Dorival Júnior passa por momento delicado no São Paulo.Foto: Reprodução da Internet
A derrota por 2 a 0 para o Cruzeiro, na quarta-feira (7), ampliou a pressão sobre Dorival Júnior no São Paulo. Mesmo com a sequência negativa e a cobrança da torcida, o clube não pretende mudar o comando técnico neste momento. A avaliação interna é de que uma demissão agora seria inadequada, principalmente pelo impacto financeiro e pelo contexto em que o treinador foi contratado.
O resultado em Belo Horizonte foi o segundo revés consecutivo do Tricolor no Campeonato Brasileiro. Antes disso, a equipe também havia perdido para o Santos e enfrentado a eliminação diante do Boca Juniors. Com 36 pontos, o São Paulo ocupa a 11ª colocação, segundo as informações reunidas pelas fontes consultadas, e terá nove rodadas restantes na competição.
Multa de aproximadamente R$ 6 milhões pesa na decisão
O principal obstáculo para uma eventual saída é econômico. Caso o São Paulo rompa o vínculo de Dorival Júnior antes do fim, precisará pagar uma multa estimada em cerca de R$ 6 milhões. O valor corresponde, segundo a apuração publicada pelo UOL e as informações do Nação Tricolor, ao restante do contrato do treinador e de sua comissão técnica.
A cifra se torna ainda mais relevante porque o clube atravessa um período de dificuldades financeiras. O montante é próximo da soma das multas pagas nas saídas de Roger Machado e Hernán Crespo, conforme informado pelo UOL. Em um cenário de compromissos atrasados e necessidade de reorganização das contas, uma nova rescisão representaria mais uma despesa imediata para a diretoria.
Por isso, a permanência de Dorival não está ligada apenas ao desempenho recente. Embora os resultados tenham aumentado a insatisfação, a direção entende que trocar o treinador neste momento não resolveria automaticamente os problemas do elenco e ainda criaria um custo elevado para o clube.
Dorival Júnior chegou ao São Paulo em maio, com contrato previsto até o fim da temporada. A escolha pelo técnico ocorreu justamente em um período de instabilidade, com desafios esportivos e dificuldades fora de campo. O perfil de trabalho em situações de pressão é considerado parte importante da justificativa para a manutenção do treinador.
O cenário extracampo inclui atrasos no pagamento de direitos de imagem dos jogadores e problemas recentes relacionados aos salários registrados em carteira. O clube também enfrenta um transfer ban provocado por uma dívida de aproximadamente R$ 1,5 milhão com intermediários envolvidos na contratação de Giuliano Galoppo, realizada em 2022. Esse contexto aumenta a cautela da diretoria antes de assumir uma nova obrigação financeira.
O tema da dívida de Galoppo já havia colocado o São Paulo sob risco de punição esportiva. Agora, a situação financeira também influencia diretamente a análise sobre o futuro da comissão técnica. A direção precisa administrar, ao mesmo tempo, a pressão por resultados e a necessidade de evitar despesas que agravem o quadro do clube.
Números de Dorival aumentam a cobrança
Apesar do respaldo, o desempenho de Dorival é motivo de preocupação. Em 19 partidas no comando do São Paulo, o treinador soma cinco vitórias, seis empates e oito derrotas, com aproveitamento de 36,8%. Entre os técnicos que passaram pelo clube na temporada, ele apresenta o pior rendimento, de acordo com os dados publicados pelo Lance!
A sequência recente também explica a mudança no ambiente ao redor da equipe. A derrota para o Cruzeiro ocorreu depois de outro resultado negativo no Brasileiro e manteve o São Paulo na parte intermediária da tabela. O time ainda precisa reagir para se afastar de uma reta final de campeonato marcada por cobranças e incertezas.
Após a partida, Dorival reconheceu que erros da equipe contribuíram para a situação desconfortável. O treinador afirmou que o grupo trabalha para evoluir e destacou a necessidade de terminar os jogos sem sofrer gols. A declaração ocorreu depois de duas atuações consideradas problemáticas pelo próprio comandante.
São Paulo terá reação imediata contra o Vitória
A próxima oportunidade para o time responder será contra o Vitória, no sábado (10), às 21h, no Morumbis, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro. O confronto é tratado internamente como uma chance de interromper a sequência ruim e recuperar confiança antes das rodadas finais.
O São Paulo terá um reforço para a partida: Lucas Moura deve ser relacionado. Por outro lado, a derrota para o Cruzeiro terminou com uma lista de nove desfalques, entre eles o goleiro Rafael e o atacante Luciano. As ausências aumentaram o peso sobre Dorival e reduziram as alternativas disponíveis para a montagem da equipe.
O duelo com o Vitória, portanto, ganhou importância sem alterar a decisão atual da diretoria. Uma vitória pode aliviar a pressão sobre o treinador e oferecer resposta esportiva imediata. Um novo tropeço, por outro lado, tende a manter o debate sobre o trabalho da comissão técnica, ainda que a multa e o contexto financeiro continuem sendo fatores determinantes para a permanência.
Até o momento, a orientação do São Paulo é seguir com Dorival Júnior e concentrar esforços na recuperação do elenco. A diretoria sustenta o treinador enquanto avalia que a troca não seria coerente neste estágio da temporada. O futuro da comissão, porém, continuará ligado aos resultados das próximas rodadas e à capacidade da equipe de reagir no campeonato.