brasileirão. Calleri decidiu a vitória do São Paulo sobre o Vitória, mas a atuação acabou dividindo espaço com o desabafo do treinador.
Três campos enfrentam limitações diferentes
De acordo com as informações reunidas sobre o caso, o CT da Barra Funda possui três campos, mas nenhum deles está plenamente disponível para a realização de trabalhos completos. O campo 2 é apontado como o que apresenta as melhores condições no momento. O gramado passou por uma reforma em maio, com a instalação do mesmo tipo de grama utilizado no MorumBIS, mas teria sido usado de forma intensa antes do período ideal de recuperação.
O desgaste do campo 2 reduziu a margem de escolha da comissão técnica. Embora ainda seja o espaço mais aproveitável, o gramado também demonstra sinais de sobrecarga. Assim, ele não consegue absorver sozinho toda a programação do elenco sem sofrer novas consequências.
O campo 1 também passou por uma intervenção emergencial depois de ser atingido por uma praga. Parte da superfície ficou sem grama, com áreas de terra exposta. Por essa razão, o local vem sendo destinado apenas a atividades reduzidas, que não exigem a utilização de toda a extensão do campo.
Já o campo 3 é descrito como o mais problemático do complexo. Há trechos degradados e escorregadios, o que exige cuidado adicional durante os treinamentos. A previsão informada é de que o espaço passe por uma reforma antes do início da próxima temporada, mas as fontes não apresentam uma data definida para a execução do serviço.
Declaração de Dorival aumenta preocupação
Durante a coletiva, Dorival disse que a comissão técnica está “improvisando de todas as maneiras” para conseguir dar sequência aos treinamentos. O técnico também afirmou que vive um dos trabalhos mais complicados de sua carreira, considerando as dificuldades encontradas dentro do clube.
O treinador relacionou as condições dos campos ao aparecimento de problemas físicos no elenco. Na avaliação apresentada por ele, a combinação de pisos muito duros, áreas molhadas e dificuldades de aceleração e frenagem pode estar sobrecarregando os jogadores e contribuindo para lesões.
Essa relação, porém, foi apresentada como uma avaliação do próprio Dorival e não como uma conclusão médica comprovada. As fontes não informam a existência de um diagnóstico oficial que estabeleça que os problemas dos gramados sejam a causa das lesões. O ponto confirmado é que a comissão técnica considera a estrutura inadequada para o trabalho cotidiano.
O São Paulo convive, ao mesmo tempo, com jogadores em tratamento no departamento médico. Uma das fontes informa que seis atletas estavam nessa situação após a partida contra o Vitória, mas não detalha todos os nomes nem estabelece uma ligação médica entre cada caso e as condições dos campos.
Jogadores fora dos planos foram deslocados para Cotia
A limitação dos gramados também teria influenciado uma decisão interna do departamento de futebol. Os atletas que não fazem parte dos planos de Dorival passaram a treinar em Cotia, segundo as informações divulgadas sobre o episódio.
A justificativa apresentada foi a necessidade de evitar a concentração de um número ainda maior de jogadores nos campos da Barra Funda. Com menos atletas utilizando o centro de treinamento principal, o clube busca reduzir o desgaste dos gramados disponíveis e organizar melhor os horários de atividade.
Quando questionado sobre a mudança, Dorival classificou a medida como uma decisão interna e afirmou que os jogadores deslocados continuam recebendo acompanhamento profissional. O treinador também elogiou o trabalho de Rafinha, executivo de futebol, e disse que o dirigente tem atuado para impedir que os problemas internos se agravem.
Problema aparece em momento delicado
A revelação ocorre enquanto o São Paulo tenta ganhar estabilidade no Campeonato Brasileiro. A equipe vinha de uma campanha irregular e, conforme uma das fontes, ocupava a nona colocação após a vitória sobre o Vitória. O time também havia sido eliminado nas quartas de final da Copa Sul-Americana, cenário que aumentou a cobrança sobre o trabalho de Dorival.
Além das questões esportivas, o clube enfrenta dificuldades financeiras e, segundo o material apurado, atrasos salariais. Essas informações ajudam a dimensionar o ambiente descrito pelo treinador, mas não alteram o foco principal do desabafo: a falta de um campo em condições ideais para a preparação do elenco.
O episódio coloca a estrutura do CT no centro do debate interno do São Paulo. A reforma prevista para o campo 3 pode representar uma solução parcial, mas o próprio relato de Dorival indica que o problema envolve os três espaços atualmente disponíveis. Até que as intervenções sejam realizadas, a comissão técnica terá de continuar reorganizando a rotina e limitando o uso de determinados setores.
O próximo compromisso mencionado nas fontes é contra o Vasco, no sábado (17), às 21h, novamente no MorumBIS, pela 31ª rodada do Brasileirão. A preparação para esse jogo será realizada em meio às adaptações provocadas pelas condições dos gramados, enquanto o clube busca conciliar a recuperação esportiva com a necessidade de resolver uma questão estrutural que passou a ser exposta publicamente.